Isaac dos Anjos destaca a necessidade de garantir a manutenção das infra-estruturas hídricas, reforçar a capacidade técnica dos produtores e promover culturas com procura no mercado para aumentar a produtividade e dinamizar a economia rural.
Gestão profissional para assegurar a sustentabilidade das infra-estruturas
O ministro da Agricultura e Florestas, Isaac dos Anjos, defendeu, no sábado, no Cunene, a adopção de um modelo de gestão profissional dos perímetros irrigados, com o objectivo de assegurar a conservação das infra-estruturas hídricas e melhorar a produtividade agrícola em Angola.
A posição foi apresentada durante a abertura oficial do Ano Agrícola 2026/2027, realizada na localidade de Eko II, comuna da Mongua, município do Cuanhama.
Na ocasião, o governante considerou fundamental estabelecer uma separação clara das responsabilidades entre os proprietários das infra-estruturas, os operadores dos sistemas de abastecimento de água, os produtores agrícolas, os prestadores de serviços e os compradores.
Segundo Isaac dos Anjos, a concentração de diferentes funções numa única entidade pode dificultar a transparência na determinação dos custos, comprometer a manutenção dos equipamentos e limitar a responsabilização dos intervenientes.
O ministro sublinhou que os investimentos públicos em barragens, canais e outros sistemas de abastecimento de água devem ser acompanhados por modelos de gestão eficientes, capazes de garantir a conservação dos activos e a continuidade dos serviços.
Água gratuita não elimina os custos de manutenção
Isaac dos Anjos esclareceu que, embora a água seja gratuita em Angola, as operações necessárias para a sua captação, transporte e distribuição implicam despesas que devem ser devidamente consideradas na gestão dos perímetros irrigados.
Neste sentido, defendeu a sensibilização dos utilizadores para a necessidade de assegurar recursos destinados à manutenção de canais, barragens, motobombas e tubagens.
A conservação regular destas infra-estruturas é essencial para prolongar a vida útil dos equipamentos, reduzir avarias e evitar que investimentos realizados com recursos públicos percam a sua capacidade produtiva.
A proposta aponta para uma abordagem em que a eficiência operacional, a transparência dos custos e a responsabilização dos intervenientes assumem um papel central na sustentabilidade dos sistemas de irrigação.
Conhecimento técnico e valorização dos produtores rurais
No domínio da capacitação, o ministro defendeu o reforço das competências técnicas dos produtores, através da reabilitação das estações zootécnicas e experimentais.
A intenção é aproximar o conhecimento científico das necessidades concretas das comunidades rurais, promovendo a adopção de técnicas mais adequadas às condições de produção e aos desafios enfrentados pelos agricultores e criadores de animais.
Para Isaac dos Anjos, a melhoria dos conhecimentos técnicos, associada ao aumento da produtividade, pode contribuir para elevar os rendimentos familiares, reduzir a vulnerabilidade económica das comunidades e combater a desertificação do meio rural.
A articulação entre investigação, assistência técnica e actividade produtiva surge, assim, como uma componente importante da modernização do sector agrícola e do fortalecimento da economia rural.
Culturas de rendimento e oportunidades de mercado
Relativamente à produção agrícola, o governante recomendou a aposta em culturas de rendimento com procura efectiva no mercado, sobretudo nas regiões beneficiadas por sistemas de irrigação.
Entre as actividades destacadas encontra-se a fruticultura, pelo seu potencial de expansão, transformação industrial e criação de emprego.
A orientação procura incentivar uma produção mais alinhada com as oportunidades comerciais, favorecendo a geração de rendimentos e a criação de cadeias de valor capazes de ligar os produtores ao processamento e à comercialização.
A diversificação das culturas poderá igualmente contribuir para aproveitar melhor as infra-estruturas de irrigação, desde que as escolhas produtivas tenham em conta as condições agroclimáticas, a disponibilidade de água e a procura do mercado.
Pecuária: pastagens, forragens e reservas de água
A melhoria das práticas pecuárias foi outra das prioridades apresentadas por Isaac dos Anjos.
O ministro recomendou o reforço da produção de pastagens, a conservação de forragens através da ensilagem e o armazenamento de água para assegurar a alimentação dos animais, especialmente em períodos de escassez.
Estas medidas assumem particular relevância em regiões sujeitas a secas recorrentes, onde a disponibilidade de pasto e água influencia directamente a saúde dos efectivos pecuários e os rendimentos das famílias que dependem desta actividade.
A preparação de reservas alimentares e hídricas poderá ajudar os produtores a reduzir os riscos associados às variações climáticas e a melhorar a capacidade de resposta dos sistemas de produção animal.
Terras devolutas destinadas à produção de girassol e rícino
Durante a abertura do Ano Agrícola 2026/2027, Isaac dos Anjos anunciou ainda uma iniciativa dirigida aos titulares de concessões de terras agrícolas que se encontram sem utilização produtiva.
A proposta prevê a integração dessas áreas num programa de produção de girassol e rícino.
De acordo com o governante, as terras abrangidas serão preparadas, corrigidas com calcário dolomítico, fertilizadas e semeadas. Os custos iniciais destas operações deverão ser pagos com o produto da colheita.
A iniciativa pretende mobilizar áreas agrícolas actualmente improdutivas e colocá-las ao serviço da produção nacional. A sua concretização dependerá, entre outros factores, da adequação dos solos, da disponibilidade de água, das condições técnicas de produção e da existência de canais de comercialização para as culturas seleccionadas.
Nota conclusiva
As orientações apresentadas pelo ministro da Agricultura e Florestas colocam a gestão eficiente das infra-estruturas, a capacitação técnica e a diversificação produtiva entre os factores essenciais para o desenvolvimento agrícola.
A sustentabilidade dos perímetros irrigados exige não apenas investimentos na construção de barragens e canais, mas também mecanismos permanentes de manutenção, gestão transparente e responsabilização. Paralelamente, a valorização do conhecimento técnico, o aproveitamento de terras devolutas e a aposta em culturas com potencial comercial poderão contribuir para fortalecer a produção nacional e criar novas oportunidades de rendimento nas comunidades rurais.
Fonte principal: Gira Notícias | Rede Girassol.
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