Angola reforça compromisso internacional com a protecção das zonas húmidas
Em Genebra, representante permanente de Angola junto das Nações Unidas destaca os progressos na implementação da Convenção de Ramsar, a identificação de onze áreas prioritárias e a necessidade de mobilizar cooperação técnica e financeira para proteger os ecossistemas aquáticos.
Angola reafirmou o seu compromisso com a conservação ambiental e a segurança hídrica durante o briefing executivo subordinado ao tema “Posicionar as zonas húmidas na agenda mundial da água”, realizado na terça-feira, em Genebra, Suíça.
Na ocasião, a embaixadora Ana Maria de Oliveira, representante permanente de Angola junto do Escritório das Nações Unidas em Genebra (UNOG), destacou a importância estratégica das zonas húmidas para a preservação da biodiversidade, o equilíbrio dos ecossistemas e a subsistência das comunidades da África Austral.
Durante a sua intervenção, a diplomata apresentou os progressos alcançados pelo país na implementação da Convenção de Ramsar, instrumento internacional dedicado à conservação e ao uso sustentável das zonas húmidas.
Convenção de Ramsar | Reconhecimento do património natural angolano
Entre os avanços destacados figura o Lisima Lya Mwono, identificado como a primeira zona húmida angolana de importância internacional, abrangendo uma extensão aproximada de 5,37 milhões de hectares.
A diplomata informou igualmente que o Governo angolano identificou onze zonas húmidas prioritárias com potencial para futura classificação como sítios Ramsar.
Este processo representa uma etapa importante para ampliar o reconhecimento internacional dos ecossistemas nacionais e reforçar os mecanismos de conservação e gestão sustentável dos recursos naturais.
Saco dos Flamingos, Kumbilo e Saurico | Avanço dos processos de classificação
No quadro das acções em curso, a ficha informativa do Saco dos Flamingos já foi submetida à apreciação do Secretariado da Convenção de Ramsar.
Paralelamente, os trabalhos preparatórios relativos às zonas de Kumbilo e Saurico prosseguem em diferentes fases de desenvolvimento.
O plano nacional contempla ainda acções contínuas de monitorização das zonas húmidas costeiras, das aves migratórias e dos respectivos habitats, permitindo acompanhar a evolução dos ecossistemas e identificar necessidades de intervenção.
Cooperação internacional | Inventário e gestão integrada dos ecossistemas
Durante o encontro, Ana Maria de Oliveira manifestou a disponibilidade de Angola para aprofundar a cooperação técnica e financeira internacional no domínio da conservação ambiental.
Entre os objectivos imediatos apontados pela representante diplomática estão o desenvolvimento de um inventário nacional das zonas húmidas, a elaboração de planos de gestão integrados e o reforço da protecção das bacias hidrográficas partilhadas na região da África Austral.
Estas medidas procuram consolidar uma abordagem de gestão ambiental que articule a protecção dos recursos hídricos, a preservação da biodiversidade e a utilização sustentável dos ecossistemas pelas comunidades.
Conferência da ONU sobre a Água 2026 | Mobilização de parcerias e financiamento
A embaixadora apontou a Conferência das Nações Unidas sobre a Água de 2026, prevista para Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, como uma plataforma estratégica para mobilizar novas parcerias e financiamento internacional.
A participação neste fórum poderá contribuir para aproximar Angola de instituições e parceiros interessados em apoiar projectos de conservação, gestão dos recursos hídricos e protecção das bacias hidrográficas.
A diplomata sublinhou que a prioridade consiste em transformar os compromissos políticos assumidos pelo Estado angolano em medidas concretas, com impacto directo na preservação dos ecossistemas e na qualidade de vida das populações.
Nota conclusiva
A conservação das zonas húmidas representa uma dimensão fundamental da segurança ambiental e hídrica, sobretudo num contexto em que a biodiversidade, a disponibilidade de água e a sustentabilidade das comunidades estão cada vez mais interligadas.
Os progressos apresentados por Angola na implementação da Convenção de Ramsar demonstram a importância de reconhecer e proteger o património natural do país. Contudo, a identificação de áreas prioritárias e o reconhecimento internacional precisam de ser acompanhados por planos de gestão, monitorização permanente, recursos técnicos e financiamento adequado.
O desafio consiste em assegurar que a protecção destes ecossistemas ultrapasse os compromissos institucionais e se traduza em benefícios concretos para as comunidades, na preservação da biodiversidade e na gestão responsável dos recursos hídricos.
Fonte principal: Gira Notícias | Rede Girassol — informação sobre a intervenção da embaixadora Ana Maria de Oliveira no briefing executivo dedicado à integração das zonas húmidas na agenda mundial da água, em Genebra.
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