Presença em eventos internacionais realizados em Vigo, Espanha, destaca as prioridades nacionais para a gestão sustentável dos recursos marinhos, a modernização das pescas, o desenvolvimento da aquicultura e a captação de investimento.
Angola apresenta avanços e prioridades para a Economia Azul
Angola concluiu a sua participação na 27.ª Feira Internacional de Produtos do Mar Congelados (CONXEMAR 2026), no XIV Congresso Internacional CONXEMAR-FAO-MAPA e no Fórum de Negócios da Economia Azul – Vigo 2026, realizados em Espanha, com o objectivo de promover as potencialidades nacionais e reforçar a cooperação internacional no sector marítimo.
Ao longo dos cinco dias de actividades, a delegação angolana participou nas discussões sobre o futuro das pescas e da Economia Azul, apresentando iniciativas relacionadas com a gestão sustentável dos recursos marinhos, a investigação científica, a modernização da fiscalização, a rastreabilidade dos produtos, o combate à pesca ilegal e o desenvolvimento da aquicultura.
A participação procurou igualmente projectar oportunidades de investimento e parcerias tecnológicas capazes de contribuir para a valorização dos recursos marinhos e para o fortalecimento das cadeias de produção, transformação e comercialização.
Carmen do Sacramento Neto defende uma Economia Azul assente na ciência e na inovação
Um dos momentos centrais da missão ocorreu durante o XIV Congresso Internacional CONXEMAR-FAO-MAPA, no qual a ministra das Pescas e Recursos Marinhos, Carmen do Sacramento Neto, apresentou a visão estratégica de Angola para o desenvolvimento da Economia Azul.
A governante destacou a importância da ciência, da inovação, da transformação digital e da sustentabilidade dos oceanos para a gestão dos recursos marinhos e a criação de valor económico.
Entre as áreas referidas encontram-se os investimentos na gestão pesqueira, na monitorização electrónica, na investigação científica e na aquicultura, sectores considerados relevantes para melhorar a produtividade e reforçar a capacidade de fiscalização e controlo das actividades marítimas.
A ministra defendeu igualmente uma maior mobilização de recursos internacionais para apoiar os países em desenvolvimento na modernização sustentável dos seus sectores marítimos.
Esta abordagem procura conciliar a exploração económica dos recursos com a protecção dos ecossistemas, a criação de emprego e o reforço da segurança alimentar.
Fórum de Negócios aproxima Angola e Espanha
O Fórum de Negócios da Economia Azul reuniu representantes governamentais, instituições, empresários, investidores, organizações internacionais e entidades financeiras de Angola e Espanha.
O encontro serviu de plataforma para apresentar projectos estruturantes da Economia Azul angolana e identificar possibilidades de cooperação entre os sectores público e privado dos dois países.
Entre as áreas prioritárias estiveram as pescas, a aquicultura, a logística marítima, a investigação científica, a transformação industrial e a inovação tecnológica.
A iniciativa permitiu também divulgar oportunidades de investimento e promover o diálogo com potenciais parceiros interessados no desenvolvimento de infra-estruturas, tecnologias e serviços associados à actividade marítima.
Diplomacia económica e cooperação tecnológica
Na sua intervenção, a embaixadora de Angola em Espanha, Balbina da Silva, salientou a importância estratégica do mar para o desenvolvimento económico nacional e destacou o potencial da cooperação bilateral para impulsionar a formação técnica, a investigação científica e a modernização das infra-estruturas marítimas.
A diplomata sublinhou igualmente a relevância da transferência de conhecimentos e tecnologias, reafirmando o compromisso de Angola com o aprofundamento das relações institucionais e económicas com parceiros espanhóis, numa perspectiva de sustentabilidade e benefício mútuo.
A diplomacia económica assume, neste contexto, um papel importante na aproximação entre empresas, instituições de investigação e entidades públicas, criando condições para identificar projectos e mobilizar competências técnicas e financeiras.
Empresas internacionais e oportunidades de investimento
A missão permitiu aprofundar contactos com empresas espanholas e europeias que mantêm relações com Angola ou demonstram interesse em projectos ligados ao desenvolvimento da Economia Azul.
Entre as entidades destacadas na informação divulgada encontram-se:
- SATEC — parceira tecnológica do Estado angolano em iniciativas de modernização e monitorização marítima;
- Nueva Pescanova — empresa com presença histórica no sector pesqueiro angolano;
- Globaltec — associada a iniciativas de desenvolvimento da aquicultura;
- Mariscos Rodríguez — identificada como potencial parceira para a cooperação comercial no sector.
Os contactos com estas empresas enquadram-se nos esforços para estimular parcerias empresariais, atrair investimento e reforçar as capacidades técnicas e industriais nacionais.
A concretização de oportunidades dependerá da evolução das negociações, da viabilidade dos projectos e da criação de condições favoráveis à cooperação entre os parceiros envolvidos.
Economia Azul: sustentabilidade, emprego e segurança alimentar
A Economia Azul abrange actividades económicas ligadas aos oceanos, mares e recursos aquáticos, conciliando a utilização sustentável desses recursos com a conservação dos ecossistemas e a criação de oportunidades económicas.
Para Angola, o desenvolvimento deste sector pode contribuir para diversificar a economia, ampliar a produção pesqueira, fortalecer a aquicultura, estimular a transformação industrial e gerar emprego ao longo das cadeias de valor.
A modernização da fiscalização, a investigação científica, a inovação tecnológica e a formação profissional são componentes importantes para assegurar uma gestão mais eficiente dos recursos e combater práticas que ameaçam a sustentabilidade das pescas.
O reforço da cooperação internacional poderá apoiar estes objectivos, desde que os investimentos e as parcerias se traduzam em resultados concretos para a economia nacional e para as comunidades dependentes dos recursos marinhos.
Nota conclusiva
A participação de Angola na CONXEMAR 2026, no Congresso Internacional CONXEMAR-FAO-MAPA e no Fórum de Negócios da Economia Azul, em Vigo, constituiu uma oportunidade para apresentar prioridades nacionais, reforçar contactos institucionais e promover possibilidades de cooperação com parceiros internacionais.
A aposta na ciência, na inovação, na fiscalização, na aquicultura e na valorização industrial dos recursos marinhos evidencia a importância de desenvolver uma Economia Azul capaz de articular crescimento económico, sustentabilidade ambiental e inclusão social.
O desafio seguinte será transformar a visibilidade internacional e os contactos estabelecidos em projectos concretos, investimentos sustentáveis, transferência de tecnologia e oportunidades de emprego, consolidando o contributo do sector para a diversificação económica e a segurança alimentar de Angola.
Fonte principal: Gira Notícias | Rede Girassol — informação sobre a participação de Angola na CONXEMAR 2026, no Congresso Internacional CONXEMAR-FAO-MAPA e no Fórum de Negócios da Economia Azul, em Vigo, Espanha, com referência à nota enviada ao JA Online.
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