Angola Reggae Woman Spoken Word reafirma a força da palavra e do protagonismo feminino

Quarta edição transforma o Palácio de Ferro num palco de poesia, reggae, memória e afirmação das mulheres na cultura angolana
LUANDA, 22 DE AGOSTO DE 2026 — A quarta edição do Angola Reggae Woman Spoken Word reuniu, no Palácio de Ferro, em Luanda, vozes femininas da poesia e da palavra, numa celebração artística que colocou no centro a mulher, a criação autoral, a memória, a identidade e a expressão cultural.
Com uma proposta multidisciplinar e multicultural, o projecto articula três forças — voz da mulher, poesia falada e Reggae Roots — criando um espaço de encontro entre diferentes gerações de artistas e públicos.
Mais do que um espectáculo, a iniciativa apresentou-se como uma plataforma de expressão, reflexão e valorização do protagonismo feminino na cena cultural angolana.
MULHERES OCUPAM O CENTRO DA NARRATIVA
A poetisa Marley Escórcio destacou a importância da criação de mais oportunidades para que as mulheres possam apresentar o seu potencial artístico e contrariar percepções que acabam por remetê-las para posições secundárias no sector cultural.
Em declarações ao Jornal de Angola, no âmbito da quarta edição do projecto, a artista sublinhou o significado de apresentar a própria poesia enquanto mulher.
Para Marley Escórcio, integrar uma iniciativa que coloca a voz feminina no centro representa uma oportunidade para transformar experiências individuais em narrativas colectivas.
“As mulheres têm muitas histórias para contar e muitas perspectivas que precisam ser ouvidas.”
A poetisa defendeu, deste modo, uma presença feminina que não se limite à representação, mas que permita às próprias mulheres falar a partir das suas vivências, dores, conquistas e sonhos.
ARTE COMO COMPROMISSO E MISSÃO DE VIDA
A poetisa Adolfina da Cruz considerou, por sua vez, que fazer arte ultrapassa a dimensão do talento, assumindo-se como um compromisso e uma missão de vida.
A artista destacou a responsabilidade inerente ao acto de criar, entretendo o público, mas também transmitindo mensagens e contribuindo para a reflexão social.
A participação em iniciativas como o Angola Reggae Woman Spoken Word foi igualmente apontada como motivo de orgulho, sobretudo por proporcionar às artistas espaços onde podem expressar livremente a sua arte e as suas ideias.
HOMENAGEM A BEL NETO E ROSA ROQUE
A quarta edição prestou homenagem póstuma à poetisa Bel Neto e distinguiu a professora Rosa Roque, conhecida como “Mamã das Gingas do Maculusso”.
A escolha das homenageadas associou duas dimensões fundamentais da iniciativa: a memória cultural e o reconhecimento do papel das mulheres na construção da identidade artística, educativa e comunitária de Luanda.
A homenagem a Bel Neto recuperou a memória de uma voz ligada à poesia, enquanto Rosa Roque representa uma trajectória associada à educação, cultura, expressão comunitária e preservação de referências da vida social luandense.
POESIA FALADA ENCONTRA O REGGAE ROOTS
O projecto nasceu da aproximação entre a força do Spoken Word e a vibração consciente do Reggae Roots.
A combinação procura estabelecer um diálogo entre palavra e música, utilizando o reggae como linguagem de resistência, paz, identidade e consciência social, enquanto a poesia falada funciona como instrumento de expressão, denúncia e reflexão.
A proposta distingue-se, assim, de um espectáculo convencional ao colocar a palavra, o corpo e a presença cénica das artistas no centro da experiência.
DEZ POETISAS EM PALCO
A programação da quarta edição contou com a participação de dez poetisas, convidadas a apresentar poemas autorais no Palácio de Ferro.
A proposta artística privilegiou a interpretação ao vivo, sem recurso a playback, valorizando a relação directa entre voz, corpo, texto e público.
O formato permitiu transformar o palco num espaço de partilha de experiências e perspectivas femininas através da literatura oral e da performance.
ENTRETER, REFLECTIR E TRANSMITIR MENSAGENS
A dimensão artística do projecto está ligada a uma visão segundo a qual a cultura pode funcionar simultaneamente como entretenimento e instrumento de transformação social.
A poesia, neste contexto, deixa de estar limitada ao papel e encontra no palco uma dimensão performativa, permitindo abordar temas ligados à identidade, relações sociais, experiências femininas, resistência, memória e esperança.
O reggae acrescenta uma camada sonora associada historicamente à consciência, à resistência e à procura de justiça, criando uma plataforma de diálogo com o Spoken Word.
TRÊS PILARES PARA UMA PLATAFORMA CULTURAL
A proposta do Angola Reggae Woman Spoken Word estrutura-se em três pilares principais:
Valorizar a Palavra — levar a poesia do papel para a rua, para o palco e para o corpo, reconhecendo a palavra como ferramenta artística e de comunicação.
Celebrar a Mulher Angolana — revelar através da arte diferentes dimensões da experiência feminina, incluindo força, dor, beleza, luta e capacidade de criação.
Conectar com a Raiz — utilizar o Reggae Roots e o Spoken Word como linguagens de resistência, identidade, cura, memória e denúncia.
Estes três eixos ajudam a definir a identidade do projecto e a sua proposta de intervenção cultural.
UM ESPAÇO DE ENCONTRO E EXPRESSÃO
A organização apresenta o Angola Reggae Woman Spoken Word como mais do que um espectáculo.
A iniciativa procura funcionar como encontro, espaço de partilha e manifestação artística, aproximando artistas, público e diferentes experiências de vida através da palavra e da música.
A expectativa de participação presencial, aliada à transmissão e ao alcance digital, amplia a possibilidade de levar estas narrativas para além do espaço físico do Palácio de Ferro.
CULTURA, MULHER E MEMÓRIA
A realização da quarta edição reforça uma tendência crescente de iniciativas culturais angolanas que procuram criar espaços específicos para a valorização da produção artística feminina.
Ao reunir poesia, música, homenagem e performance, o projecto contribui para a construção de uma memória cultural em que as mulheres deixam de ser apenas personagens representadas e passam a assumir o papel de autoras, intérpretes, produtoras de pensamento e protagonistas das suas próprias narrativas.
LEITURA PRESSDIGI | A PALAVRA COMO PATRIMÓNIO VIVO
Na perspectiva editorial do PRESSdigi, o Angola Reggae Woman Spoken Word representa uma experiência cultural onde a palavra assume simultaneamente funções de arte, memória, identidade e participação social.
A força da iniciativa está na capacidade de cruzar uma expressão artística contemporânea, como o Spoken Word, com a tradição de consciência e resistência associada ao Reggae Roots.
Ao colocar mulheres angolanas no centro do palco, o projecto amplia o espaço de representação e contribui para a valorização da criação autoral feminina.
A cultura, neste contexto, não surge apenas como espectáculo: transforma-se em território de afirmação, diálogo e transmissão de memória.
ANGOLA A FALAR CONSIGO MESMA
O conceito do projecto pode ser sintetizado na própria mensagem que acompanha a iniciativa:
“É Angola falando com Angola. É mulher falando para o mundo.”
A frase traduz uma proposta que parte da realidade local para alcançar uma dimensão mais ampla, utilizando a poesia e a música como linguagens capazes de atravessar fronteiras.
No Palácio de Ferro, a palavra feminina encontrou palco, ritmo e memória — reafirmando que a cultura angolana também se constrói através das vozes que ousam falar, criar e ser ouvidas.
FICHA | ANGOLA REGGAE WOMAN SPOKEN WORD 2026
Projecto: Angola Reggae Woman Spoken Word
Edição: 4.ª edição
Data: 22 de Agosto de 2026
Local: Palácio de Ferro, Luanda
Conceito: Voz da Mulher + Poesia Falada + Reggae Roots
Eixos: Mulher, poesia, reggae, identidade, memória, resistência e cultura
Homenageadas: Bel Neto, a título póstumo, e Professora Rosa Roque
Participação: Dez poetisas e artistas convidadas
FONTE E ENQUADRAMENTO EDITORIAL
Fontes principais: REDE NACIONAL | Jornal de Angola | PRESSreader | Rastuka Produções
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao
Classe / Tema: CULTURA | POESIA | SPOKEN WORD | MÚSICA | MULHERES NA CULTURA | REGGAE | IDENTIDADE

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