Relatório de Actualização Económica de África aponta para uma aceleração do crescimento em Angola, enquanto a descida prevista da inflação poderá aliviar a pressão sobre as famílias.
Perspectivas de crescimento para a economia angolana
O Banco Mundial reviu em alta a previsão de crescimento da economia angolana para 4,5% em 2026, de acordo com o relatório Actualização Económica de África, divulgado na terça-feira, conforme a informação publicada pela Gira Notícias | Rede Girassol.
A projecção representa uma aceleração face ao crescimento de 3,1% registado em 2025 e coloca Angola entre as economias da África Subsariana com perspectivas de expansão mais expressivas no período em análise.
Segundo os dados apresentados no relatório, a revisão em alta abrange 35 dos 47 países da região, incluindo Angola, Etiópia, Nigéria e Zâmbia.
África Subsariana mantém tendência de aceleração
Para a África Subsariana, o Banco Mundial prevê que o crescimento económico médio passe de 4,1% em 2025 para 4,3% em 2026.
A evolução reflecte uma perspectiva de recuperação da actividade económica regional, embora o desempenho de cada país continue condicionado por factores internos e externos, como a inflação, as condições de financiamento, a evolução dos mercados internacionais e a capacidade de diversificação das economias.
No caso de Angola, a trajectória prevista aponta, contudo, para uma desaceleração nos anos seguintes: o crescimento deverá recuar para 3,3% em 2027 e 3,1% em 2028, de acordo com as projecções citadas.
Desempenho do PIB e dinamismo da actividade económica
O relatório destaca igualmente o dinamismo da economia angolana no segundo trimestre de 2026, período em que o Produto Interno Bruto (PIB) terá registado um crescimento homólogo de 8,74%.
Este desempenho constitui um indicador relevante da evolução da actividade económica no período. A sua interpretação, porém, deve considerar os sectores que impulsionaram o crescimento, a sustentabilidade dessa expansão e a capacidade de transformar os resultados macroeconómicos em oportunidades de emprego, investimento e melhoria das condições de vida.
A manutenção de um ritmo de crescimento consistente dependerá, entre outros factores, da produtividade, da actividade empresarial e do reforço dos sectores não petrolíferos.
Petróleo, receitas externas e estabilidade cambial
De acordo com o documento citado, Angola, enquanto exportador de petróleo, beneficiou da subida do preço do crude, com reflexos positivos nas receitas de exportação e na entrada de divisas.
Este contexto terá contribuído para aliviar a pressão cambial e melhorar o saldo da conta corrente, favorecendo determinados indicadores externos da economia nacional.
O Banco Mundial assinala ainda que Angola estará relativamente menos exposta ao choque energético associado ao conflito no Médio Oriente, em comparação com países que dependem fortemente da importação de combustíveis. Esta vantagem, contudo, não elimina os riscos decorrentes da volatilidade dos preços internacionais, nem a dependência estrutural das receitas petrolíferas.
A sustentabilidade do crescimento exige, por isso, que os ganhos provenientes do petróleo sejam acompanhados por medidas que estimulem a produção nacional, a diversificação económica e o fortalecimento de outros sectores produtivos.
Inflação e impacto no poder de compra das famílias
No domínio dos preços, a previsão citada aponta para uma redução da inflação de 20,2% em 2025 para 10,3% em 2026.
A desaceleração da inflação poderá contribuir para reduzir o ritmo de aumento dos preços dos bens e serviços. Contudo, uma inflação mais baixa não significa necessariamente uma descida dos preços: significa, sobretudo, que estes poderão aumentar a um ritmo inferior.
O Banco Mundial alerta que os benefícios associados à subida das receitas petrolíferas podem ser parcialmente anulados por pressões inflacionistas, com consequências para o bem-estar das famílias.
Neste contexto, a evolução do custo de vida continuará a ser um indicador essencial para avaliar até que ponto a melhoria dos resultados macroeconómicos se traduz em ganhos concretos para a população.
Diversificação económica e desafios estruturais
As projecções favoráveis para 2026 representam uma oportunidade para reforçar a capacidade produtiva de Angola. Todavia, o crescimento económico sustentável requer mais do que a valorização de um recurso de exportação.
O desenvolvimento da agricultura, da indústria transformadora, das pescas, do comércio e dos serviços poderá contribuir para reduzir a dependência do petróleo, ampliar a oferta interna e criar novas oportunidades de emprego.
A transformação do crescimento do PIB em benefícios sociais dependerá também da qualidade do investimento, da estabilidade macroeconómica, do acesso ao financiamento e da capacidade de estimular a actividade económica em diferentes províncias do país.
Nota conclusiva
A revisão em alta da previsão de crescimento da economia angolana para 4,5% em 2026 constitui um sinal positivo nas perspectivas macroeconómicas apresentadas pelo Banco Mundial. Ainda assim, a desaceleração projectada para os anos seguintes e os riscos associados à inflação demonstram que permanecem desafios importantes.
Para além dos indicadores de crescimento, importa acompanhar a evolução do poder de compra, do emprego, da produção nacional e da diversificação económica. O principal desafio consiste em transformar o dinamismo económico numa melhoria sustentável das condições de vida dos angolanos.
Fonte principal: Gira Notícias | Rede Girassol — informação baseada no relatório Actualização Económica de África, do Banco Mundial.
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