Cooperação regional, diplomacia da água e investimentos sustentáveis estiveram em destaque na abertura da 4.ª edição do Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz e Não-Violência, realizada em Luanda.
Juventude e governação dos recursos hídricos
O director-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), Khaled El-Enany, destacou a importância de envolver os jovens na governação dos recursos hídricos, reconhecendo o seu papel como parceiros activos na identificação e implementação de soluções para os desafios relacionados com a água.
A posição foi apresentada na quinta-feira, 22 de Outubro, durante a cerimónia de abertura da 4.ª edição da Bienal de Luanda — Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz e Não-Violência, realizada no Palácio de Convenções de Luanda e presidida pelo Presidente da República de Angola, João Lourenço.
Segundo o responsável da UNESCO, a gestão dos recursos hídricos ultrapassa a dimensão técnica, representando também uma oportunidade para fortalecer a cooperação entre os povos, promover a estabilidade e contribuir para a construção da paz.
Khaled El-Enany sublinhou que a UNESCO contribui para esse processo através da criação de plataformas de diálogo, da promoção da cooperação e do apoio a iniciativas conjuntas. Reafirmou igualmente o compromisso da organização em trabalhar com Angola, a União Africana e os respectivos parceiros para converter as propostas debatidas em resultados concretos para o continente africano.
Diplomacia da água e prevenção de conflitos
Na mesma ocasião, o Presidente do Burundi e presidente em exercício da União Africana, Évariste Ndayishimiye, reafirmou o compromisso com o reforço da prevenção e da resolução de conflitos em África, através de uma mensagem lida pelo vice-presidente burundês, Prosper Bazombanza.
Na mensagem, apelou aos Estados-membros da União Africana, à Comissão da organização e às Comunidades Económicas Regionais para intensificarem os esforços em torno da diplomacia da água, da integração regional e da promoção de uma cultura de paz.
O estadista defendeu uma gestão concertada dos recursos hídricos transfronteiriços e das fronteiras africanas, considerando a cooperação entre os Estados essencial para assegurar a utilização sustentável da água e prevenir tensões e conflitos relacionados com a partilha desses recursos.
Infra-estruturas, saneamento e financiamento sustentável
A mensagem do Presidente burundês destacou também a necessidade de reforçar as infra-estruturas e os investimentos nos sectores da água e do saneamento. Entre as prioridades apontadas estão a valorização do capital humano, a implementação de mecanismos de financiamento económicos e inovadores e o incentivo à participação dos sectores público e privado.
A abordagem evidencia a necessidade de articular políticas públicas, investimento e capacitação técnica para responder às necessidades das populações e melhorar a gestão dos recursos hídricos em África.
Évariste Ndayishimiye manifestou ainda confiança na capacidade dos países africanos para consolidarem os resultados da Bienal de Luanda, transformando-os num instrumento de diplomacia preventiva e reforçando o papel da governação da água na prevenção, mediação e resolução de conflitos.
Presenças institucionais e dimensão continental
A cerimónia de abertura contou com a presença do Presidente da República de Angola, João Lourenço; do Presidente da República Democrática do Congo, Félix Tshisekedi; da antiga Presidente da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf; do vice-presidente do Burundi, Prosper Bazombanza; e do director-geral da UNESCO, Khaled El-Enany.
Participaram igualmente a Vice-Presidente da República de Angola, Esperança da Costa, membros do Executivo angolano, embaixadores, representantes políticos e integrantes da sociedade civil.
A presença de representantes de diferentes países e instituições continentais reforça a dimensão multilateral da iniciativa e a importância do diálogo entre Estados e organizações na procura de respostas conjuntas aos desafios que afectam o continente.
Água, cooperação e cultura de paz
A 4.ª edição da Bienal de Luanda decorre sob o lema “Reforço da Governação da Água em África como Instrumento de Prevenção, Mediação e Resolução de Conflitos”.
A iniciativa resulta de uma parceria entre a República de Angola, a UNESCO e a União Africana, reunindo responsáveis políticos, organizações internacionais e representantes da sociedade civil em torno de estratégias para fortalecer a cultura de paz e a prevenção da violência.
Nota conclusiva
O destaque atribuído à juventude e à governação dos recursos hídricos coloca em evidência a relação entre sustentabilidade, cooperação regional e paz duradoura. A concretização dos compromissos assumidos dependerá da capacidade de transformar o diálogo em políticas, investimentos e mecanismos de colaboração que beneficiem as comunidades e reduzam o risco de conflitos relacionados com a água.
Fonte principal: CIPRA — Centro de Imprensa da Presidência da República de Angola.
Alinhamento Editorial por | Kikalakalu Kia Díbya
PRESSdigi.ao — Informação • Cultura • Imagem • Conexões




