Filme realizado por Alberto Botelho, inspirado na obra literária “Vozes na Sanzala”, de Uanhenga Xitu, distingue o desempenho de Ferreira Adriano e recebe também uma menção honrosa no festival realizado em Lisboa.
O cinema angolano voltou a ganhar visibilidade internacional com a distinção atribuída ao filme “Kahitu”, realizado por Alberto Botelho, na 17.ª edição do Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa (FESTin), realizada em Lisboa, Portugal, de 1 a 11 de Outubro de 2026.
A adaptação cinematográfica da obra literária “Vozes na Sanzala”, do escritor angolano Uanhenga Xitu, conquistou o prémio de Melhor Actor, atribuído a Ferreira Adriano pela interpretação da personagem principal, Kahitu. A produção recebeu igualmente uma menção honrosa, em reconhecimento da sua participação na competição.
As distinções reforçam a presença das produções angolanas nos circuitos cinematográficos da lusofonia e colocam em evidência uma narrativa centrada em questões humanas e sociais.
Uma narrativa sobre exclusão e dignidade humana
“Kahitu” acompanha a trajectória de um jovem que nasce com uma deficiência física severa, descrita na narrativa como paralisia, e cresce a rastejar pelo chão da sua localidade.
Ao longo da história, a personagem enfrenta o estigma, a exclusão social e a troça de outras crianças, num contexto que expõe atitudes discriminatórias e reflecte sobre a forma como a sociedade trata as pessoas com deficiência.
A interpretação de Ferreira Adriano dá vida à personagem central e constitui um dos elementos destacados pela distinção recebida no FESTin. A menção honrosa atribuída ao filme acrescenta reconhecimento à participação da produção angolana no certame.
Exibição em Lisboa e circulação internacional
Integrado na selecção competitiva do FESTin 2026, o filme teve a sua exibição oficial a 6 de Outubro, no auditório da Cooperativa Luís de Camões, em Lisboa.
Segundo a informação divulgada pelo JA Online, a obra foi bem recebida pela crítica especializada. A participação no festival reforça o percurso de circulação da película em eventos cinematográficos ligados ao espaço da língua portuguesa.
Com uma duração que varia entre 70 e 85 minutos, consoante a versão técnica, “Kahitu” teve a sua estreia comercial em Angola no final de 2019, nas salas da rede Cinemax. Desde então, tem participado em diferentes certames e iniciativas de divulgação cinematográfica.
Alberto Botelho e o percurso do cinema angolano
O realizador Alberto Botelho é uma figura de referência no panorama audiovisual angolano. Em 2012, foi distinguido com o Prémio Nacional de Cultura e Artes, na categoria de Cinema, reconhecimento associado ao seu contributo para o desenvolvimento da cinematografia nacional.
Na sua filmografia encontram-se obras como “O Amor de Mariana” (2006), “Encurralada” (2008), “Emplastros” (2010) e “Kahitu”, cuja produção e estreia comercial se situam entre 2012 e 2019, segundo os dados divulgados.
O percurso do realizador reflecte a continuidade de uma produção cinematográfica que procura abordar realidades sociais angolanas e ampliar a presença das narrativas nacionais em espaços de exibição e reconhecimento internacional.
Literatura angolana como fonte de criação cinematográfica
A ligação de “Kahitu” à obra “Vozes na Sanzala”, de Uanhenga Xitu, evidencia o diálogo entre a literatura e o cinema na adaptação de histórias e personagens para diferentes linguagens artísticas.
Este cruzamento contribui para a valorização do património literário angolano, permitindo que obras de referência alcancem novos públicos e sejam reinterpretadas através da imagem, da representação e da narrativa audiovisual.
A participação no FESTin reforça, assim, a importância dos festivais como plataformas de circulação cultural, intercâmbio entre criadores e divulgação das cinematografias dos países de língua portuguesa.
Nota conclusiva
A conquista do prémio de Melhor Actor por Ferreira Adriano e a menção honrosa atribuída a “Kahitu” constituem um reconhecimento do percurso da produção angolana no FESTin 2026. Para além da distinção artística, o filme coloca em discussão temas como a deficiência, o preconceito e a exclusão social, através de uma narrativa inspirada na literatura nacional.
O resultado reforça a visibilidade do cinema angolano no espaço lusófono e sublinha o potencial das produções nacionais para transportar histórias, identidades e questões sociais para públicos de diferentes geografias.
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Fonte principal: Gira Notícias | Rede Girassol, com referência ao JA Online — notícia sobre as distinções conquistadas pelo filme angolano “Kahitu” na 17.ª edição do Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa (FESTin), em Lisboa.
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