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INVESTIMENTO CHINÊS EM ANGOLA APROXIMA-SE DOS 28 MIL MILHÕES DE DÓLARES E AMPLIA PRESENÇA INDUSTRIAL

Com cerca de 600 empresas de capitais chineses instaladas no país, a cooperação bilateral procura ultrapassar o eixo tradicional das infra-estruturas e do petróleo, avançando para a indústria transformadora, a economia digital, o processamento de minerais e as energias renováveis. 1. Investimento acumulado e expansão empresarial A cooperação económica e comercial entre Angola e a […]

Redação Digipress
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quinta-feira, 1 de outubro de 2026 às 12:23•Atualizado há cerca de 8 horas
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INVESTIMENTO CHINÊS EM ANGOLA APROXIMA-SE DOS 28 MIL MILHÕES DE DÓLARES E AMPLIA PRESENÇA INDUSTRIAL
Foto: DigiPress
INVESTIMENTO CHINÊS EM ANGOLA APROXIMA-SE DOS 28 MIL MILHÕES DE DÓLARES E AMPLIA PRESENÇA INDUSTRIAL

Com cerca de 600 empresas de capitais chineses instaladas no país, a cooperação bilateral procura ultrapassar o eixo tradicional das infra-estruturas e do petróleo, avançando para a indústria transformadora, a economia digital, o processamento de minerais e as energias renováveis.

1. Investimento acumulado e expansão empresarial

A cooperação económica e comercial entre Angola e a China continua a ampliar-se, com aproximadamente 600 empresas de capitais chineses a operar no mercado angolano e um volume acumulado de investimento próximo dos 28 mil milhões de dólares, segundo dados divulgados pelo Jornal de Angola e retomados pela publicação Mercados — Vanguarda.

A evolução dos indicadores revela o crescimento da presença empresarial chinesa no país. Em Julho de 2023, o então embaixador da China em Angola, Gong Tao, indicava que o número de empresas chinesas ultrapassava as 400, com um investimento acumulado superior a 24 mil milhões de dólares.

Em Outubro de 2025, Luís Cupenala, presidente da Câmara de Comércio Angola-China (CAC), referiu que mais de 500 empresas de direito angolano com capital chinês estavam em actividade, enquanto o investimento acumulado permanecia acima dos 27 mil milhões de dólares.

Estes valores apontam para o reforço das relações económicas entre os dois países, embora os indicadores devam ser interpretados de acordo com os períodos de referência e os critérios utilizados pelas diferentes entidades.

2. Da reconstrução nacional à diversificação económica

Durante as últimas duas décadas, a cooperação chinesa esteve fortemente associada à reconstrução e à reabilitação de infra-estruturas em Angola.

Um dos mecanismos históricos desta relação foi o denominado «Modelo Angola», baseado em linhas de crédito chinesas cujo reembolso esteve associado, em parte, às receitas provenientes das exportações de petróleo angolano.

De acordo com dados atribuídos à Embaixada da China, empresas chinesas participaram na reabilitação de cerca de 2.800 quilómetros de caminhos-de-ferro e 20 mil quilómetros de estradas, bem como na construção de aproximadamente 100 mil habitações e mais de 50 hospitais.

Esta presença contribuiu para consolidar a China como um dos principais parceiros económicos de Angola. Entretanto, a evolução das prioridades de desenvolvimento e a necessidade de diversificar a economia têm colocado novos sectores no centro da agenda bilateral.

3. Indústria, economia digital e energias renováveis

A diversificação dos investimentos constitui uma das novas frentes da cooperação. Em Junho de 2026, o embaixador chinês em Angola, Zhang Bin, defendeu o aprofundamento das relações económicas e a exploração de áreas como a inteligência artificial, a economia digital e as energias renováveis.

Entre os sectores com presença de capitais chineses encontram-se os materiais de construção, o imobiliário, a indústria alimentar e têxtil, os parques industriais, o processamento de minerais e o fabrico de componentes para veículos e equipamentos electrónicos.

Apesar desta diversificação, os dados divulgados pela Câmara de Comércio Angola-China em 2025 indicavam que apenas cerca de 5 mil milhões de dólares do investimento chinês estavam aplicados em actividades não petrolíferas.

A dimensão deste valor evidencia o espaço existente para ampliar a participação de outros sectores produtivos, promovendo maior capacidade industrial, transformação local de matérias-primas e criação de cadeias de valor em Angola.

4. Novos projectos e perspectivas de industrialização

Entre os projectos referidos na informação de base está um acordo de 900 milhões de dólares, assinado em Julho de 2026 com dois investidores privados chineses, destinado ao desenvolvimento da Zona Franca, incluindo um terminal portuário nos arredores de Luanda.

A agenda de investimentos inclui ainda a abertura de uma fábrica de alumínio com capital chinês e o desenvolvimento de projectos ligados à refinação de óleo alimentar, à logística e à criação de uma reserva nacional de cereais.

A entrada em funcionamento da empresa Cristal Azul foi igualmente destacada pelo embaixador Zhang Bin como um marco da cooperação bilateral, associado à industrialização e à diversificação económica.

A concretização e o impacto destes projectos dependerão, entre outros factores, da sua execução, da capacidade de abastecimento do mercado, da criação de emprego e da integração de fornecedores e trabalhadores nacionais nas respectivas cadeias produtivas.

5. Peso da China no investimento estrangeiro

A China ocupa uma posição expressiva no panorama do investimento externo em Angola. Segundo os números apresentados na matéria de origem, dos quase 600 projectos de investimento estrangeiro registados nos cinco anos anteriores, com intenções de investimento avaliadas em cerca de 22 mil milhões de dólares, aproximadamente 80% estavam associados à China.

O presidente da Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações (AIPEX) salientou a evolução do papel chinês, de credor associado ao financiamento de infra-estruturas para investidor com presença directa em diferentes sectores da economia.

A rapidez na tomada de decisões empresariais foi também apontada como uma característica que distingue parte dos investidores chineses de outros potenciais parceiros internacionais.

Para Angola, o desafio consiste em converter as intenções de investimento em projectos efectivamente executados, com resultados mensuráveis em produção nacional, exportações, emprego, transferência de competências e diversificação das fontes de receita.

6. Comércio bilateral e diferenças nos indicadores

As trocas comerciais entre Angola e a China atingiram cerca de 24 mil milhões de dólares em 2024. Para 2025, a matéria de origem apresenta valores que variam entre aproximadamente 20 mil milhões e 28 mil milhões de dólares, consoante a fonte consultada.

A diferença entre os números reforça a importância de identificar o período abrangido, a metodologia de cálculo e a natureza dos fluxos contabilizados antes de estabelecer comparações directas.

O comércio bilateral permanece uma componente central da relação económica, num contexto em que Angola procura ampliar a produção interna e reduzir a dependência de receitas concentradas num número limitado de actividades.

7. Burocracia e desafios ao ambiente de investimento

Apesar da expansão das relações económicas, persistem obstáculos de natureza burocrática e institucional.

Em Junho de 2026, a Câmara de Comércio Angola-China alertou para dificuldades que, na sua avaliação, podem comprometer a concretização de investimentos no país. O seu presidente, Luís Cupenala, manifestou preocupação com procedimentos e actuações de determinadas entidades que, segundo afirmou, podem inviabilizar projectos.

Estas declarações evidenciam a importância de procedimentos administrativos claros, maior previsibilidade institucional e mecanismos eficazes de resolução de conflitos entre investidores e entidades públicas.

A consolidação do investimento estrangeiro exige, simultaneamente, segurança jurídica, cumprimento da legislação nacional, transparência contratual e condições que permitam avaliar os benefícios económicos e sociais de cada projecto.

NOTA CONCLUSIVA

O investimento chinês continua a ocupar um lugar relevante na economia angolana, com uma presença empresarial crescente e iniciativas que abrangem infra-estruturas, indústria, logística e outros sectores produtivos.

A ampliação da cooperação para áreas não petrolíferas poderá contribuir para a diversificação económica, desde que os projectos anunciados se traduzam em produção efectiva, emprego, transferência de tecnologia e maior participação de empresas nacionais.

Ao mesmo tempo, a transparência dos indicadores, a previsibilidade institucional e a redução de entraves administrativos permanecem elementos importantes para a sustentabilidade das relações de investimento entre Angola e a China.

REDE INTERNACIONAL | Mercados — Vanguarda

Alinhamento Editorial: Daltron Costa | PRESSdigi.ao | Kikalakalu Kia Díbya

CRÉDITOS

Fonte principal: Mercados — Vanguarda, com referência a dados e informações atribuídos ao Jornal de Angola, à Câmara de Comércio Angola-China (CAC), à Embaixada da China em Angola e à AIPEX.
Rede: Internacional
Alinhamento Editorial: Daltron Costa | PRESSdigi.ao | Kikalakalu Kia Díbya
Edição: PRESSdigi.ao

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