Museu Nacional da Escravatura estreia festival dedicado à memória do tráfico transatlântico

“Na Rota do Escravo” cruza património, investigação e expressão artística para aproximar novas gerações da história e da identidade africana
LUANDA, 28 DE AGOSTO DE 2026 — O Museu Nacional da Escravatura realizou, esta sexta-feira, a primeira edição do Festival “Na Rota do Escravo”, iniciativa dedicada à preservação da memória histórica do tráfico transatlântico de escravizados e dos processos de abolição.
A actividade enquadrou-se nas celebrações do Dia Internacional de Memória do Tráfico Transatlântico de Escravizados e de sua Abolição, assinalado anualmente a 23 de Agosto, reunindo investigadores, estudantes, representantes de instituições, convidados e agentes ligados à preservação do património cultural.
MEMÓRIA HISTÓRICA COMO INSTRUMENTO DE EDUCAÇÃO
O festival procurou transformar o espaço museológico num lugar de encontro entre história, investigação, cultura e educação, permitindo uma abordagem multidisciplinar sobre um dos períodos mais marcantes da história de Angola e das relações entre África, Europa e as Américas.
A programação contemplou visitas às exposições do Museu Nacional da Escravatura e momentos de reflexão através de diferentes linguagens artísticas.
MÚSICA, POESIA E TEATRO REVISITAM O PASSADO
A componente cultural incluiu apresentações de música, poesia e teatro, com abordagens relacionadas com episódios do período colonial.
A utilização destas linguagens procurou aproximar a memória histórica de diferentes públicos, sobretudo das novas gerações, através de formas contemporâneas de interpretação e transmissão do conhecimento.
O festival demonstra, assim, como os museus podem ultrapassar a função tradicional de conservação de objectos e documentos, assumindo-se também como espaços de diálogo e produção cultural.
NOMES AFRICANOS COMO GESTO DE IDENTIDADE
Um dos momentos de maior dimensão simbólica foi o registo e adopção de nomes africanos pelos participantes.
A iniciativa associou a memória histórica à valorização da identidade cultural, criando uma oportunidade para reflectir sobre nomes, pertença, ancestralidade e os processos históricos que afectaram as identidades africanas durante os períodos de escravização e colonização.
O gesto reforçou uma das dimensões centrais do festival: recuperar elementos de identidade como parte do processo de preservação da memória colectiva.
RECONHECIMENTO A PARCEIROS E COLABORADORES
A programação incluiu igualmente a entrega de certificados a parceiros e colaboradores que contribuíram para as actividades desenvolvidas pelo Museu ao longo do ano.
O reconhecimento procurou valorizar o trabalho de instituições e pessoas envolvidas na dinamização do espaço museológico e na realização das suas iniciativas culturais e educativas.
COOPERAÇÃO INTERNACIONAL PRESENTE
O festival contou com a presença da Embaixadora dos Países Baixos em Angola, Henny Fokel de Vries, entre outras individualidades.
A participação de representantes diplomáticos e institucionais acrescentou ao encontro uma dimensão de cooperação internacional em torno da preservação da memória relacionada com o tráfico transatlântico de escravizados.
MUSEUS E TURISMO CULTURAL
Em representação do ministro da Cultura, Filipe Silvino de Pina Zau, o director nacional dos Museus, Sidónio Domingos, manifestou satisfação pela realização da iniciativa.
O responsável destacou a importância de aproximar os museus do sector do turismo, numa perspectiva de valorização do património cultural nacional.
Esta ligação entre património e turismo cultural poderá contribuir para ampliar a visibilidade dos museus angolanos e transformar espaços históricos em pontos de conhecimento, visitação e intercâmbio cultural.
FESTIVAL TERÁ CONTINUIDADE ANUAL
A primeira edição do “Na Rota do Escravo” deverá dar lugar a uma programação anual.
A continuidade do festival pretende contribuir para a preservação e transmissão da memória histórica às novas gerações, criando um espaço regular de reflexão sobre o tráfico transatlântico de escravizados, a escravatura, a abolição e os seus impactos históricos e contemporâneos.
LEITURA PRESSDIGI | DA MEMÓRIA À RECONEXÃO
Na perspectiva editorial do PRESSdigi, a criação do Festival “Na Rota do Escravo” representa uma oportunidade para reposicionar a memória histórica como instrumento de educação, identidade, turismo cultural e reconexão entre povos.
O Museu Nacional da Escravatura possui uma importância particular neste processo, por estar associado a um dos lugares de memória que permitem compreender a dimensão histórica de Angola nas rotas do tráfico transatlântico.
A inclusão de música, poesia, teatro e da adopção simbólica de nomes africanos amplia o debate para além da exposição museológica, aproximando a história das experiências culturais e identitárias contemporâneas.
Para o PRESSdigi, a preservação desta memória deve igualmente estimular novas pesquisas, intercâmbios com a diáspora africana e cooperação com instituições dos países ligados historicamente às rotas atlânticas.
Conhecer a rota é compreender a ruptura. Preservar a memória é abrir caminho para a reconexão.
FICHA | FESTIVAL “NA ROTA DO ESCRAVO”
Evento: 1.ª edição do Festival “Na Rota do Escravo”
Local: Museu Nacional da Escravatura
Data: 28 de Agosto de 2026
Enquadramento: Dia Internacional de Memória do Tráfico Transatlântico de Escravizados e de sua Abolição
Realização: Museu Nacional da Escravatura / Ministério da Cultura
Periodicidade: Anual
Eixos: Memória histórica, património, identidade, museologia, educação, cultura e turismo
FONTE E ENQUADRAMENTO EDITORIAL
Fonte principal: REDE NACIONAL | Ministério da Cultura de Angola — MINCULT
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao
Classe / Tema: CULTURA | MEMÓRIA | PATRIMÓNIO | MUSEOLOGIA | IDENTIDADE | TURISMO CULTURAL | HISTÓRIA






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