No anfiteatro Wiza, na Fundação Arte e Cultura, poesia, música e performance encontraram-se numa noite dedicada à obra de Simão Tchilingutila, autor de “Inventários para Não se Desancriançar”.
UMA NOITE ENTRE POESIA, MÚSICA E EMOÇÃO
Eram aproximadamente 19h30 quando o anfiteatro Wiza, palco de cultura da Fundação Arte e Cultura, se transformou num espaço de encontro entre poetas, músicos, intérpretes, amantes da literatura e diferentes públicos ligados à criação artística.
A noite de 30 de Setembro ficou marcada por sucessivas entoações, canções, declamações e momentos de interpretação que ocuparam o palco e se estenderam pela plateia, criando uma atmosfera de proximidade entre artistas e espectadores.
Entre palavras, silêncios, vozes e melodias, a poesia assumiu diferentes formas de expressão, revelando a capacidade das artes performativas de aproximar a literatura do público através da presença, da voz e do corpo.
SIMÃO TCHILINGUTILA EM DESTAQUE
O escritor, poeta e artista literário Simão Tchilingutila foi o autor homenageado desta edição da Noite de Poesia.
A abertura oficial, ficou a cargo do Vice-Director Xavier, o momento proporcionou também uma observação mais próxima da performance apresentada pelo autor, cuja participação se destacou pela simplicidade e pela forma como conduziu o público pela sua sensibilidade artística.
Tchilingutila não se limitou a apresentar a sua obra. A sua intervenção assumiu igualmente uma dimensão de partilha, permitindo ao público conhecer melhor as motivações, experiências e referências que atravessam a sua escrita.
“INVENTÁRIOS PARA NÃO SE DESANCRIANÇAR” E A TRILOGIA DAS IDADES
Um dos momentos de maior interesse da noite esteve relacionado com a apresentação da obra “Inventários para Não se Desancriançar”, livro que, segundo o próprio autor, constitui o primeiro volume de uma trilogia intitulada “Idades do Tempo”.
A proposta literária está estruturada a partir de diferentes períodos da experiência humana. O primeiro volume estabelece uma relação com os textos ligados à infância, enquanto os dois livros seguintes deverão avançar cronologicamente para a juventude e, posteriormente, para as vivências da idade adulta.
Durante a sessão, o autor anunciou igualmente a preparação dos dois volumes seguintes, ampliando um projecto literário que procura acompanhar diferentes momentos da construção da experiência e da memória.
QUANDO A PLATEIA TAMBÉM SOBE AO PALCO DA CONTINUÍDADE…
A dinâmica da noite não ficou limitada ao autor homenageado que se viu comovido, ao ver sua obra a merecer especial atenção do grupo infanto-juvenil da fundação, que interpretará, sob a instrução da professora Rosa. Estes petizes, mostraram-se grandes na destemida apresentação com excelentes declamações provocando comoções ao evento. Bem haja a Fundação Arte e Cultura, verdadeiro, modelo celeiro de cultura e arte em Angola que reiteradamente, produz e promove permanentes trocas geracionais para garantir fluxo e continuidade.
Em continuidade, Ismael Tchipululu, Joarte, Aoliabe, Noêmia Angel, Santa Perpétua, Ndira Sousa, Gramana Clemente, Luny Poetisa, Francisco Vidal e o Poeta Gago protagonizaram diferentes intervenções, num movimento artístico que levou a poesia para além da configuração tradicional do palco.
A poesia foi declamada, entoada, representada, cantada e interpretada através de diferentes linguagens. A música acompanhou o percurso da noite e contribuiu para uma experiência artística marcada pela diversidade de vozes e expressões.
POESIA COMO PERFORMANCE E ENCONTRO
A experiência proporcionada pela sessão demonstrou como a poesia pode ultrapassar a leitura individual e ganhar novas dimensões quando colocada em diálogo com a música, a representação e a performance.
Palco e plateia tornaram-se, por momentos, partes de uma mesma composição artística. O público deixou de ocupar apenas o lugar de espectador para acompanhar de forma mais próxima a construção dos diferentes momentos performativos.
Esta aproximação entre literatura e outras linguagens artísticas constitui uma das características que têm marcado o projecto Noite de Poesia.
ENTRE O SACERDÓCIO E A CRIAÇÃO LITERÁRIA
Um dos aspectos que despertou particular curiosidade durante a sessão foi a dimensão pessoal e profissional de Simão Tchilingutila.
Além de escritor e artista literário, o autor exerce o sacerdócio, uma realidade que suscitou questões sobre a relação entre a sua actividade religiosa e a criação artística.
Na conversa com o público, Tchilingutila apresentou uma abordagem esclarecedora sobre as duas dimensões da sua vida, distinguindo os respectivos papéis sem estabelecer entre eles uma relação de concorrência.
O momento permitiu conhecer uma dimensão menos evidente do autor e compreender como diferentes experiências podem coexistir no percurso de uma mesma pessoa, sem que uma necessariamente anule a outra.
BIÉ E A FORÇA DA CRIAÇÃO CULTURAL
O percurso apresentado por Simão Tchilingutila trouxe igualmente para o centro da conversa a sua ligação ao Bié, província que surge como uma referência importante na sua trajectória pessoal e artística.
A presença de um criador proveniente do interior do país reforçou uma leitura mais ampla sobre a produção cultural angolana, evidenciando a existência de diferentes territórios de criação, memória e expressão literária para além dos grandes centros urbanos.
Neste sentido, a Noite de Poesia funcionou também como espaço de circulação de experiências e de valorização da diversidade cultural angolana.
FUNDAÇÃO ARTE E CULTURA MANTÉM ESPAÇO DE ENCONTRO LITERÁRIO
A Noite de Poesia é um projecto cultural da Fundação Arte e Cultura, na Ilha de Luanda, concebido como espaço de homenagem e valorização de escritores, poetas e criadores ligados à literatura e à cultura angolana.
O programa realiza-se tradicionalmente na última quarta-feira de cada mês e combina conversas com autores homenageados, declamação de poesia, participação de recitadores convidados e momentos musicais ao vivo.
A sessão de 30 de Setembro de 2026 foi dedicada a Simão Tchilingutila, reunindo diferentes intervenientes num encontro marcado pela palavra, pela música e pela performance.
A participação do público é, em regra, gratuita, estando a disponibilidade de lugares condicionada à capacidade do espaço e às modalidades de reserva definidas para cada edição.
NOTA CONCLUSIVA
A edição de Setembro da Noite de Poesia colocou Simão Tchilingutila e a sua obra no centro de uma noite em que literatura, música e artes performativas se cruzaram no anfiteatro Wiza.
Mais do que uma sessão de declamação, o encontro apresentou diferentes formas de viver e interpretar a poesia, aproximando autores, intérpretes e público e abrindo espaço para o diálogo sobre literatura, identidade, memória, percurso pessoal e criação artística.
Com “Inventários para Não se Desancriançar”, primeiro volume da trilogia “Idades do Tempo”, Tchilingutila apresentou igualmente uma proposta literária que deverá prosseguir com dois novos volumes dedicados a diferentes fases da experiência humana.
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Alinhamento Editorial: Daltron Costa | PRESSdigi.ao | Kikalakalu Kia Díbya
CRÉDITOS
Fonte principal: Fundação Arte e Cultura
Registo e reportagem: PRESSdigi
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Edição: PRESSdigi.ao



































