Recuperação do espaço instalado nos antigos Cines Alfa 1 e 2 marca uma nova etapa para a exibição cinematográfica, a formação de jovens profissionais e a preservação da memória audiovisual angolana.
Recuperação de um espaço de referência cultural
A Cinemateca Nacional reabriu oficialmente ao público na segunda-feira, 26 de Outubro, em Luanda, após oito anos sem actividade, recuperando um espaço dedicado à promoção, divulgação e valorização do cinema angolano.
Instalada no edifício dos antigos Cines Alfa 1 e 2, a instituição foi reaberta pelo Ministério da Cultura, no âmbito dos esforços de recuperação das infra-estruturas culturais e de reforço das condições de acesso à produção cinematográfica nacional.
A retoma das actividades representa uma oportunidade para revitalizar a exibição de filmes, estimular o interesse das novas gerações pela sétima arte e fortalecer os espaços de encontro entre criadores, profissionais do sector e público.
Cinema angolano em destaque na reabertura
A cerimónia inaugural contou com um programa que combinou momentos institucionais, apresentação do processo de reconversão do edifício e exibição de uma obra cinematográfica nacional.
Após o corte da fita, os convidados participaram numa visita guiada às instalações e assistiram à apresentação de um vídeo sobre os trabalhos de recuperação e reconversão do espaço.
O programa incluiu a exibição do filme angolano Meu Semba, realizado por Hugo Salvaterra e produzido pela Geração 80, colocando a produção nacional no centro da celebração.
A componente artística foi complementada pelas actuações musicais de Ndaka Yo Wini, Edna Mateia e Carlos Lopes, numa programação que aproximou o cinema de outras expressões da cultura angolana.
Formação, criação artística e memória audiovisual
Ao declarar oficialmente reaberta a instituição, o ministro da Cultura, Filipe Zau, destacou a importância da Cinemateca Nacional para a formação de jovens profissionais, a promoção das diferentes expressões artísticas e a preservação da memória do cinema angolano.
A instituição poderá desempenhar um papel relevante na valorização do património audiovisual, na circulação de obras nacionais e na criação de oportunidades de aprendizagem para jovens interessados nas áreas da realização, produção, interpretação, investigação e outras especialidades cinematográficas.
A preservação da memória audiovisual assume igualmente importância para a documentação da história social e cultural do país, permitindo que filmes e outros registos sejam valorizados como testemunhos de diferentes épocas, experiências e identidades.
Para concretizar esse potencial, será importante assegurar uma programação regular, condições técnicas adequadas, actividades de formação e mecanismos de conservação e acesso ao acervo cinematográfico.
Presença institucional e mobilização do sector cultural
O acto reuniu responsáveis do Ministério da Cultura, representantes de instituições ligadas às indústrias culturais e criativas, cineastas, profissionais do sector e outros convidados.
Entre os presentes esteve Asdrúbal Rebelo, director da Agência Nacional das Indústrias Culturais e Criativas (ANICC), cuja participação se insere no contexto de articulação institucional em torno da valorização das actividades culturais e criativas.
A reabertura da Cinemateca Nacional constitui também uma oportunidade para reforçar a colaboração entre instituições públicas, produtores independentes, realizadores, técnicos e demais agentes da cadeia de produção audiovisual.
A dinamização deste ecossistema depende não apenas da recuperação física das infra-estruturas, mas também da criação de condições para produzir, exibir, preservar e fazer circular obras cinematográficas angolanas.
Recuperação de infra-estruturas e desenvolvimento cultural
A iniciativa integra os esforços do Ministério da Cultura para recuperar equipamentos culturais e melhorar as condições de exibição cinematográfica e de desenvolvimento das artes performáticas.
A reactivação de espaços desta natureza pode contribuir para ampliar a oferta cultural em Luanda, estimular a participação do público e criar novas oportunidades para os profissionais do sector.
O desafio passa agora por transformar a reabertura num processo sustentável, com actividades contínuas, acesso público, envolvimento das comunidades artísticas e valorização do património audiovisual nacional.
Nota conclusiva
A reabertura da Cinemateca Nacional, após oito anos, representa um momento relevante para o panorama cultural angolano e para a recuperação de um espaço dedicado à sétima arte.
A cerimónia, marcada pela exibição do filme Meu Semba e por actuações musicais, assinalou o regresso de uma infra-estrutura com potencial para apoiar a formação, a criação artística e a preservação da memória cinematográfica do país.
A consolidação deste novo ciclo dependerá da continuidade da programação, da conservação do património audiovisual e da capacidade de aproximar a instituição dos cineastas, dos jovens profissionais e do público. Mais do que reabrir um edifício, importa devolver à Cinemateca Nacional uma presença activa na vida cultural e na história do cinema angolano.
Reportagem PRESSdigi | Ministério da Cultura (MINCULT)
Fonte principal: Ministério da Cultura (MINCULT) — informação institucional sobre a reabertura da Cinemateca Nacional.
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