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PHATHAR MAK CELEBRA 35 ANOS DE RAP E REAFIRMA A ARTE COMO COMPROMISSO SOCIAL

Redação Digipress
Redação Digipress
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PHATHAR MAK CELEBRA 35 ANOS DE RAP E REAFIRMA A ARTE COMO COMPROMISSO SOCIAL
A celebração dos 35 anos de Phathar Mak deixa uma mensagem que ultrapassa o espectáculo.

CLASSE | CULTURA & MÚSICA | HIP HOP, MEMÓRIA & RESPONSABILIDADE SOCIAL

REDE NACIONAL | Jornal de Angola | PressReader
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao

“Grande Dia” transforma concerto em manifesto cultural

Durante mais de duas horas de espectáculo, entre a noite de sábado e a madrugada de domingo, Phathar Mak transformou a celebração dos seus 35 anos de carreira artística num encontro entre memória, música e responsabilidade social.

O concerto, apresentado como o “Grande Dia”, percorreu diferentes momentos da trajectória do rapper e reafirmou o rap enquanto linguagem artística capaz de traduzir experiências, provocar reflexão e participar na transformação das comunidades.

Mais do que uma retrospectiva musical, a noite funcionou como uma celebração da cultura hip hop e das pessoas que ajudaram a construir o percurso do artista dentro do universo musical angolano.

Três décadas e meia de compromisso

Phathar Mak aproveitou o palco para reconhecer artistas, produtores, familiares e amigos que contribuíram para a sua permanência e evolução no rap e noutras tendências musicais.

A sua trajectória demonstra também a capacidade do hip hop de dialogar com diferentes géneros e gerações, sem perder a sua dimensão de intervenção, identidade e compromisso com a sociedade.

Ao longo da carreira, o artista consolidou uma linguagem própria, assente na palavra, na experiência e na observação da realidade.

Banda Mak1ge conduz viagem musical

A sustentação instrumental do concerto esteve a cargo da Banda Mak1ge, sob direcção artística de Roland, nos teclados e voz.

A formação contou com Hugo, no baixo; Kiesse, na guitarra; Ti Chick, na bateria; Albert, nos coros; e o experiente percussionista Dalú Roger.

O espectáculo contou ainda com intervenções do DJ Barão, Coral Ocisungo e Orquestra Langidila, contribuindo para novos arranjos e diferentes possibilidades sonoras.

A direcção artística esteve a cargo da D’Outros Tipos e ODP Eventos, que ajudaram a construir uma proposta musical que ultrapassou os limites convencionais do rap.

Kool Klever e a memória do hip hop

Entre os convidados, Kool Klever, reconhecido como uma das referências históricas do rap angolano, foi o primeiro artista a partilhar o palco com o anfitrião.

O encontro entre os dois rappers serviu para celebrar a amizade, recordar dificuldades enfrentadas ao longo dos anos e reconhecer conquistas alcançadas através do hip hop.

Kool Klever apresentou também “Black Woman”, um dos temas marcantes do seu repertório, antes de receber um diploma de reconhecimento entregue por Phathar Mak.

Tito Paris leva a morna ao universo do rap

A presença de Tito Paris acrescentou uma dimensão particular ao espectáculo.

O músico cabo-verdiano, referência da morna e da música de expressão crioula, estabeleceu um diálogo musical com Phathar Mak através de “Qual é a Ideia”.

Depois do dueto, Tito Paris interpretou “Padoce de Céu Azul”, acompanhado pelo saxofonista Sanguito, encerrando a sua participação com “Dança Ma Mi Criolo”.

O momento reforçou uma das características centrais da noite: a capacidade do rap de dialogar com outras tradições musicais africanas e atlânticas.

Donnakelly regressa e recupera memória do rap feminino

Uma das surpresas do concerto foi o regresso aos palcos de Donnakelly, apontada como uma das pioneiras do rap feminino em Angola.

A artista partilhou o palco com Phathar Mak, com quem protagonizou um dueto no segmento “Em Três Actos”.

O momento serviu também para recordar “Bela Queta”, produção associada a Tito Olívio, que igualmente recebeu um diploma de reconhecimento pela contribuição para o rap.

A participação de Donnakelly trouxe ao espectáculo a memória da presença feminina na construção da cultura hip hop angolana.

Jay Lourenzo, Yola Semedo e Jeff Brown ampliam a sonoridade

A fusão entre rap, soul e outras vertentes da música negra esteve representada pela participação de Jay Lourenzo, numa demonstração da abertura de Phathar Mak a diferentes linguagens musicais.

Também Yola Semedo, nome consagrado da kizomba e do semba, participou no espectáculo, revelando a sua aproximação ao rap através de um dueto com o anfitrião e encerrando a intervenção com “Ingrata”.

Outro momento de partilha foi protagonizado por Jeff Brown, que apresentou duas dimensões da sua carreira: a memória dos SSP, através de mensagens motivacionais, e a combinação entre gospel e ritmos nacionais.

O artista aproveitou a ocasião para agradecer a Phathar Mak pelo apoio recebido na sua inserção no circuito da música angolana, depois de duas décadas vividas na Alemanha.

“Laranjas”, “Respeito” e “Grande Dia”

O alinhamento percorreu diferentes fases da carreira do artista, incluindo temas como “Laranjas”, “Respeito”, “Me Desculpem”, “Prova dos 9”, “Depois dos 43 Anos”, “Meu Rei” e “Abram Alas”.

A parte final ficou reservada para “Grande Dia” e “Amizade Acima de Tudo”, duas escolhas que sintetizaram o espírito da celebração.

A amizade, a perseverança, a memória e a responsabilidade social apareceram como elementos recorrentes de uma noite concebida não apenas para celebrar uma carreira, mas também para reconhecer uma comunidade artística.

Phathar Mak: uma referência do rap angolano

António Alfredo Simão Macunje, artisticamente conhecido como Phathar Mak, é uma das referências da história do rap angolano.

O seu percurso está ligado às primeiras fases de consolidação da cultura hip hop no país, tendo construído uma carreira marcada pela produção musical, colaboração artística e intervenção cultural.

Em 2025, a sua trajectória recebeu reconhecimento institucional ao ser condecorado pelo Presidente da República, no âmbito das celebrações dos 50 anos da Independência de Angola.

A distinção acrescentou uma dimensão oficial a uma carreira construída ao longo de décadas, mas o “Grande Dia” mostrou que o reconhecimento de um artista também se constrói através da memória daqueles que partilharam consigo os palcos, as dificuldades, as conquistas e os sonhos.

A arte como lugar de transformação

A celebração dos 35 anos de Phathar Mak deixa uma mensagem que ultrapassa o espectáculo.

O rap continua a funcionar como espaço de expressão, denúncia, educação, identidade e construção de comunidade. Ao reunir veteranos, artistas consagrados e novas gerações, o concerto demonstrou que a cultura hip hop permanece capaz de estabelecer pontes entre diferentes linguagens e experiências.

No olhar editorial do PRESSdigi, a longevidade de Phathar Mak representa também um património cultural vivo: uma trajectória que ajuda a compreender a evolução da música urbana angolana e o papel das artes na formação de consciência social.

Trinta e cinco anos depois, o compromisso permanece: transformar a palavra em ritmo, o ritmo em memória e a arte em instrumento de vida.


FONTE PRINCIPAL: REDE NACIONAL | Jornal de Angola | PressReader
ALINHAMENTO EDITORIAL: PRESSdigi.ao
CLASSE/TEMA: Cultura & Música | Hip Hop | Rap Angolano | Memória Cultural | Responsabilidade Social | Indústrias Criativas

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