Prêmio Penha Guimarães celebra protagonismo negro e reforça luta pela igualdade racial em São Paulo

Quinta edição da iniciativa do SASP homenageia personalidades e organizações dedicadas à justiça social, cultura afro-brasileira e enfrentamento ao racismo
São Paulo, Brasil – A defesa dos direitos humanos, o combate ao racismo estrutural e a valorização do protagonismo negro marcaram a 5.ª edição do Prêmio Penha Guimarães – Em Defesa da Igualdade Racial, realizada no dia 7 de Agosto de 2026, no Auditório Prestes Maia, na Câmara Municipal de São Paulo.
Promovida pelo Sindicato das Advogadas e Advogados de São Paulo (SASP), a cerimónia reuniu profissionais da advocacia, activistas, autoridades e representantes de movimentos sociais para reconhecer trajectórias e iniciativas ligadas à promoção da igualdade racial e da justiça social.
Segundo o SASP, a premiação mantém viva a memória da Dra. Maria da Penha Santos Lopes Guimarães, antiga dirigente da entidade e referência na defesa da advocacia e dos direitos da população negra.
Quatro homenagens, diferentes frentes de transformação
A edição de 2026 distinguiu quatro personalidades e iniciativas que actuam em diferentes áreas do combate às desigualdades e da valorização da cultura negra:
José Adão de Oliveira, educador social, escritor e activista do Movimento Negro, foi reconhecido pelo trabalho desenvolvido na formação de jovens e na promoção da educação antirracista.
Maria Aparecida da Silva Bento (Cida Bento), doutora em Psicologia pela Universidade de São Paulo e cofundadora do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT), recebeu a homenagem pelo seu percurso de investigação e intervenção nas áreas da diversidade, relações de trabalho e desigualdades raciais.
Bloco Afro Ilú Obá De Min, associação cultural sem fins lucrativos de São Paulo, foi distinguido pelo trabalho de valorização das culturas de matriz africana e afro-brasileira e pelo protagonismo das mulheres negras.
A Semana Tereza de Benguela da Baixada Santista, iniciativa regional dedicada à valorização da cultura, protagonismo e direitos das mulheres negras, completou o grupo de homenageados.
Advocacia antirracista entra no centro do debate
A cerimónia colocou também em evidência o papel da advocacia na construção de mecanismos de combate à discriminação racial e na defesa das garantias constitucionais.
As intervenções dos homenageados convergiram na necessidade de ampliar a presença da população negra nos espaços de decisão e de enfrentar estruturas institucionais que reproduzem desigualdades.
A dimensão jurídica da iniciativa ganha particular significado por ser promovida por uma organização representativa da advocacia, aproximando o debate racial do campo da justiça, dos direitos humanos e da cidadania.
Cida Bento reforça debate sobre estruturas de desigualdade
A presença de Cida Bento acrescentou ao encontro uma dimensão académica e institucional ao debate sobre racismo e relações de poder.
Investigadora de referência nos estudos sobre diversidade e desigualdades, Cida Bento é autora de O Pacto da Branquitude, obra que aborda a reprodução de privilégios e desigualdades nas organizações e instituições. O seu percurso integra igualmente a criação do CEERT e actividades ligadas à promoção da equidade racial.
Cultura afro-brasileira como instrumento de memória
A distinção ao Ilú Obá De Min evidencia, por outro lado, a cultura como ferramenta de preservação da memória, afirmação identitária e transformação social.
O colectivo paulistano desenvolve actividades nas áreas da educação, cultura e arte negra, tendo como referências as culturas de matriz africana e afro-brasileira e o protagonismo das mulheres negras.
A presença do bloco entre os homenageados amplia o alcance do prémio para além do campo jurídico, reconhecendo a arte e a cultura como espaços de resistência, educação e construção de cidadania.
Tereza de Benguela projecta a luta das mulheres negras
A homenagem à Semana Tereza de Benguela da Baixada Santista reforça a importância da descentralização das iniciativas de promoção da igualdade racial.
O projecto utiliza a memória de Tereza de Benguela como referência para dar visibilidade às mulheres negras da região e fortalecer redes comunitárias e políticas voltadas para os seus direitos.
A iniciativa associa memória histórica, participação comunitária e mobilização social, demonstrando como referências ancestrais podem inspirar agendas contemporâneas de cidadania.
Memória que se transforma em compromisso
O Prémio Penha Guimarães mantém como eixo central a memória de uma mulher que marcou a advocacia e a luta pela igualdade racial em São Paulo.
Ao reconhecer educadores, investigadores, organizações culturais e iniciativas comunitárias, a quinta edição amplia o significado da homenagem e transforma memória em compromisso público com a construção de uma sociedade mais justa.
A iniciativa reafirma ainda a importância de aproximar direito, educação, cultura e mobilização social na luta contra o racismo e na promoção da igualdade.
São Paulo reafirma agenda de cidadania e igualdade racial
Realizada no parlamento municipal paulistano, a cerimónia representou um momento de reconhecimento público de trajectórias dedicadas à transformação social.
Para o movimento da advocacia antirracista, o desafio permanece em ocupar espaços de decisão, fortalecer mecanismos de protecção de direitos e garantir que a igualdade racial se traduza em práticas institucionais e oportunidades concretas.
A quinta edição do Prémio Penha Guimarães encerra, assim, com uma mensagem que ultrapassa a solenidade da homenagem: preservar a memória de quem abriu caminhos implica continuar a construir novos caminhos para as gerações seguintes.
Fonte: REDE INTERNACIONAL | Gazeta Paulista – Correspondente Oficial PRESSdigi






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