Balanço provisório da campanha agrícola 2025/2026 aponta para um aumento da produção nacional, impulsionado pelas raízes, tubérculos e frutas. Executivo prevê manter o apoio aos produtores na nova campanha para reforçar a segurança alimentar.
Crescimento da produção e desempenho da campanha agrícola
A produção agrícola em Angola registou um crescimento global de 7,1% durante a campanha 2025/2026, atingindo cerca de 33 milhões de toneladas, segundo dados provisórios apresentados pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano.
Os números foram divulgados no sábado, durante a cerimónia de abertura do Ano Agrícola 2026/2027, realizada na comuna da Mongua, município do Cuanhama, província do Cunene.
Na ocasião, o governante considerou que os resultados representam o melhor registo alcançado pelo país até ao momento, com particular destaque para as culturas destinadas ao consumo interno.
O desempenho reflecte a importância da produção nacional no abastecimento alimentar e na dinamização da economia rural, embora a consolidação dos resultados dependa da confirmação dos dados provisórios e da evolução da próxima campanha.
Raízes e tubérculos lideram o crescimento
Entre os segmentos com maior evolução destacam-se as raízes e os tubérculos, cuja produção aumentou 9,1%, alcançando 17,6 milhões de toneladas.
A mandioca assumiu uma posição predominante neste grupo, com cerca de 14,5 milhões de toneladas, reforçando o seu papel na alimentação das famílias e no abastecimento dos mercados nacionais.
Estes resultados evidenciam a relevância das culturas alimentares tradicionais para a segurança alimentar, sobretudo num contexto em que o aumento da produção interna constitui uma prioridade para reduzir vulnerabilidades no acesso aos alimentos.
Fruticultura ganha expressão na produção nacional
A fileira das frutas também apresentou um desempenho positivo, com um crescimento aproximado de 7,7%, atingindo 7,8 milhões de toneladas.
Segundo os dados apresentados, a evolução foi impulsionada sobretudo pela banana, manga e ananás, culturas com potencial para abastecer o mercado interno e criar oportunidades de transformação agro-industrial.
O reforço deste segmento poderá contribuir para diversificar a produção agrícola, ampliar as fontes de rendimento dos produtores e estimular actividades complementares, como o transporte, a conservação, o processamento e a comercialização.
Para consolidar estes ganhos, será importante melhorar as condições de armazenamento, a logística de distribuição e a ligação entre os produtores e os mercados consumidores.
Redução das importações alimentares
José de Lima Massano destacou igualmente a diminuição das importações de bens alimentares, que recuaram 31,1% entre 2017 e 2025.
De acordo com o governante, esta evolução reflecte o crescimento da produção nacional e a presença cada vez maior de produtos angolanos nos mercados.
A redução das importações poderá contribuir para diminuir a exposição do país às oscilações dos preços internacionais e reforçar a capacidade de abastecimento interno. Contudo, a sustentabilidade desta tendência dependerá da continuidade da produção nacional, da competitividade dos produtores e da capacidade de garantir regularidade na oferta.
Agricultura familiar como base da segurança alimentar
O ministro de Estado reconheceu o contributo de mais de três milhões de famílias que, segundo os dados apresentados, asseguram cerca de 80% da produção alimentar do país.
A agricultura familiar permanece, assim, um dos pilares do abastecimento nacional, com impacto directo nos rendimentos das comunidades rurais, na disponibilidade de alimentos e na preservação das actividades produtivas locais.
O reconhecimento deste sector reforça a necessidade de ampliar o acesso dos pequenos produtores à assistência técnica, aos meios de produção, ao financiamento e aos mercados, criando condições para aumentar a produtividade e melhorar os rendimentos familiares.
Nova campanha aposta no apoio aos produtores
Para a campanha agrícola 2026/2027, o Executivo prevê dar continuidade às medidas de apoio aos produtores, com destaque para a assistência técnica, o acesso a fertilizantes, a disponibilização de sementes certificadas e os mecanismos de financiamento.
Estas medidas destinam-se a melhorar as condições de produção e a apoiar os agricultores na preparação e execução das actividades da nova campanha.
A eficácia do apoio dependerá da sua distribuição atempada, da adequação às necessidades das diferentes regiões agrícolas e da capacidade de chegar tanto aos produtores comerciais como às famílias que asseguram uma parte significativa da produção alimentar.
Nota conclusiva
O crescimento provisório de 7,1% na produção agrícola, correspondente a cerca de 33 milhões de toneladas, constitui um indicador positivo para o sector agrícola angolano. Os resultados das raízes, dos tubérculos e das frutas demonstram a importância das culturas destinadas ao consumo interno, enquanto a redução das importações alimentares aponta para progressos no reforço da produção nacional.
O desafio para a campanha 2026/2027 será transformar estes resultados em ganhos sustentáveis, através do apoio efectivo aos produtores, da melhoria das infra-estruturas, do acesso aos mercados e do fortalecimento da agricultura familiar. A consolidação destes factores será determinante para ampliar a segurança alimentar e nutricional e dinamizar a economia rural.
Fonte principal: Gira Notícias | Rede Girassol.
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