CLASSE | TECNOLOGIA, INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL & INDÚSTRIAS CRIATIVAS
REDE NACIONAL | Jornal de Angola
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao
Inteligência Artificial redefine produção audiovisual
A rápida expansão das ferramentas de Inteligência Artificial (IA) na produção de conteúdos audiovisuais e no comércio electrónico está a provocar uma profunda transformação na indústria criativa chinesa, com actores e apresentadores virtuais a assumirem funções anteriormente desempenhadas por profissionais humanos.
O fenómeno ganha dimensão num mercado digital que emprega centenas de milhares de pessoas e que, nos últimos anos, se tornou uma importante fonte de oportunidades profissionais ligadas à produção e distribuição de conteúdos através das plataformas digitais.
Explosão das séries de episódios curtos
Dados da Associação Chinesa de Serviços de Difusão pela Internet, citados pela Lusa, indicam que, apenas no primeiro trimestre deste ano, foram lançadas na China cerca de 128 mil séries de episódios curtos destinadas às plataformas digitais.
O número representa mais do triplo das produções realizadas durante todo o ano anterior.
Mais expressivo ainda é o nível de participação da Inteligência Artificial neste processo: segundo a mesma organização, cerca de 95% dessas produções foram geradas através de ferramentas de IA.
A escala evidencia a velocidade com que a tecnologia está a ser incorporada nos processos de criação, produção e distribuição de conteúdos audiovisuais.
Do actor humano ao personagem digital
A evolução dos modelos generativos permite actualmente produzir personagens, cenários, vozes e sequências audiovisuais com níveis de automatização cada vez maiores.
Neste novo cenário, actores, apresentadores, argumentistas, técnicos e outros profissionais da cadeia audiovisual enfrentam uma transformação que pode alterar profundamente a forma como o trabalho criativo é organizado.
A questão deixa de ser apenas tecnológica e passa também a envolver emprego, formação profissional, direitos de autor, remuneração e valorização do trabalho humano.
Modelos de vídeo aceleram a mudança
A transformação ganhou novo impulso com o desenvolvimento de modelos avançados de geração de vídeo, entre os quais o Seedance 2.0, desenvolvido pela ByteDance, empresa proprietária do TikTok e da sua versão chinesa, Douyin.
A capacidade de produzir conteúdos audiovisuais de forma mais rápida e com custos potencialmente inferiores cria novas possibilidades para produtores e plataformas.
Ao mesmo tempo, aumenta o debate sobre os efeitos da automação sobre profissões que dependem tradicionalmente da presença humana diante e atrás das câmaras.
Um alerta para as indústrias criativas
A experiência chinesa funciona como um importante indicador das mudanças que poderão atingir outros mercados audiovisuais.
Durante a última década, a economia associada às plataformas digitais absorveu milhões de trabalhadores na China. A crescente automação coloca agora a questão sobre como esses profissionais poderão adaptar-se a uma realidade em que determinadas tarefas podem ser realizadas por sistemas de Inteligência Artificial.
O desafio poderá passar pela requalificação profissional, pela criação de novas funções ligadas à IA e pela valorização das competências que continuam a depender da criatividade, experiência, interpretação e sensibilidade humanas.
Tecnologia: ameaça ou nova ferramenta?
A Inteligência Artificial não representa necessariamente apenas uma ameaça ao emprego.
Para o sector audiovisual, também pode significar acesso a ferramentas capazes de reduzir custos, acelerar processos de produção e permitir que pequenos criadores desenvolvam projectos que anteriormente exigiam estruturas técnicas e financeiras de maior dimensão.
A questão central será determinar como utilizar a tecnologia sem eliminar o valor do trabalho humano.
Num momento em que a IA passa rapidamente da experimentação para a produção em larga escala, a indústria audiovisual mundial é chamada a encontrar um equilíbrio entre inovação tecnológica, sustentabilidade económica e protecção dos profissionais criativos.
A transformação já começou. A grande discussão agora é saber quem irá beneficiar dela, quem precisará de se adaptar e que lugar continuará reservado ao ser humano na economia criativa do futuro.
FICHA EDITORIAL
Classe: Tecnologia, Inteligência Artificial & Indústrias Criativas
Tema: IA e mercado de trabalho audiovisual
Rede: Nacional
Fonte principal: Jornal de Angola
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao




