Luanda, 8 de Outubro de 2026 — A União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP) assinalou os seus 49 anos de existência, numa celebração dedicada à valorização das artes plásticas, à preservação da memória artística nacional e ao fortalecimento do diálogo entre diferentes gerações de criadores angolanos.
O encontro decorreu na Galeria D’Maio, espaço pertencente à instituição, situada na zona do Largo Rainha Ginga, em Luanda. Para além de assinalar o percurso iniciado em 1977, a ocasião proporcionou um momento de apresentação da nova gestão, partilha de ideias e reflexão sobre os caminhos a seguir pela organização nos próximos quatro anos.
Uma instituição ligada à história da arte angolana
Fundada em 1977, a UNAP tem desempenhado um papel relevante na promoção, valorização e divulgação das artes plásticas em Angola. Ao longo de quase cinco décadas, a instituição tem acompanhado diferentes fases da história nacional, contribuindo para a preservação da memória artística e para a afirmação da identidade cultural angolana.
A celebração dos 49 anos constituiu, assim, uma oportunidade para reconhecer os artistas que, através das suas obras e do seu percurso, ajudaram a construir a história das artes visuais no país, deixando referências importantes para as novas gerações.
Mais do que uma comemoração institucional, a data reforçou a importância de manter vivos os espaços de criação, exposição, diálogo e transmissão de conhecimentos artísticos.
Nova gestão apresenta perspectivas para os próximos quatro anos
O encontro contou com a presença do presidente do Conselho Directivo, Rosário Matias, acompanhado pelo presidente da Assembleia Geral, Albino da Conceição; pelo secretário-geral, mestre Mayembe; pelo presidente do Conselho Fiscal, mestre Pedro Tchivinda; pela directora administrativa, Edna Gombe; e pelo secretário para as Actividades Culturais, Hermenegildo Sebastião, conhecido no meio artístico por Kindala.
Perante os associados e artistas de diferentes áreas disciplinares e gerações, a nova equipa teve a oportunidade de estabelecer um primeiro contacto directo com os membros, partilhando perspectivas de trabalho e criando condições para uma gestão participativa, assente na escuta, na cooperação e na valorização da comunidade artística.
Entre as presenças de referência destacaram-se as de Bastos Galiano e Clara Montueiro, cujos percursos se associam à experiência e à continuidade das artes plásticas angolanas.
Diálogo entre mestres e novas gerações
Um dos aspectos relevantes do encontro foi a disponibilidade manifestada por artistas seniores para continuarem a contribuir para a formação e o crescimento dos criadores mais jovens.
As intervenções e trocas de impressões evidenciaram a importância da transmissão de conhecimentos, da humildade no processo de aprendizagem e do respeito pela experiência acumulada ao longo de décadas de prática artística.
A aproximação entre mestres e novas gerações poderá favorecer o desenvolvimento de projectos conjuntos, a partilha de técnicas e experiências e a criação de oportunidades para que diferentes linguagens artísticas dialoguem entre si.
Neste contexto, a renovação da arte angolana não deverá significar o afastamento da sua memória, mas antes a construção de uma continuidade criativa que reconheça o legado dos mais experientes e incentive a afirmação de novos talentos.
Exposições conjuntas e sustentabilidade dos artistas
Entre as perspectivas apontadas para o novo ciclo de gestão está a realização de mais exposições colectivas, com o propósito de ampliar a visibilidade dos artistas, dinamizar a actividade da instituição e reforçar as possibilidades de sustentabilidade dos seus membros e parceiros.
A concretização destas iniciativas poderá contribuir para uma maior circulação das obras, para a aproximação a novos públicos e para o fortalecimento das relações entre artistas, instituições culturais e potenciais parceiros.
O desafio passa também por transformar o património artístico e a experiência acumulada pela UNAP em oportunidades concretas de produção, divulgação e valorização profissional dos seus associados.
Um caminho rumo ao cinquentenário de 2027
A comemoração terminou num ambiente de confraternização, marcado pelo tradicional momento de apagar as velas e pelo brinde de celebração entre os participantes.
O encontro serviu igualmente para projectar o próximo marco histórico da instituição: o cinquentenário, a assinalar em 2027, correspondente aos 50 anos desde a fundação, em 1977.
A preparação desta data poderá representar uma oportunidade para a UNAP promover uma programação comemorativa de maior alcance, reunir diferentes gerações de artistas, apresentar o percurso da instituição e reforçar a divulgação da arte angolana junto dos públicos nacionais e internacionais.
Nota conclusiva | Da memória à construção de novos horizontes
Os 49 anos da União Nacional dos Artistas Plásticos representam não apenas a celebração de uma trajectória institucional, mas também um convite à reflexão sobre o lugar das artes plásticas no desenvolvimento cultural de Angola.
A continuidade deste legado dependerá da capacidade de aproximar gerações, estimular a criação, garantir oportunidades de exposição, fortalecer parcerias e promover condições mais sustentáveis para os artistas.
Na perspectiva do cinquentenário, a UNAP tem diante de si a oportunidade de transformar a experiência acumulada desde 1977 numa plataforma renovada de diálogo, produção e valorização artística.
Celebrar a história é, neste sentido, reconhecer aqueles que abriram caminhos e criar condições para que as próximas gerações continuem a desenhar novos horizontes para a arte e a identidade angolana.
Reportagem: Daltron Costa
Alinhamento Editorial: Kikalakalu Kia Díbya
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao
Local: Galeria D’Maio, UNAP — Largo Rainha Ginga, Luanda
Data: 8 de Outubro de 2026
Fonte principal: União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP) e informações recolhidas no âmbito da celebração dos 49 anos da instituição.























