JIDAR 2026 reúne artistas globais e reforça identidade cultural contemporânea em Marrocos

ARTE & CULTURA | ÁFRICA EM FOCO

A capital de Marrocos, Rabat, volta a afirmar-se como epicentro da criatividade urbana africana com a realização da 11ª edição do Festival de Arte de Rua JIDAR, um evento que converte edifícios em verdadeiras telas gigantes e aproxima a arte do quotidiano das comunidades.


Murais que Dialogam com o Mundo

O festival reúne artistas de diferentes geografias, promovendo um intercâmbio cultural marcado por linguagens visuais diversas. Entre os destaques, o equatoriano Oscar Medina apresentou um mural de grande escala com um pássaro colossal segurando o sol e a lua, evocando a relação entre natureza e cosmos.

A sul-africana Keya Tama trouxe uma composição simbólica com um leão envolto em vegetação, acompanhada da inscrição em árabe que remete ao conhecimento como riqueza essencial. Já a artista peruana Jurena Muñoz explorou uma figura mitológica com mensagem voltada à construção do futuro.


Expressões Locais e Identidade Marroquina

Os artistas marroquinos também marcam presença com obras que cruzam tradição e contemporaneidade. Mohamed Roshdi destacou-se com um retrato híbrido de uma mulher segurando peixes, numa fusão entre o humano e o simbólico.

El Mostafa Amziline apostou em elementos naturais ampliados, como laranjas e flores, enquanto o russo Marat Morik prestou homenagem à cultura local ao incorporar padrões de tapetes, portas tradicionais e figuras do quotidiano marroquino.


Arte Urbana como Ferramenta de Comunidade

Para o director artístico do festival, Salaheddine Malouli, o JIDAR tem desempenhado um papel determinante na construção de uma comunidade de arte urbana em Marrocos. A iniciativa tem contribuído para transformar a percepção pública sobre esta forma de expressão, elevando-a ao estatuto de património cultural contemporâneo.

Desde a sua criação, o festival já resultou na produção de mais de 100 murais espalhados pela cidade, consolidando Rabat como uma referência internacional no circuito da arte urbana.


Cultura, Cidade e Participação Social

Ao ocupar o espaço público, o festival promove uma relação directa entre arte e sociedade, democratizando o acesso à criação artística e estimulando o envolvimento das comunidades locais.

O evento, que decorre até 27 de Abril, reafirma o papel da cultura como instrumento de coesão social, educação visual e valorização dos territórios urbanos africanos.


Fonte: África News | Rede Internacional
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