Projecto discográfico une gerações e celebra a memória musical angolana em formato contemporâneo

CULTURA & ARTE | ANGOLA EM FOCO

O Conjunto Angola 70 e o músico Paulo Flores apresentam ao público o álbum Turma da Bênção, um projecto que resgata a essência do semba e promove o diálogo entre diferentes gerações da música angolana. A apresentação ao vivo acontece na Ilha do Cabo, em Luanda, reafirmando o compromisso com a valorização da identidade sonora nacional.


Um Encontro de Gerações no Semba

“Turma da Bênção” nasce do encontro artístico entre o Conjunto Angola 70 e Paulo Flores, reunindo músicos de várias épocas num exercício de memória, continuidade e inovação.

O projecto destaca-se por recriar o ambiente da “roda de semba”, onde tradição e contemporaneidade se cruzam, permitindo a transmissão de saberes e estilos entre mestres, intérpretes e novos talentos.


Clássicos e Novas Leituras

O álbum, lançado em vinil, revisita obras emblemáticas da música angolana, como “Lamento de Duia”, “Rufo da Liberdade” e “Memórias de Gui”, ao mesmo tempo que incorpora temas mais recentes como “Morgadinho”, “Catuta 45”, “Boas Festas” e “Revéillon”, este último distinguido como Semba do Ano nos Angola Music Awards 2020.

A proposta artística equilibra preservação e reinvenção, oferecendo ao público uma experiência sonora que honra o passado e dialoga com o presente.


Produção e Circulação Internacional

Com produção executiva de Otiniel Silva, direcção artística de Paulo Flores e gravação realizada em Lisboa, o projecto ganha dimensão internacional através da distribuição global pela editora Keep On Pushing Records.

Embora concluído em 2019, o lançamento físico surge como resposta à valorização do vinil e ao interesse crescente pela música de raiz, consolidando o álbum como peça de colecção e expressão cultural.


Guardião da Memória Musical

O Conjunto Angola 70, criado em 2011, tem como missão revisitar clássicos da música angolana, inspirando-se na colectânea “Angola Soundtrack – The Unique Sound of Luanda 1968–1976”.

O grupo integra nomes como Joãozinho Morgado, Botto Trindade e Teddy Nsingui, considerados guardiões da tradição, ao lado de músicos de transição e novas gerações, numa construção colectiva que mantém viva a identidade do semba.


Legado, Continuidade e Identidade Cultural

Ao reunir diferentes gerações de artistas, “Turma da Bênção” afirma-se como um marco na preservação e projecção da música angolana. O projecto não apenas celebra o legado dos que partiram, mas também abre caminhos para os novos intérpretes, consolidando o semba como património vivo.


Fonte: Jornal de Angola | Rede Nacional
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao