Escultor angolano reforça presença internacional com obra simbólica oferecida ao Papa
Trajetória de um mestre das artes plásticas
Mayembe, nome artístico de João Domingos Mabuaca, afirma-se como uma das referências incontornáveis das artes visuais angolanas contemporâneas. Natural de Tomboco, província do Zaire, o artista construiu uma carreira marcada pela valorização da identidade cultural e pela preservação do património simbólico nacional.
Paralelamente à sua produção artística, exerce funções como docente na Universidade de Luanda (UniLuanda), contribuindo para a formação de novas gerações de criadores.
Reconhecimento e projeção internacional
Em 2026, a obra “A Arquitectura da União” ganhou destaque no panorama internacional ao ser oferecida pelo Presidente da República, João Lourenço, ao Papa Leão XIV. O gesto simbólico posiciona a arte angolana como instrumento de diplomacia cultural, reforçando pontes entre cultura, espiritualidade e relações institucionais.
O percurso de Mayembe inclui ainda a distinção com o Prémio Nacional de Cultura e Artes, em 2014, consolidando o seu reconhecimento no cenário artístico nacional.
“A Arquitectura da União”: simbologia e mensagem
Produzida em madeira e adornada com bronze, a escultura traduz uma reflexão profunda sobre a ligação entre o efémero e o eterno, entre matéria e espírito. A composição, marcada por braços e mãos entrelaçadas, simboliza valores fundamentais como união, solidariedade, integridade e responsabilidade colectiva.
A obra surge como resposta aos desafios sociais contemporâneos, propondo uma leitura artística sobre a necessidade de reconstrução dos laços humanos e da coesão social.
Dimensão cultural e espiritual da obra
Para além da sua carga estética, “A Arquitectura da União” incorpora uma dimensão espiritual significativa, destacando o papel da mulher enquanto pilar da família e da comunidade. A representação dialoga com valores reconhecidos pela tradição cristã, posicionando a figura feminina como mediadora de paz e promotora de equilíbrio social.
Estilo artístico e compromisso com a memória
A linguagem artística de Mayembe caracteriza-se pelo uso de materiais como madeira e bronze, aliados a narrativas inspiradas em fábulas, parábolas e simbologias tradicionais angolanas. A sua obra transita entre o ancestral e o contemporâneo, abordando questões sociais e culturais com profundidade estética.
Exposições como “Transcendências” evidenciam esta abordagem, explorando a continuidade entre raízes tradicionais e novas interpretações artísticas.
Arte como expressão de identidade nacional
A trajectória de Mayembe reafirma o papel das artes plásticas como veículo de afirmação cultural e reflexão social. A sua obra não apenas representa Angola no exterior, mas também contribui para o fortalecimento da consciência colectiva e da valorização do património cultural.
Fonte: Redes Nacional
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao





