PATRIMÓNIO | MEMÓRIA | ARTES | ARQUIVO NACIONAL DE ANGOLA

O Arquivo Nacional de Angola recebeu, na sexta-feira (07), em Luanda, o engenheiro Nuno Borges, representante da família de Albano Neves e Sousa, no âmbito das diligências destinadas à eventual doação ao Estado angolano do vasto espólio do escritor, poeta, pintor e etnógrafo luso-angolano.

A visita institucional teve como principal objectivo apresentar as condições técnicas e científicas da instituição para acolher, conservar, preservar, investigar e valorizar um dos mais significativos acervos documentais e artísticos relacionados com a história e a identidade cultural de Angola.

Espólio reúne milhares de peças sobre a memória de Angola

Durante o encontro, Nuno Borges revelou que o espólio actualmente preservado no Brasil é composto por mais de três mil peças, entre pinturas, aguarelas, desenhos, manuscritos, documentos históricos e objectos de artesanato.

O conjunto documental retrata diferentes dimensões da realidade angolana, reunindo representações da diversidade étnica, das paisagens naturais, dos costumes, das tradições e das manifestações culturais que marcaram a trajectória do país.

O acervo é reconhecido pelo seu elevado valor artístico, histórico, antropológico e documental.

Arquivo Nacional apresenta condições de conservação e valorização

Ao longo da visita, os responsáveis do Arquivo Nacional de Angola deram a conhecer os espaços destinados à conservação e preservação do património documental, incluindo áreas de reserva técnica, laboratórios especializados e futuras salas de exposição.

Entre as propostas em análise encontra-se igualmente a possibilidade de recriar o atelier de Albano Neves e Sousa, proporcionando ao público uma experiência museológica que permita compreender o processo criativo do artista e aproximar as novas gerações da sua obra.

Património artístico e documental ganha nova perspectiva

A delegação teve ainda oportunidade de apreciar uma mostra representativa das obras de Albano Neves e Sousa já integradas no acervo do Arquivo Nacional de Angola, evidenciando a importância da sua produção para a documentação da realidade histórica e cultural do país.

As obras testemunham décadas de investigação artística e etnográfica, constituindo uma referência incontornável para estudiosos, investigadores, artistas e instituições culturais.

Preservar a memória para as futuras gerações

No final da visita, o Director-Geral Adjunto para a Área Técnica e Científica do Arquivo Nacional de Angola, Dr. Heliodoro Abambres, destacou que a eventual incorporação deste espólio representará um importante reforço do património documental nacional.

Segundo o responsável, a iniciativa contribuirá para preservar e valorizar a memória de Albano Neves e Sousa, cuja obra documentou, com sensibilidade artística e rigor etnográfico, a natureza, as comunidades e a diversidade cultural angolana.

Perspectiva PRESSdigi

A eventual integração do espólio de Albano Neves e Sousa no Arquivo Nacional de Angola constitui uma oportunidade histórica para reforçar a salvaguarda do património cultural do país. Mais do que preservar obras de elevado valor artístico, este processo representa um investimento na memória colectiva, na investigação científica e na valorização da identidade nacional. Iniciativas desta natureza reforçam o papel dos arquivos, museus e centros de documentação como espaços fundamentais para proteger a história e inspirar novas gerações de artistas, investigadores e cidadãos.


Fonte: REDE NACIONAL | Jornal de Angola

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