Iniciativa com duração de cinco anos pretende beneficiar mais de 83 mil pessoas, promover soluções tecnológicas de adaptação às alterações climáticas e impulsionar oportunidades de emprego verde em sete províncias do país.
PARS aposta na adaptação climática e na resiliência das comunidades
Foi lançado, em Luanda, o Programa de Inovação em Soluções para Adaptação Climática e Fortalecimento da Resiliência (PARS), uma iniciativa orçada em nove milhões de dólares que prevê apoiar 120 empresas e beneficiar mais de 83 mil pessoas.
Promovido pelo Ministério do Ambiente, pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO) e pela organização People in Need (PIN), com financiamento do Fundo Global para o Ambiente, o programa terá a duração de cinco anos.
A sua implementação abrange as províncias do Cunene, Namibe, Huíla, Cuando, Cubango, Luanda e Benguela, com enfoque na redução da vulnerabilidade climática e no reforço da capacidade de resposta das comunidades aos efeitos das alterações do clima.
A iniciativa pretende mobilizar a inovação, a transferência de tecnologias de adaptação e a participação do sector privado para desenvolver soluções que respondam às necessidades locais e contribuam para a sustentabilidade económica e ambiental.
Políticas públicas, tecnologia e mobilização de investimentos
Durante a apresentação do programa, o secretário de Estado para a Acção Climática e Desenvolvimento Sustentável, Nascimento Soares, destacou a importância de políticas públicas eficazes, da inovação tecnológica e da mobilização de investimentos para enfrentar os desafios climáticos.
O responsável defendeu igualmente um maior envolvimento do sector privado, considerando a articulação entre instituições públicas, empresas e comunidades fundamental para ampliar a capacidade de adaptação do país.
A abordagem proposta pelo PARS procura aproximar as necessidades ambientais das oportunidades de desenvolvimento económico, incentivando a adopção de práticas sustentáveis e a utilização de soluções tecnológicas ajustadas à realidade dos territórios abrangidos.
Agricultura, água e gestão sustentável dos recursos
Entre as metas anunciadas, o programa prevê capacitar mais de 4.300 intervenientes, formar 1.229 pessoas e promover práticas sustentáveis numa área de aproximadamente 32.430 hectares de terra.
A gestão dos recursos hídricos e a produção agrícola figuram entre as áreas prioritárias, tendo em conta a exposição das comunidades aos períodos de seca, às inundações e ao aumento das temperaturas.
O reforço da capacidade de gestão da água, a adaptação das actividades produtivas e a introdução de práticas mais sustentáveis poderão contribuir para reduzir riscos ambientais e proteger os meios de subsistência das populações vulneráveis.
O impacto efectivo destas medidas dependerá, contudo, da sua implementação no terreno, da adequação das soluções às condições locais e da continuidade do acompanhamento técnico.
Inclusão social, empreendedorismo e empregos verdes
O PARS estabelece metas de inclusão que prevêem a participação de, pelo menos, 50% de mulheres e 20% de jovens, associando a adaptação climática ao empreendedorismo, à inovação e à criação de empregos verdes.
A componente empresarial assume particular relevância, uma vez que o programa pretende apoiar 120 empresas na identificação e aplicação de soluções que respondam aos desafios ambientais e, simultaneamente, criem oportunidades económicas.
A integração de mulheres e jovens nas actividades de capacitação e inovação poderá ampliar o acesso a competências, estimular iniciativas empresariais e fortalecer a participação destes grupos na construção de respostas locais às alterações climáticas.
Para alcançar estes objectivos, será importante assegurar oportunidades concretas de participação, formação adequada e condições para que as soluções desenvolvidas possam manter-se para além do período de execução do programa.
Cooperação internacional e valorização das soluções locais
O director da People in Need, Marcello Malavasi, chamou a atenção para os efeitos das secas, das inundações e da subida das temperaturas sobre a segurança alimentar, os recursos hídricos e os meios de subsistência das comunidades vulneráveis.
Segundo o responsável, o programa integra uma iniciativa regional que abrange seis países e aposta no sector empresarial e nas soluções locais como instrumentos para transformar os desafios climáticos em oportunidades de desenvolvimento económico sustentável.
Por sua vez, a representante da UNIDO, Gatti Eleonora, salientou a importância do envolvimento das comunidades e das empresas na adaptação climática, com destaque para a agricultura, a pesca, a agro-transformação e a gestão da água.
A articulação entre cooperação internacional, conhecimento local e capacidade empresarial constitui, neste contexto, uma das vias para desenvolver respostas mais adequadas às necessidades das populações afectadas pelos riscos climáticos.
Nota conclusiva
O lançamento do PARS representa uma iniciativa de cooperação orientada para o reforço da resiliência climática, a inovação tecnológica e a criação de oportunidades económicas sustentáveis em Angola.
Com um orçamento anunciado de nove milhões de dólares e uma duração prevista de cinco anos, o programa apresenta metas que abrangem empresas, comunidades, formação profissional, inclusão social e gestão sustentável dos recursos naturais.
A concretização desses objectivos será determinante para avaliar o seu impacto. A transparência na execução dos recursos, o acompanhamento dos resultados e a participação efectiva das comunidades poderão contribuir para transformar o investimento anunciado em benefícios duradouros para as populações abrangidas.
Fonte principal: Gira Notícias | Rede Girassol.
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