Na VIII Cimeira do Fórum dos Países Exportadores de Gás, em Moscovo, Diamantino Azevedo destacou a cooperação técnica, o investimento em infra-estruturas e o aproveitamento do gás natural como instrumentos para impulsionar a industrialização e diversificar a economia nacional.
Cooperação entre produtores no contexto da transição energética
Angola defendeu a valorização sustentável do gás natural e o reforço da cooperação entre os países produtores, no quadro dos desafios da transição energética mundial.
A posição foi apresentada pelo ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, durante a VIII Cimeira de Chefes de Estado e de Governo do Fórum dos Países Exportadores de Gás, realizada em Moscovo, na Rússia, em representação do Presidente da República, João Lourenço.
Na sua intervenção, o governante sublinhou a importância de uma actuação coordenada entre os produtores para afirmar o gás natural como uma fonte energética competitiva, fiável e complementar no conjunto das fontes utilizadas a nível mundial.
A posição angolana coloca em evidência a necessidade de conciliar a segurança do abastecimento energético, o aproveitamento dos recursos naturais e os compromissos ambientais associados à transição energética.
Emissões de metano e realidades dos países produtores
No domínio ambiental, Diamantino Azevedo abordou os mecanismos internacionais de monitorização, reporte e verificação das emissões de metano, defendendo que estes devem considerar as diferentes realidades e capacidades dos países produtores.
Segundo a posição apresentada, a aplicação desses mecanismos deve evitar constrangimentos desproporcionais ao desenvolvimento dos recursos e ao acesso aos mercados internacionais.
O debate evidencia um dos desafios do sector energético: conciliar a redução das emissões com a viabilidade económica dos projectos, a capacidade tecnológica dos produtores e as exigências ambientais dos mercados.
Neste contexto, a cooperação técnica e a partilha de conhecimento podem desempenhar um papel importante na melhoria dos processos de produção, na redução das perdas e no desenvolvimento de soluções mais eficientes.
Tecnologia, investimento e infra-estruturas na cadeia de valor
O ministro destacou igualmente a necessidade de aprofundar a cooperação técnica através da partilha de tecnologias, da transferência de conhecimento, da mobilização de investimentos e do desenvolvimento de infra-estruturas ao longo da cadeia de valor do gás natural.
Estas componentes são relevantes para ampliar a capacidade de produção, processamento, transporte e utilização do recurso, criando condições para que o gás seja aproveitado não apenas como produto de exportação, mas também como factor de desenvolvimento industrial.
A concretização destas prioridades depende da capacidade de atrair investimento, fortalecer competências nacionais e desenvolver projectos sustentáveis, alinhados com as necessidades do mercado e com os objectivos económicos do país.
Gás natural como instrumento de industrialização e diversificação económica
Ao apresentar as prioridades nacionais, Diamantino Azevedo destacou a estratégia de utilização do gás natural como alavanca para a industrialização e a diversificação da economia angolana.
Entre as áreas referenciadas estão os projectos de produção de fertilizantes à base de amónia e ureia, com potencial para apoiar a actividade agrícola e desenvolver segmentos industriais associados à transformação de matérias-primas.
O governante apontou também a aplicação do gás na indústria siderúrgica, em articulação com o aproveitamento das reservas de minério de ferro.
Esta abordagem procura reforçar a transformação local dos recursos naturais e ampliar as possibilidades de criação de valor acrescentado, emprego e actividade económica para além da produção primária.
Angola LNG e aproveitamento dos recursos energéticos
Na sua intervenção, o ministro recordou o papel da Angola Gás Natural Liquefeito (Angola LNG) na redução da queima de gás nas operações petrolíferas, no aumento da oferta de gás de cozinha e no reforço da produção de energia eléctrica.
O aproveitamento do gás associado à exploração petrolífera constitui uma dimensão importante da estratégia de utilização mais eficiente dos recursos energéticos, permitindo reduzir o desperdício e ampliar as possibilidades de fornecimento ao mercado.
A expansão dos benefícios económicos e sociais deste aproveitamento dependerá da evolução dos projectos, da capacidade das infra-estruturas e da articulação entre a produção, a indústria e as necessidades de consumo.
Fórum internacional e construção de um mercado global de gás
Angola reafirmou o compromisso de aprofundar a cooperação no âmbito do Fórum dos Países Exportadores de Gás, com vista à construção de um mercado global mais robusto, equilibrado e capaz de responder aos desafios energéticos actuais.
A sessão de abertura contou com a presença do Presidente da Rússia, Vladimir Putin, de chefes de Estado e de Governo dos países membros e do secretário-geral do Fórum, Philip Mshelbila.
A participação nestes encontros permite aos países produtores apresentar prioridades, trocar experiências e discutir mecanismos de cooperação num sector marcado por exigências tecnológicas, ambientais e geoeconómicas.
Nota conclusiva
A posição apresentada por Angola na VIII Cimeira do Fórum dos Países Exportadores de Gás reforça a importância atribuída ao gás natural na estratégia energética e económica nacional.
Para além da produção e exportação, o desafio consiste em transformar este recurso numa base efectiva para a industrialização, o desenvolvimento de infra-estruturas, a criação de emprego e a diversificação económica.
O alcance desses objectivos dependerá da execução dos projectos anunciados, da mobilização de investimentos, da transferência de tecnologia e da capacidade de conciliar o aproveitamento dos recursos com a sustentabilidade ambiental.
Fonte principal: Gira Notícias | Rede Girassol.
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