UM NOVO CAPÍTULO NA COOPERAÇÃO CULTURAL ANGOLA–EGIPTO
Angola e o Egipto reforçaram, a 19 de Setembro, os seus laços de cooperação cultural com a assinatura de um Memorando de Entendimento, instrumento destinado a aprofundar as relações bilaterais e a promover iniciativas conjuntas nos domínios da cultura, da formação e da preservação do património.
O documento foi assinado pelo Ministro da Cultura de Angola, Filipe Silvino de Pina Zau, e pelo Ministro do Ensino Superior e da Investigação Científica do Egipto, Abdelaziz Konsowa, que responde interinamente pelo Ministério da Cultura da República Árabe do Egipto.
A assinatura representa uma manifestação da vontade dos dois países de ampliar a cooperação cultural e criar mecanismos que permitam transformar os compromissos institucionais em programas e acções concretas.
FORMAÇÃO EM ARQUEOLOGIA E MUSEOLOGIA
Entre as áreas de cooperação previstas no Memorando de Entendimento encontram-se iniciativas de formação especializada, com destaque para a arqueologia e a museologia.
Estes domínios assumem particular relevância no contexto da preservação, investigação e valorização do património cultural africano, contribuindo para o reforço das competências técnicas e profissionais de especialistas e instituições ligadas à cultura.
A cooperação neste sector poderá igualmente favorecer a partilha de experiências sobre conservação, documentação, investigação e divulgação de bens culturais, tendo em conta os diferentes patrimónios históricos e arqueológicos dos dois países.
CULTURA COMO INSTRUMENTO DE DIÁLOGO ENTRE OS POVOS
Durante a cerimónia, o Ministro Filipe Zau destacou a cultura como uma das mais sólidas pontes de entendimento entre as nações.
Na sua intervenção, o governante reafirmou o compromisso de Angola em continuar a utilizar a cultura como instrumento de diálogo, aproximação entre os povos e consolidação das relações de cooperação internacional.
Esta perspectiva enquadra a cultura para além da produção artística, reconhecendo o seu papel na construção de relações diplomáticas, no fortalecimento da compreensão mútua e na valorização das identidades históricas dos povos.
A cooperação cultural Angola–Egipto passa, assim, a integrar uma agenda de aproximação que procura associar a preservação do património, a formação especializada e a criação de iniciativas de interesse comum.
JUSTIÇA SOCIAL E RESGATE DO PATRIMÓNIO AFRICANO
Na mesma ocasião, Filipe Zau defendeu a necessidade de ampliar o debate sobre a justiça social para africanos e afrodescendentes, bem como sobre o resgate de bens culturais que integram a identidade patrimonial africana.
A abordagem coloca em evidência questões relacionadas com a preservação da memória histórica, a protecção do património e a valorização de bens culturais associados à trajectória dos povos africanos e das suas diásporas.
O debate sobre o património africano envolve igualmente a necessidade de reforçar a investigação, a documentação e a cooperação entre instituições, de modo a contribuir para o reconhecimento e a salvaguarda de referências culturais materiais e imateriais.
PLANO DE ACÇÃO PARA DAR CONCRETIZAÇÃO AO MEMORANDO
O Memorando de Entendimento estabelece as bases para o desenvolvimento de programas e iniciativas conjuntas entre Angola e o Egipto.
Está prevista a elaboração de um plano de acção, que deverá permitir conferir maior concretização, dinamismo e visibilidade à cooperação cultural formalmente estabelecida entre os dois países.
A definição desse instrumento será importante para estruturar prioridades, identificar acções de execução e reforçar a participação das instituições culturais e dos profissionais envolvidos nos diferentes domínios de colaboração.
A passagem dos compromissos diplomáticos para projectos concretos poderá contribuir para uma cooperação mais contínua e para o aprofundamento das relações culturais bilaterais.
SEMBA: ANGOLA PROCURA APOIO PARA A PROJECÇÃO INTERNACIONAL
Durante a sua deslocação ao Egipto, o Ministro da Cultura de Angola abordou igualmente o processo de candidatura da música e da dança Semba à classificação pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade.
Segundo a informação divulgada pelo Ministério da Cultura, a apreciação da candidatura está prevista para Novembro, na República Popular da China. Neste contexto, Filipe Zau solicitou o apoio institucional do Egipto à iniciativa de valorização e projecção internacional do património cultural angolano.
O Semba constitui uma expressão importante da identidade cultural de Angola, reunindo música, dança, memória social e formas de transmissão de conhecimentos entre gerações.
A sua candidatura à UNESCO insere-se num esforço de reconhecimento e salvaguarda do património cultural imaterial, bem como de ampliação da visibilidade internacional das expressões culturais angolanas.
MEMÓRIA HISTÓRICA: INAUGURAÇÃO DO BUSTO DE AGOSTINHO NETO
A deslocação do Ministro da Cultura de Angola ao Egipto ficou igualmente marcada pela inauguração do busto do Dr. António Agostinho Neto, primeiro Presidente da República de Angola e Fundador da Nação.
O acto assumiu um significado político, histórico e cultural, ao evocar a figura de Agostinho Neto e a importância da memória nacional no quadro das relações entre Angola e outros países.
A presença de referências históricas angolanas em espaços internacionais pode contribuir para a valorização da memória colectiva, para o reconhecimento de personalidades fundamentais da história do país e para o reforço dos laços institucionais e culturais.
COOPERAÇÃO CULTURAL E FUTURO DAS RELAÇÕES BILATERAIS
A assinatura do Memorando de Entendimento entre Angola e o Egipto abre uma nova etapa de cooperação formal no sector cultural, com possibilidades de desenvolvimento nas áreas da formação, investigação, museologia, arqueologia e salvaguarda do património.
A concretização das acções previstas dependerá da elaboração e implementação do plano de acção, bem como da articulação entre as instituições responsáveis pelos programas de cooperação.
Ao aproximar experiências, conhecimentos e patrimónios de duas sociedades com importantes trajectórias históricas, a cooperação cultural pode contribuir para o fortalecimento do diálogo africano e para a valorização de identidades e memórias partilhadas.
A cultura permanece, deste modo, como espaço de encontro, conhecimento e construção de relações duradouras entre os povos.
“Ancestralidade é continuidade com futuridade.”
REDE NACIONAL | Ministério da Cultura de Angola
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao — Informação, Cultura, Imagem e Memória
Classe / Tema: Cultura, Diplomacia Cultural, Cooperação Internacional, Património e Identidade Africana
Fonte principal: Ministério da Cultura de Angola




