NOVA FASE DE VIGILÂNCIA E RESPOSTA À MPOX
Angola reactivou o Plano Nacional de Contingência para o controlo da Mpox, na sequência do aumento de casos confirmados da doença no país. Segundo os dados divulgados em Setembro de 2026, foram contabilizados 593 casos confirmados e dois óbitos, com novos registos nas províncias de Cabinda, Moxico Leste, Lunda-Sul e Moxico.
A actualização epidemiológica reforça a necessidade de intensificar a vigilância, o acompanhamento dos contactos e a capacidade de resposta das estruturas de saúde, num contexto de expansão da doença para diferentes regiões do território nacional.
50 MIL DOSES DE VACINA PARA GRUPOS PRIORITÁRIOS
Como parte das medidas de resposta, Angola mobilizou 50 mil doses de vacina contra a Mpox, destinadas prioritariamente aos contactos de pessoas infectadas e aos profissionais de saúde que trabalham directamente no atendimento e acompanhamento dos casos.
A estratégia de vacinação procura reforçar a protecção dos grupos considerados prioritários e contribuir para a redução do risco de transmissão, em articulação com as restantes medidas de vigilância e controlo epidemiológico. A RNA confirmou a aquisição das 50 mil doses e a sua administração prioritária aos contactos e aos profissionais de saúde directamente envolvidos na resposta à doença.
Na província de Cabinda, uma campanha provincial de vacinação já havia sido iniciada a 1 de Setembro, com 30 mil doses disponíveis e equipas mobilizadas para atender profissionais de saúde, pacientes, populações de zonas fronteiriças e comunidades dos municípios mais afectados.
CABINDA E PROVÍNCIAS DO LESTE ENTRE AS ZONAS MAIS AFECTADAS
Cabinda continua a concentrar uma parte significativa dos casos registados no país. As actualizações mais recentes também apontam para a presença de novos casos no Moxico Leste, na Lunda-Sul e no Moxico, o que reforça a necessidade de manter a vigilância epidemiológica nas regiões fronteiriças e nas áreas com circulação populacional.
Nas 24 horas anteriores à actualização de 16 de Setembro, foram identificados 15 novos casos: seis em Cabinda, quatro no Moxico Leste, três na Lunda-Sul e dois no Moxico.
A distribuição geográfica dos novos registos evidencia a importância do acompanhamento permanente dos contactos, da identificação precoce de casos suspeitos e da articulação entre as autoridades sanitárias nacionais e provinciais.
JOVENS ENTRE OS 20 E OS 24 ANOS CONCENTRAM MAIOR INCIDÊNCIA
De acordo com a directora Nacional de Saúde Pública, Helga Freitas, o grupo etário mais afectado no balanço apresentado corresponde às pessoas entre os 20 e os 24 anos, com maior incidência no sexo feminino.
A responsável destacou igualmente a necessidade de manter o acompanhamento dos contactos e de reforçar as medidas de prevenção e resposta nos diferentes pontos de ocorrência da doença.
A divulgação de informação epidemiológica por grupos etários e distribuição geográfica contribui para uma melhor compreensão da evolução do surto e para o planeamento das intervenções de saúde pública.
REFORÇO DA CAPACITAÇÃO E DOS PLANOS DE RESPOSTA
O secretário de Estado para a Saúde Pública, Carlos Alberto Pinto de Sousa, defendeu o reforço da preparação dos serviços de saúde para responder a eventuais novos casos e cenários de transmissão.
Entre as medidas destacadas encontram-se:
- Capacitação contínua dos profissionais de saúde;
- Realização de exercícios de simulação;
- Activação e actualização dos planos de contingência;
- Reforço dos mecanismos de resposta rápida;
- Melhoria dos sistemas de informação;
- Acompanhamento da evolução epidemiológica.
Estas acções integram uma estratégia de fortalecimento da capacidade institucional de prevenção, detecção e resposta a situações de emergência sanitária.
COMUNICAÇÃO DE RISCO E RESPONSABILIDADE SOCIAL
A resposta à Mpox exige não apenas recursos clínicos e logísticos, mas também uma comunicação pública clara, responsável e acessível.
A população deve ter acesso a informações sobre os sinais e sintomas da doença, as formas de transmissão, as medidas de prevenção e os procedimentos a adoptar perante uma situação suspeita. O Ministério da Saúde tem destacado o papel dos órgãos de comunicação social na divulgação de informação credível, no combate à desinformação e na promoção de comportamentos de protecção da saúde.
Neste contexto, o jornalismo de saúde desempenha uma função relevante na tradução de dados técnicos para uma linguagem compreensível, na contextualização dos números e na prevenção do estigma contra as pessoas afectadas.
PREVENÇÃO, VIGILÂNCIA E PROCURA DE ASSISTÊNCIA MÉDICA
A Mpox é uma doença viral que pode ser transmitida através do contacto próximo com pessoas infectadas, incluindo o contacto directo com lesões, feridas, secreções ou materiais contaminados.
Entre as medidas de prevenção divulgadas pelas autoridades sanitárias encontram-se a lavagem frequente das mãos, a redução do contacto próximo com pessoas que apresentem sintomas suspeitos, a não partilha de objectos pessoais e a procura de assistência médica perante sinais compatíveis com a doença. A identificação precoce e o acompanhamento adequado dos casos são fundamentais para reduzir os riscos de transmissão e assegurar o encaminhamento dos pacientes para os serviços de saúde.
UMA RESPOSTA QUE EXIGE COORDENAÇÃO E CONTINUIDADE
A reactivação do Plano Nacional de Contingência e a mobilização de vacinas reflectem o reforço das medidas de resposta das autoridades angolanas perante a evolução da Mpox.
A continuidade das acções de vigilância, a capacitação dos profissionais, o acompanhamento dos contactos e a comunicação pública responsável serão elementos importantes para a gestão do surto e para a protecção das comunidades.
Perante os desafios colocados pela expansão da doença, a articulação entre instituições sanitárias, órgãos de comunicação social e população constitui uma dimensão essencial da resposta de saúde pública.
“Informar com responsabilidade também é cuidar da saúde colectiva.”
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Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao
Classe / Tema: Saúde Pública, Sociedade, Prevenção Epidemiológica, Comunicação de Risco e Responsabilidade Social
Fonte principal: RFI.FR/PT — Francisco Paulo com RFI
Referências complementares: Ministério da Saúde de Angola, RNA, Direcção Nacional de Saúde Pública, Governo Provincial de Cabinda
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