ANGOLA APRESENTA EXPERIÊNCIA NACIONAL NA QUARTA EDIÇÃO DA BIENAL
A experiência de Angola no domínio da governação da água estará em destaque na 4.ª edição do Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz e Não Violência — Bienal de Luanda, a realizar-se nos dias 22 e 23 de Outubro, em Angola.
A informação foi avançada pelo secretário de Estado para a Comunicação Social, Nuno Caldas, na segunda-feira, 21 de Setembro, durante a apresentação do Programa Oficial da quarta edição do Fórum, realizada no Centro de Imprensa Aníbal de Melo, em Luanda.
A participação angolana pretende apresentar os esforços desenvolvidos pelo país no sector da água, num contexto marcado pelos desafios climáticos, sociais e económicos que afectam diferentes regiões de Angola e do continente africano.
GOVERNAÇÃO DA ÁGUA COMO INSTRUMENTO DE PAZ
A 4.ª edição da Bienal de Luanda decorrerá sob o lema “Reforço da Governação da Água em África como Instrumento de Prevenção, Mediação e Resolução de Conflitos”.
De acordo com Nuno Caldas, que interveio na qualidade de porta-voz da Bienal, a governação da água ocupa uma posição central na agenda do evento, tendo em conta a sua importância para a vida, o desenvolvimento, a segurança e a cooperação entre os Estados.
A abordagem proposta procura apresentar a água não apenas como um recurso essencial à sobrevivência e ao crescimento económico, mas também como um espaço de diálogo, aproximação entre os povos e construção de confiança mútua.
Neste contexto, a diplomacia da água é apresentada como uma ferramenta para reforçar a cooperação transfronteiriça e contribuir para a prevenção de tensões e conflitos relacionados com os recursos hídricos.
PROJECTOS ANGOLANOS NO COMBATE AOS EFEITOS DA SECA
Entre os projectos que serão destacados durante a Bienal encontram-se as barragens de Ndué e Calucuve, bem como o Canal do Cafu, integrados no Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul de Angola.
“Serão destacados os projectos das barragens de Ndué, Calucuve e o Canal do Cafu, no âmbito do Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul de Angola”, informou o secretário de Estado para a Comunicação Social.
A apresentação destas iniciativas enquadra-se na partilha da experiência nacional sobre a gestão dos recursos hídricos, a resiliência das comunidades e a resposta aos efeitos da seca, sobretudo em regiões expostas à escassez de água e às alterações climáticas.
DIÁLOGO INTERGERACIONAL E AGENDA 2063
O programa da quarta edição contempla quatro painéis de reflexão, orientados para a análise da governação da água nas suas dimensões política, social, ambiental, científica e económica.
O principal momento da Bienal será o Diálogo Intergeracional de Alto Nível, subordinado ao tema:
“Governança Inclusiva: Unir as Gerações para Garantir Disponibilidade Sustentável de Água e Sistemas de Saneamento Seguros para Alcançar os Objectivos da Agenda 2063 da União Africana”.
O diálogo reunirá Chefes de Estado e de Governo, jovens líderes africanos e representantes da diáspora, proporcionando um espaço de escuta, partilha de experiências e construção de compromissos entre diferentes gerações.
A programação pretende igualmente valorizar a participação da juventude na formulação de respostas para os desafios relacionados com a água, o saneamento, a sustentabilidade e a prevenção de conflitos.
ÁGUA, ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E DESAFIOS SOCIAIS
Entre os objectivos da Bienal está a promoção do diálogo político intergeracional sobre os desafios da água no continente africano.
O encontro procurará reforçar a compreensão da água como instrumento de prevenção, mediação e resolução de conflitos, estimulando a cooperação transfronteiriça e a diplomacia dos recursos hídricos.
A agenda temática inclui ainda a relação entre a água, as alterações climáticas, a migração e a deslocação interna, reconhecendo a interdependência entre a disponibilidade de recursos naturais, a estabilidade das comunidades e a segurança humana.
A valorização da ciência, da inovação, da formação e do desenvolvimento do capital humano integra igualmente os objectivos da edição, com vista ao fortalecimento da cultura de paz e à concretização das prioridades da Agenda 2063 da União Africana.
PARTICIPAÇÃO DE CHEFES DE ESTADO, UNIÃO AFRICANA E UNESCO
A cerimónia de abertura contará com intervenções de Chefes de Estado e de Governo, bem como de representantes da União Africana (UA) e da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).
O discurso oficial de abertura será proferido pelo Presidente da República de Angola, João Lourenço.
A presença de representantes de instituições continentais e internacionais pretende reforçar a dimensão multilateral da Bienal e o seu papel enquanto espaço de reflexão sobre os desafios da paz, da cooperação e do desenvolvimento sustentável em África.
CONFERÊNCIA NACIONAL E ECUMÉNICA SOBRE VALORES
No âmbito da programação da Bienal de Luanda, está prevista a realização da 2.ª Conferência Nacional e Ecuménica sobre o Resgate dos Valores Morais, Cívicos e Religiosos em Angola.
A iniciativa dará continuidade ao processo de reflexão e diálogo sobre os valores que contribuem para a coesão social, a convivência pacífica e o fortalecimento da responsabilidade cívica.
O encontro reunirá líderes religiosos angolanos e convidados especiais, entre os quais o bispo anglicano Dom Carlos Simão Matsinhe, identificado na informação de origem como presidente da Comissão Nacional de Eleições de Moçambique, e o reverendo Dom Fidon Mwambeke, secretário-geral da Conferência das Igrejas Cristãs em África.
PARCERIAS INSTITUCIONAIS E PROGRAMA COMPLEMENTAR
O programa da quarta edição da Bienal de Luanda inclui ainda actividades promovidas por instituições nacionais, organizações internacionais, instituições académicas, centros de investigação e parceiros do Fórum.
As iniciativas serão realizadas no período que antecede e acompanha os dias oficiais da Bienal, ampliando o espaço de participação institucional, científica, cultural e comunitária.
A programação complementar deverá contribuir para a abordagem multidisciplinar da cultura de paz, através da partilha de conhecimentos, experiências e propostas ligadas à prevenção da violência e à cooperação entre os povos.
BIENAL DE LUANDA E CULTURA DE PAZ EM ÁFRICA
O Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz e Não Violência — Bienal de Luanda é uma iniciativa conjunta da República de Angola, da UNESCO e da União Africana.
Realizado bienalmente em Angola, o evento tem como propósito incentivar a prevenção da violência e dos conflitos através do intercâmbio cultural entre os países africanos.
Ao colocar a governação da água no centro da sua quarta edição, a Bienal propõe uma reflexão sobre a ligação entre recursos naturais, desenvolvimento, segurança, cooperação regional e construção de uma cultura de paz duradoura no continente africano.
Classe / Tema: Cultura de Paz, Diplomacia da Água, Governação dos Recursos Hídricos, Cooperação Africana e Desenvolvimento Sustentável
Fonte principal: CIPRA — Centro de Imprensa da Presidência da República.





