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CIÊNCIA E SABERES DA FLORESTA UNEM-SE PARA PROTEGER A BIODIVERSIDADE DA AMAZÓNIA EM RONDÔNIA

As equipas de investigação concentram-se no levantamento de diferentes grupos de espécies, incluindo mamíferos terrestres e aquáticos, aves migratórias e residentes, anfíbios, répteis e espécies vegetais endémicas.

Redação Digipress
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terça-feira, 21 de julho de 2026 às 15:00
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CIÊNCIA E SABERES DA FLORESTA UNEM-SE PARA PROTEGER A BIODIVERSIDADE DA AMAZÓNIA EM RONDÔNIA
Foto: DigiPress
CIÊNCIA E SABERES DA FLORESTA UNEM-SE PARA PROTEGER A BIODIVERSIDADE DA AMAZÓNIA EM RONDÔNIA

Meio Ambiente | Ciência | Biodiversidade | Sustentabilidade | Comunidades Tradicionais

A 2.ª Expedição Científica na Reserva Extrativista (Resex) do Rio Ouro Preto, no estado brasileiro de Rondônia, reforça uma estratégia integrada que aproxima a investigação científica, a conservação ambiental e os conhecimentos tradicionais das comunidades que vivem e trabalham na floresta.

Depois dos resultados alcançados na primeira edição, a nova expedição pretende aprofundar o conhecimento sobre a biodiversidade da região, acompanhar os impactos das alterações climáticas e contribuir para o fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis entre as comunidades ribeirinhas e extrativistas.

Localizada na Amazónia, a Resex do Rio Ouro Preto representa um território estratégico para a conservação dos ecossistemas e para a protecção dos modos de vida tradicionais, num contexto marcado por pressões ambientais crescentes e pela necessidade de conciliar desenvolvimento económico e preservação da floresta.

Pesquisa científica procura responder aos desafios ambientais

A intensificação do desmatamento ilegal, a pressão sobre os territórios, as alterações nos regimes de chuva e os efeitos das mudanças climáticas têm ampliado os desafios para a conservação da Amazónia.

Neste cenário, a expedição procura construir uma base de dados científica capaz de apoiar decisões de gestão ambiental e políticas públicas, contribuindo para uma compreensão mais aprofundada das transformações que afectam o território.

A proposta parte de uma visão integrada segundo a qual a protecção da floresta deve estar associada à garantia dos meios de subsistência das populações tradicionais e à preservação dos serviços ecossistémicos essenciais.

Biodiversidade no centro do inventário científico

Um dos principais objectivos da expedição é realizar um inventário aprofundado da fauna e da flora nativas da região.

As equipas de investigação concentram-se no levantamento de diferentes grupos de espécies, incluindo mamíferos terrestres e aquáticos, aves migratórias e residentes, anfíbios, répteis e espécies vegetais endémicas.

A pesquisa pretende ainda identificar habitats considerados críticos e aprofundar o conhecimento sobre espécies pouco estudadas ou que enfrentam riscos de conservação.

O levantamento sistemático poderá contribuir para ampliar o conhecimento científico sobre a biodiversidade da região e orientar futuras estratégias de preservação.

Monitorização da água e da cobertura florestal

Outro eixo fundamental da expedição está relacionado com o acompanhamento das condições ambientais dos recursos hídricos e da floresta.

As equipas realizam análises físico-químicas e biológicas da água do Rio Ouro Preto e de outros corpos hídricos associados à unidade de conservação, procurando identificar alterações que possam estar relacionadas com actividades humanas ou fenómenos climáticos.

A avaliação da cobertura vegetal também permite observar a capacidade de resistência e recuperação dos ecossistemas diante das pressões externas, contribuindo para uma visão mais ampla sobre a saúde ambiental da reserva.

Comunidades tradicionais participam na construção do conhecimento

A expedição valoriza a participação dos moradores da Resex como parceiros activos do processo de investigação.

A integração dos conhecimentos das comunidades ribeirinhas e extrativistas procura aproximar a ciência académica da experiência prática de quem conhece directamente os ciclos da floresta, os rios, os recursos naturais e as transformações do território.

Esta articulação entre conhecimento científico e saber tradicional reforça uma perspectiva de investigação participativa, na qual as comunidades deixam de ser apenas objecto de estudo e passam a contribuir para a produção e interpretação dos dados.

Ciência como instrumento de apoio à gestão pública

Os resultados obtidos durante a expedição deverão ser organizados em relatórios técnicos e inventários destinados a apoiar a gestão da reserva.

A expectativa é que os dados contribuam para o aperfeiçoamento do plano de manejo da Resex e para a formulação de políticas públicas que conciliem conservação ambiental, desenvolvimento social e melhoria das condições de vida das comunidades.

A produção de informação científica actualizada é considerada essencial para orientar decisões sobre o território e fortalecer estratégias de protecção dos ecossistemas amazónicos.

Economia verde valoriza produtos da floresta

A dimensão socioeconómica da expedição dedica atenção às actividades extrativistas desenvolvidas pelas comunidades locais.

Entre as cadeias produtivas analisadas estão a colecta e o beneficiamento da castanha-do-pará e a extracção sustentável da borracha, actividades que integram a economia tradicional da região.

Os investigadores procuram identificar obstáculos relacionados com a comercialização e a agregação de valor aos produtos florestais, com o objectivo de fortalecer a economia verde e contribuir para o aumento da renda das famílias.

A proposta reforça o princípio de que a conservação pode caminhar lado a lado com alternativas económicas sustentáveis, desde que os recursos naturais sejam utilizados de forma responsável e com participação das populações que dependem directamente deles.

Resex do Rio Ouro Preto representa território estratégico para a Amazónia

Criada para proteger os meios de vida, a cultura e as actividades das populações extrativistas tradicionais, a Resex do Rio Ouro Preto desempenha também uma função ambiental relevante no contexto amazónico.

A conservação de grandes áreas florestais contribui para a manutenção dos ciclos ecológicos, para a regulação dos recursos hídricos e para o equilíbrio climático.

Neste sentido, compreender as transformações ambientais ocorridas no território ultrapassa a dimensão local e assume importância para o debate mais amplo sobre o futuro da Amazónia e os impactos das alterações climáticas.

Floresta em pé como estratégia de sustentabilidade

A investigação desenvolvida na reserva procura reforçar uma visão de desenvolvimento em que a conservação da floresta esteja directamente ligada à valorização das comunidades e dos seus conhecimentos.

A possibilidade de gerar novas oportunidades através de cadeias produtivas sustentáveis, mecanismos de conservação da biodiversidade e iniciativas ligadas ao financiamento climático pode contribuir para criar alternativas económicas capazes de manter a floresta preservada.

Neste modelo, a floresta deixa de ser vista apenas como fonte de recursos naturais e passa a ser reconhecida como um território de vida, conhecimento, cultura e equilíbrio ambiental.

Cooperação institucional amplia impacto da expedição

A realização de uma investigação desta dimensão depende da articulação entre diferentes instituições e actores sociais.

A expedição reúne cientistas, universidades, institutos especializados, órgãos públicos responsáveis pela fiscalização ambiental e organizações representativas das comunidades da reserva.

A construção colectiva permite que os resultados obtidos ultrapassem o espaço académico e possam retornar às comunidades através de acções de capacitação, apoio ao manejo sustentável e iniciativas destinadas à melhoria das condições de vida.

Dados podem orientar novos investimentos em conservação

Após o trabalho de campo, os dados recolhidos serão processados por laboratórios parceiros e integrados num inventário geral a ser disponibilizado aos órgãos responsáveis pela gestão da unidade de conservação.

A expectativa é que as informações produzidas possam contribuir para atrair novos investimentos nacionais e internacionais destinados à conservação da biodiversidade, ao financiamento climático e ao desenvolvimento de projectos sustentáveis.

Entre as possibilidades está o fortalecimento de mecanismos associados à conservação florestal e aos créditos de carbono, criando novas fontes de financiamento para iniciativas que contribuam para a manutenção dos ecossistemas e para a valorização das comunidades tradicionais.

Conhecer para preservar e transformar

A 2.ª Expedição Científica na Resex do Rio Ouro Preto reforça a importância de aproximar ciência, conservação e conhecimento tradicional na construção de respostas para os desafios ambientais contemporâneos.

Ao mapear a biodiversidade, monitorizar a qualidade dos recursos naturais e estudar as cadeias produtivas da floresta, a iniciativa procura produzir conhecimento capaz de orientar decisões e fortalecer políticas de sustentabilidade.

A experiência de Rondônia evidencia, assim, que a preservação da Amazónia depende de uma abordagem integrada, onde investigadores, instituições públicas e comunidades tradicionais participem conjuntamente na defesa de um património natural essencial para o equilíbrio ambiental e climático do planeta.


Fonte: REDE INTERNACIONAL | Gazeta Paulista

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