Volume III da colectânea dedicada ao antropólogo angolano foi apresentado na capital britânica, onde a obra despertou interesse do público e recebeu uma homenagem da comunidade são-tomense.
Londres acolhe apresentação do Volume III
Londres, capital do Reino Unido, acolheu, no dia 26 de Setembro, a apresentação do terceiro volume da colectânea dedicada a Maurício Francisco Caetano, Mafrano (1916–1982), personalidade de referência no estudo e na documentação da cultura e da história angolana.
A apresentação da obra reuniu leitores e membros da comunidade angolana e africana na capital britânica, num momento marcado pelo interesse em torno do legado intelectual de Mafrano e pela continuidade da divulgação da sua obra fora de Angola.
A trajectória do investigador, reconhecido por Dom Zacarias Kamwenho como “Antropólogo Maior de Angola”, constitui actualmente uma referência no campo das Ciências Humanas e Sociais no país.
Interesse pela edição em língua inglesa
Um dos momentos de maior expectativa durante a cerimónia surgiu a partir das perguntas do público sobre a possibilidade de publicação da colectânea em língua inglesa.
A questão foi respondida por Anete Caetano, neta de Mafrano, que anunciou que o trabalho de preparação da versão inglesa já está em curso e deverá prosseguir como parte do processo de internacionalização da obra.
A possibilidade de disponibilizar a colectânea em inglês poderá ampliar o acesso ao pensamento e à produção documental de Mafrano junto de leitores, investigadores e comunidades académicas fora do espaço lusófono.
Obra desperta emoção entre leitores
Durante a sessão de autógrafos, os exemplares disponíveis foram esgotados, sinalizando o interesse do público pela publicação.
Entre os momentos registados esteve a reacção de uma das leitoras presentes, que, de forma emotiva e metafórica, afirmou ter-se “apaixonado” pela trajectória histórica de Mafrano, numa referência à força narrativa e documental associada à obra.
A manifestação traduz, sobretudo, a dimensão humana que o legado de Mafrano continua a despertar entre leitores que entram em contacto com a sua história e produção intelectual.
Homenagem da comunidade são-tomense
Outro momento de destaque ocorreu quando uma comitiva da Associação das Mulheres de São Tomé e Príncipe subiu ao palco para apresentar danças tradicionais, numa homenagem surpresa ao antropólogo angolano.
A presença da comunidade são-tomense acrescentou uma dimensão intercultural à cerimónia, estabelecendo uma ligação entre a memória de Mafrano e os vínculos históricos e culturais entre Angola e São Tomé e Príncipe.
A homenagem também recuperou uma dimensão particularmente significativa da formação do investigador.
Uma ligação entre Angola e São Tomé e Príncipe
Segundo Luisíndia Caetano, neta de Mafrano, Maurício Francisco Caetano teve como tutor o sacerdote são-tomense José Pereira da Costa Frotta, que o acolheu quando ficou órfão, aos cinco anos de idade, acompanhando posteriormente a sua formação até à idade adulta.
Este episódio da vida de Mafrano evidencia uma dimensão de intercâmbio humano e cultural que atravessa a sua própria biografia, ligando experiências angolanas e são-tomenses na construção da sua formação.
A homenagem realizada em Londres recuperou, assim, uma parte dessa memória, aproximando diferentes comunidades africanas em torno da preservação e valorização do património cultural.
Mafrano e o reconhecimento nacional
A relevância da obra de Maurício Francisco Caetano ultrapassa o contexto da sua época e permanece associada à investigação das Ciências Humanas e Sociais em Angola.
O seu percurso foi distinguido com o Prémio Nacional de Cultura e Artes 2024, na modalidade de Investigação em Ciências Humanas e Sociais, reforçando o reconhecimento institucional do seu contributo para o conhecimento e documentação da sociedade e da cultura angolanas.
A apresentação do Volume III em Londres surge, neste contexto, como mais um momento de circulação internacional de uma memória intelectual que permanece ligada à identidade e ao património cultural de Angola.
Da memória familiar à projecção internacional
A continuidade da publicação da colectânea e a perspectiva de uma edição em língua inglesa apontam para uma nova etapa na divulgação do legado de Mafrano.
Mais do que recuperar uma figura de referência da investigação cultural angolana, o projecto editorial contribui para aproximar novas gerações e públicos internacionais de uma produção construída a partir da observação, da investigação e da valorização das culturas africanas.
A cerimónia de Londres revelou, simultaneamente, o interesse das comunidades da diáspora e a possibilidade de estabelecer novas pontes entre memória, investigação e circulação cultural.
NOTA CONCLUSIVA
A apresentação do terceiro volume da colectânea de Mafrano em Londres constituiu um momento de valorização da memória cultural e intelectual angolana no espaço da diáspora.
O interesse pela futura edição inglesa, o esgotamento dos exemplares disponíveis e a homenagem protagonizada pela comunidade são-tomense demonstram diferentes formas de recepção e continuidade de um legado que ultrapassa fronteiras.
Entre Angola, São Tomé e Príncipe e a diáspora africana, a trajectória de Mafrano permanece como um ponto de encontro entre investigação, memória, identidade e cultura.
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Alinhamento Editorial: Kikalakalu Kia Díbya | PRESSdigi.ao
CRÉDITOS
Fonte principal: Luisíndia Caetano Mafrano.
Reportagem: PRESSdigi — Especial Heranças Culturais.
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