Nova Iorque — O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu a soberania nacional, o fortalecimento da cooperação entre países e uma maior capacidade de resposta do sistema multilateral durante a sua intervenção na 81.ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque.
No discurso, realizado na terça-feira, 22 de Setembro, Lula afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”, ao abordar as relações da América Latina e das Caraíbas com as grandes potências e aquilo que descreveu como um recrudescimento de tendências hegemónicas.
A 81.ª sessão da Assembleia Geral reúne os 193 Estados-membros das Nações Unidas. O Debate Geral decorre entre 22 e 28 de Setembro, sob o tema “Restaurar a confiança, gerir a transformação: uma Organização das Nações Unidas que responda para todos”.
SOBERANIA E RELAÇÕES ENTRE OS PAÍSES
Ao abordar a realidade latino-americana, Lula destacou a importância da soberania dos Estados e defendeu relações internacionais assentes na cooperação e no desenvolvimento.
Segundo o Presidente brasileiro, a proximidade geográfica entre os países da América Latina e Caraíbas e os Estados Unidos constitui uma realidade permanente, mas não deve impedir a construção de relações diversificadas.
“Precisamos de parceiros com uma agenda positiva que fomente o desenvolvimento. Diferenças ideológicas não podem ser obstáculos para maior integração entre vizinhos”, afirmou.
A posição apresentada coloca a integração regional e a procura de parceiros para o desenvolvimento no centro da abordagem brasileira sobre as relações internacionais.
ELEIÇÕES BRASILEIRAS E DEBATE SOBRE DESINFORMAÇÃO
Durante a intervenção, Lula também fez referência às eleições gerais brasileiras previstas para 4 de Outubro de 2026.
O Tribunal Superior Eleitoral confirma que o primeiro turno ocorrerá nessa data, com eleições para Presidente e Vice-Presidente da República, Governadores, Senadores e Deputados Federais, Estaduais e Distritais. Um eventual segundo turno está marcado para 25 de Outubro.
No seu discurso, o Presidente brasileiro classificou o processo eleitoral como transparente e competitivo e destacou o papel das urnas electrónicas e da Justiça Eleitoral.
Lula também manifestou preocupação com a utilização de redes de desinformação durante a campanha, acusando determinados actores de procurarem associar-se a interesses estrangeiros que, segundo afirmou, seriam contrários aos interesses do país.
Estas declarações integram o posicionamento apresentado pelo próprio Presidente brasileiro no contexto da campanha eleitoral em curso.
SEGURANÇA E COMBATE À CRIMINALIDADE
Na área da segurança pública, Lula afirmou que o Brasil não subestima o problema e declarou que o país está preparado para enfrentar organizações criminosas.
A questão foi apresentada no contexto mais amplo da soberania nacional e das relações internacionais, incluindo referências às relações com os Estados Unidos.
O discurso procurou, assim, articular questões internas de segurança com a defesa da capacidade dos Estados de definirem as suas próprias políticas e prioridades.
CRÍTICAS AO CONSELHO DE SEGURANÇA
Outro dos principais pontos da intervenção esteve relacionado com o funcionamento das Nações Unidas e, particularmente, do Conselho de Segurança.
Lula criticou o que classificou como imobilismo do órgão e afirmou que os Estados permanecem condicionados por uma estrutura que, na sua avaliação, não responde adequadamente aos desafios internacionais.
O Presidente brasileiro declarou ainda que a credibilidade da ONU “nunca esteve tão baixa” e falou numa profunda crise de liderança.
As críticas surgem num momento em que a própria 81.ª Assembleia Geral tem como tema a recuperação da confiança nas instituições multilaterais e a gestão das transformações globais.
DIPLOMACIA COMO VIA PARA A RESOLUÇÃO DE CONFLITOS
Ao abordar os conflitos armados, Lula defendeu a diplomacia como instrumento para enfrentar as crises internacionais e afirmou que a guerra representa, nas suas palavras, a falência da política.
O Presidente brasileiro considerou que o mundo atravessa um período de elevado número de conflitos e defendeu que as Nações Unidas recuperem a sua função enquanto espaço de diálogo e promoção da paz.
A intervenção brasileira ocorreu numa Assembleia Geral cujo debate de 2026 está centrado precisamente no reforço da cooperação global, na paz, na dignidade e na igualdade.
O PAPEL HISTÓRICO DAS NAÇÕES UNIDAS
Lula recordou ainda o papel desempenhado pelas Nações Unidas ao longo das últimas oito décadas.
Na sua intervenção, mencionou contributos da organização para processos de descolonização, promoção dos direitos humanos, desenvolvimento sustentável, protecção de migrantes e refugiados e combate ao racismo, ao antissemitismo e à intolerância religiosa.
O Presidente brasileiro defendeu que a ONU deve recuperar a sua capacidade de actuar como espaço de diálogo entre os Estados e de protecção das populações mais vulneráveis.
A Assembleia Geral constitui o principal órgão deliberativo e representativo das Nações Unidas, reunindo os 193 Estados-membros, cada um com direito a um voto.
MUDANÇAS CLIMÁTICAS E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
As alterações climáticas também integraram o discurso brasileiro.
Lula criticou a circulação de desinformação sobre questões climáticas e defendeu a compatibilidade entre desenvolvimento económico e protecção ambiental.
A questão enquadra-se igualmente na agenda da actual Assembleia Geral, que inclui eventos de alto nível dedicados à acção climática, transição justa e implementação dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável.
BRASIL E O DEBATE SOBRE A ORDEM INTERNACIONAL
A intervenção de Lula na 81.ª Assembleia Geral colocou em evidência um conjunto de posições brasileiras sobre soberania, integração regional, diplomacia, conflitos armados, reforma do multilateralismo, alterações climáticas e desenvolvimento sustentável.
A tradicional abertura do Debate Geral pelo Brasil ocorre desde 1955 e mantém o país entre os primeiros Estados a apresentar anualmente as suas prioridades perante a Assembleia Geral.
Para o PRESSdigi.ao, o discurso insere-se num contexto internacional marcado pelo debate sobre a capacidade das instituições multilaterais responderem a conflitos, mudanças climáticas, transformações económicas e novas disputas geopolíticas.
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Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao
Classe / Tema: Política Internacional, Diplomacia, Soberania Nacional, Multilateralismo, Nações Unidas e Relações Internacionais
Fonte principal: Gira Notícias – Rede Girassol.
Fontes de enquadramento e confirmação: Nações Unidas, ONU Brasil e Tribunal Superior Eleitoral do Brasil.




