Diálogo Intergeracional de Alto Nível, realizado no âmbito da IV Bienal de Luanda, destaca a governação inclusiva, a cidadania e o acesso dos jovens às oportunidades de desenvolvimento sustentável.
O ministro das Relações Exteriores, Téte António, defendeu, na quinta-feira, 22 de outubro de 2026, em Luanda, o reforço da participação da juventude nos processos de consolidação da paz, prevenção de conflitos e desenvolvimento sustentável em África.
A posição foi apresentada durante o Diálogo Intergeracional de Alto Nível, realizado no quadro da IV edição da Bienal de Luanda — Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz e Não-Violência —, num debate dedicado à governação inclusiva e à articulação entre gerações para garantir o acesso sustentável à água e a sistemas de saneamento seguros, em alinhamento com os objetivos da Agenda 2063 da União Africana.
Governação inclusiva e participação juvenil
Na sua intervenção, o chefe da diplomacia angolana sublinhou a importância do fortalecimento das instituições do Estado e da criação de mecanismos que assegurem aos jovens oportunidades efetivas de participação nos processos de desenvolvimento.
A valorização da juventude, neste contexto, passa pela promoção de espaços de diálogo, pela inclusão nas decisões públicas e pelo incentivo ao envolvimento dos jovens na identificação de soluções para os desafios enfrentados pelas suas comunidades.
Esta abordagem reforça a importância de uma governação inclusiva, capaz de aproximar as instituições dos cidadãos e de reconhecer o contributo das novas gerações para a construção de sociedades mais estáveis, participativas e sustentáveis.
Juventude, prevenção de conflitos e consolidação da paz
Téte António alertou igualmente para a vulnerabilidade dos jovens perante os conflitos armados, observando que a juventude é, frequentemente, instrumentalizada e envolvida em contextos de violência.
Perante este cenário, o ministro destacou a necessidade de reforçar as políticas de prevenção de conflitos e de criar condições para que os jovens participem ativamente na promoção da paz, da reconciliação e da coesão social.
A inclusão juvenil nos processos de construção da paz constitui, assim, uma dimensão relevante para a estabilidade do continente africano, sobretudo quando acompanhada por oportunidades de formação, participação cívica e desenvolvimento socioeconómico.
Formação, informação e cidadania responsável
No domínio da capacitação, o responsável pelas Relações Exteriores defendeu a valorização da formação técnica e científica, bem como o acesso à informação e ao conhecimento sobre o funcionamento das instituições públicas.
Estes fatores foram apresentados como elementos fundamentais para uma participação cívica mais consciente, informada e responsável, permitindo aos jovens compreender os seus direitos, deveres e possibilidades de intervenção na vida pública.
O conhecimento dos mecanismos institucionais disponíveis é igualmente importante para que as novas gerações possam apresentar as suas preocupações, participar na procura de soluções e contribuir para a resolução dos problemas que afetam as comunidades.
Água, saneamento e Agenda 2063
O diálogo intergeracional decorreu sob o tema “Governança inclusiva: unir as gerações para garantir a disponibilidade sustentável de água e sistemas de saneamento seguros para alcançar os objectivos da Agenda 2063”.
A abordagem associa a participação juvenil aos desafios do desenvolvimento sustentável, destacando a necessidade de envolver diferentes gerações na definição de políticas e soluções para questões essenciais à qualidade de vida das populações.
O acesso sustentável à água e ao saneamento seguro integra uma agenda de desenvolvimento que exige instituições eficazes, participação comunitária e cooperação entre os diversos setores da sociedade.
Neste quadro, a inclusão dos jovens nos processos de decisão pode contribuir para ampliar a consciência cívica, estimular a inovação e fortalecer a responsabilidade coletiva perante os desafios sociais e ambientais.
Nota conclusiva | Juventude como força de transformação
A intervenção de Téte António na IV Bienal de Luanda reforça a importância de reconhecer a juventude como parceira estratégica na consolidação da paz e na construção do futuro africano.
Mais do que beneficiários das políticas públicas, os jovens devem dispor de condições concretas para participar na governação, contribuir para a prevenção de conflitos e intervir na transformação das suas comunidades. A concretização deste princípio depende do fortalecimento das instituições, do acesso ao conhecimento e da criação de oportunidades efetivas de participação e desenvolvimento.
Fonte principal: Ministério das Relações Exteriores da República de Angola (MIREX) — Gabinete de Comunicação Institucional e de Imprensa (GCII-MIREX), Luanda, 22 de outubro de 2026.
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