Curta-metragem de Paulo Idalécio, protagonizada por Mussunda N’zombo, cruza sátira, humor e absurdo para questionar o poder, a memória, a desigualdade e a fragilidade das identidades construídas sobre privilégios.
A curta-metragem de ficção angolana Sabes Quem Eu Sou?, escrita e realizada por Paulo Idalécio e produzida pela Uika Filmes, integra a programação do Festival Internacional de Cinema de Luanda (FIC Luanda 2026), que decorre de 28 de outubro a 2 de novembro.
Protagonizada pelo reconhecido artista angolano Mussunda N’zombo, com participações de Orlando Sérgio, Clélio Márcio, Augusto Ousmane, entre outros intérpretes, a obra propõe uma reflexão crítica sobre o poder, a memória e a forma como a sociedade reconhece — ou esquece — aqueles que, em determinado momento, ocuparam posições de influência.
Com 25 minutos de duração, o filme foi rodado em Luanda e coloca a capital angolana no centro de uma narrativa que cruza identidade, desigualdade social e relações de poder, num retrato cinematográfico que interpela o público sobre o valor individual para além dos privilégios.
Uma narrativa sobre o poder e a perda de reconhecimento
A história acompanha um homem que desperta no centro de Luanda, vestido de fato e gravata, desorientado e sem memória dos acontecimentos que o conduziram àquela situação.
Apesar de possuir documentos que indicam a sua posição de poder, o protagonista descobre que ninguém parece reconhecê-lo. Ao tentar recorrer à autoridade que anteriormente lhe permitia ultrapassar obstáculos e abrir portas, confronta-se com a indiferença da cidade.
Este encontro inesperado com uma realidade que já não responde aos seus privilégios constitui o eixo central da narrativa. A partir desta inversão de papéis, Sabes Quem Eu Sou? questiona a fragilidade do estatuto social e a dependência da identidade em relação ao reconhecimento público.
Entre a sátira, o humor e o absurdo, a curta-metragem convida à reflexão sobre uma sociedade que frequentemente atribui valor às pessoas em função da influência, da posição ocupada e dos benefícios associados ao poder.
Luanda como cenário e personagem
Filmada em Luanda, uma cidade marcada por contrastes, sonhos e utopias, a obra ultrapassa a dimensão de uma história individual para estabelecer uma relação direta com o contexto social angolano.
A capital surge como espaço de confrontação entre a imagem que o protagonista construiu de si próprio e a realidade que passa a enfrentar. A cidade torna-se, assim, parte integrante da narrativa, expondo desigualdades e questionando comportamentos sociais associados à autoridade e ao prestígio.
A proposta cinematográfica assume uma dimensão identitária ao colocar Angola e os seus cidadãos perante questões sobre memória coletiva, reconhecimento, dignidade e responsabilidade social.
Mais do que perguntar quem detém o poder, o filme procura interrogar o que permanece quando os sinais exteriores de influência deixam de produzir os efeitos habituais.
Percurso internacional e circulação em festivais
Antes da sua participação no FIC Luanda 2026, Sabes Quem Eu Sou? iniciou o seu percurso público com a antestreia nacional no festival “O Futuro Já Era”, promovido pelo Goethe-Institut Angola.
Em 2025, a curta-metragem integrou a 20.ª edição do Festival Cinémas d’Afrique Lausanne, na Suíça, e foi igualmente exibida no CinemAfrica, na Suécia.
A circulação internacional anunciada para 2026 inclui passagens pelo LusoMovies, em Roma, Itália, a 19 de março; pelo Luxor African Film Festival, no Egito, de 29 de março a 4 de abril; e pelo Watch Africa Film Festival, no País de Gales, Reino Unido, de 11 a 13 de junho.
A presença no FIC Luanda acrescenta uma nova oportunidade de contacto com o público nacional, reforçando a visibilidade de uma produção angolana que encontra no cinema uma linguagem para discutir questões sociais e humanas de alcance universal.
Produção e valorização do cinema nacional
Escrita e realizada por Paulo Idalécio, a obra é produzida pela Uika Filmes, com Blandine Klander como produtor, e conta com o apoio das produtoras Geração 80 e Associação KinoYetu.
A participação de artistas reconhecidos, associada à colaboração entre estruturas de produção cinematográfica, evidencia a importância das parcerias no desenvolvimento do audiovisual angolano e na criação de obras capazes de circular em diferentes contextos culturais.
A integração em festivais nacionais e internacionais contribui para aproximar realizadores, intérpretes, produtores e públicos, criando oportunidades de divulgação e de intercâmbio para o cinema produzido em Angola.
Nota conclusiva | Um espelho da sociedade através do cinema
Sabes Quem Eu Sou? apresenta-se como uma reflexão cinematográfica sobre a transitoriedade do poder e a necessidade de reconhecer o valor humano para além dos privilégios e das posições sociais.
Ao colocar Luanda no centro da narrativa, Paulo Idalécio constrói uma história que dialoga com a realidade angolana e, simultaneamente, com questões universais sobre identidade, memória e desigualdade.
A participação no FIC Luanda 2026 representa mais uma etapa do percurso da curta-metragem e uma oportunidade para o público refletir sobre uma pergunta que ultrapassa o título da obra: quem somos quando deixamos de ser reconhecidos pelo poder que um dia tivemos?
Ficha de referência da obra
- Título: Sabes Quem Eu Sou?
- Formato: Curta-metragem de ficção
- Duração: 25 minutos
- Argumento e realização: Paulo Idalécio
- Produção: Uika Filmes
- Produtor: Blandine Klander
- Protagonista: Mussunda N’zombo
- Participações: Orlando Sérgio, Clélio Márcio, Augusto Ousmane, entre outros
- Apoios: Geração 80 e Associação KinoYetu
- Festival em destaque: FIC Luanda 2026, de 28 de outubro a 2 de novembro
Informações e contactos para a imprensa
Instagram do filme: https://www.instagram.com/sabesquemeusou.filme/
Instagram da produtora: https://www.instagram.com/uikafilmes/
Correio eletrónico: saquesquemeusou.filme@gmail.com
Fonte principal: Correio da Kianda, com informações complementares da nota de imprensa de Sabes Quem Eu Sou? e dos materiais de divulgação da produção.
Reportagem PRESSdigi | Mussunda Zombo
Alinhamento Editorial por | Kikalakalu Kia Díbya
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