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“SONA 137”: CDC ANGOLA TRANSFORMA A SABEDORIA ANCESTRAL COKWE EM DANÇA CONTEMPORÂNEA

Inspirado nos desenhos tradicionais traçados na areia, o espectáculo de Ana Clara Guerra Marques e Andy Rodriguez questiona os mecanismos de submissão social e propõe uma reflexão sobre liberdade, tradição e relações humanas Luanda — A Companhia de Dança Contemporânea de Angola (CDC Angola) apresenta “Sona 137”, espectáculo integrado na sua Temporada 2026, que estabelece […]

Redação Digipress
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sexta-feira, 9 de outubro de 2026 às 11:49•Atualizado há cerca de 1 hora
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“SONA 137”: CDC ANGOLA TRANSFORMA A SABEDORIA ANCESTRAL COKWE EM DANÇA CONTEMPORÂNEA
Foto: DigiPress
“SONA 137”: CDC ANGOLA TRANSFORMA A SABEDORIA ANCESTRAL COKWE EM DANÇA CONTEMPORÂNEA

Inspirado nos desenhos tradicionais traçados na areia, o espectáculo de Ana Clara Guerra Marques e Andy Rodriguez questiona os mecanismos de submissão social e propõe uma reflexão sobre liberdade, tradição e relações humanas

Luanda — A Companhia de Dança Contemporânea de Angola (CDC Angola) apresenta “Sona 137”, espectáculo integrado na sua Temporada 2026, que estabelece um diálogo entre a sabedoria ancestral do povo Cokwe e as linguagens da dança contemporânea.

A criação inspira-se nos Sona, desenhos tradicionais traçados na areia, associados aos conhecimentos, à memória e às formas de transmissão cultural das comunidades Cokwe. A obra toma como referência específica o desenho número 137, registado pelo investigador Mário Fontinha na publicação de referência Desenhos na Areia dos Quiocos do Nordeste de Angola, de 1983.

A partir desta herança cultural, a companhia propõe uma abordagem artística que transporta para o palco questões relacionadas com a sociedade, o poder, a tradição e os caminhos que condicionam a liberdade individual e colectiva.

Da geometria ancestral à linguagem do corpo

A coreografia, assinada por Ana Clara Guerra Marques e Andy Rodriguez, desenvolve uma interpretação livre e contemporânea dos princípios visuais e simbólicos dos Sona.

Tal como as linhas dos desenhos podem formar percursos que se cruzam e se fecham sobre si mesmos, o espectáculo utiliza essa imagem como ponto de partida para questionar os caminhos sociais que, em vez de libertarem, podem aprisionar o indivíduo.

A dança transforma-se, assim, num espaço de reflexão sobre os mecanismos de submissão presentes na política, na religião, na tradição e nas relações humanas.

Mais do que reproduzir uma referência ancestral, “Sona 137” procura reinterpretá-la através do movimento, da composição cénica e da expressão corporal, aproximando o património cultural de questões que permanecem actuais.

Ancestralidade, identidade e pensamento crítico

Os Sona representam uma importante expressão do conhecimento tradicional Cokwe, reunindo elementos gráficos, narrativos e simbólicos transmitidos entre gerações.

Ao incorporar esta referência numa criação contemporânea, a CDC Angola contribui para ampliar as possibilidades de interpretação artística do património africano, demonstrando como os conhecimentos ancestrais podem dialogar com novas linguagens sem perder a sua relevância cultural.

A proposta coloca igualmente em evidência o papel das artes cénicas na preservação da memória e na criação de espaços de questionamento sobre a realidade social.

A música como ponte entre tradição e contemporaneidade

A composição sonora original é assinada por David López Sáez e combina a sonoridade do cisanji, instrumento musical tradicional, com ambientes sonoros contemporâneos.

Esta combinação estabelece uma relação entre referências musicais de matriz tradicional e recursos sonoros actuais, acompanhando a proposta coreográfica e contribuindo para a construção da identidade estética do espectáculo.

O diálogo entre movimento, música e património reforça a dimensão multidisciplinar da criação, na qual diferentes elementos artísticos convergem para desenvolver uma experiência cénica integrada.

Elinga Teatro acolhe a Temporada 2026

O espectáculo está programado para o Elinga Teatro, em Luanda, no âmbito da Temporada 2026 da CDC Angola.

Informações sobre as apresentações:

  • Local: Elinga Teatro, Luanda
  • Período anunciado: 1 a 18 de Outubro de 2026
  • Dias: Quintas-feiras, sextas-feiras, sábados e domingos
  • Horário: 19h00
  • Reservas: 959 055 490 | 925 155 887
  • E-mail: cdcangola.geral@gmail.com

Para confirmação de sessões, disponibilidade e condições de acesso, recomenda-se o contacto directo com a companhia.

Nota conclusiva

Com “Sona 137”, a Companhia de Dança Contemporânea de Angola reafirma o potencial da criação artística como espaço de encontro entre ancestralidade e contemporaneidade.

Ao partir dos desenhos tradicionais Cokwe para questionar as estruturas que condicionam a liberdade humana, a obra propõe uma leitura crítica da sociedade e valoriza o património cultural como fonte de inspiração, conhecimento e transformação.

A criação evidencia, assim, a importância de manter vivas as referências culturais angolanas, não apenas como testemunhos do passado, mas também como matéria activa para novas narrativas artísticas e para a afirmação da identidade cultural no presente.

Créditos: CDC Angola | Companhia de Dança Contemporânea de Angola | Jorge António
Alinhamento Editorial: Kikalakalu Kia Díbya
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao

Fontes principais: Companhia de Dança Contemporânea de Angola (CDC Angola) e Jornal de Angola.

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