Tchianda ganha novo palco em Luanda com estreia de concurso dedicado à dança do Leste

CULTURA | DANÇA & PATRIMÓNIO
A IV edição do projecto cultural Reunião Familiar – Festa da Tchianda introduziu novas dinâmicas de valorização e transmissão deste género tradicional do Leste de Angola, com a estreia de um concurso de dança Tchianda e de uma sessão dedicada à evolução do ensino da modalidade dentro e fora do país.
Realizado no espaço cultural Prova d’Art, em Luanda, o encontro voltou a reunir membros da comunidade Cokwe, bailarinos, artistas, promotores culturais e apreciadores das manifestações culturais do Leste de Angola, num ambiente marcado pela celebração da identidade, memória e continuidade cultural.
Tchianda entre tradição e novas linguagens
A edição procurou aproximar a Tchianda das dinâmicas culturais contemporâneas, criando um espaço de encontro entre a tradição e novas formas de expressão artística.
As exibições de Sama Madá e Abiude Mwanakatchokwe contribuíram para uma noite de forte participação do público, que acompanhou as performances ao ritmo da música e da dança tradicional.
A iniciativa voltou a colocar em evidência a capacidade da Tchianda de mobilizar diferentes gerações e de permanecer presente nas manifestações culturais urbanas.
Ensino da dança ganha espaço dentro e fora de Angola
Outro momento de destaque foi o testemunho das professoras Rosiany Sofira e Bráulia Chieta, que partilharam experiências sobre o ensino da dança e a evolução do interesse pela aprendizagem da Tchianda.
As profissionais apontaram para um crescimento do interesse pela modalidade, tanto em Angola como além-fronteiras, sinalizando novas possibilidades para a transmissão e profissionalização deste património artístico.
A discussão reforçou a importância da formação, documentação e transmissão do conhecimento como instrumentos para garantir a continuidade das manifestações culturais tradicionais.
“Batalha das Gigantes” leva a Tchianda às redes sociais
A grande novidade da edição foi a estreia da “Batalha das Gigantes”, concurso de dança protagonizado pelas bailarinas e influenciadoras digitais Kioka Fina, do Moxico, e Stefany Soleny, da Lunda-Sul.
O desafio terminou empatado, mas cumpriu o propósito de criar uma nova plataforma de divulgação da Tchianda, aproximando a dança das linguagens digitais e das comunidades que acompanham conteúdos culturais através das redes sociais.
As participantes consideraram a iniciativa uma oportunidade de troca de experiências, aprendizagem e promoção do estilo, destacando a transformação da percepção pública sobre a Tchianda.
“Para mim, este momento representa uma oportunidade de troca de experiências, onde tenho o privilégio de mostrar o meu trabalho e aprender mais sobre este estilo”, afirmou Kioka Fina, após o empate na competição.
Redes digitais ampliam visibilidade da dança do Leste
As bailarinas destacaram igualmente o papel das redes sociais na expansão do conhecimento sobre a Tchianda.
Segundo as participantes, o estilo enfrentou períodos de menor reconhecimento, mas a persistência dos promotores culturais, aliada à produção e circulação de conteúdos digitais, tem contribuído para ampliar a sua recepção dentro e fora de Angola.
A convergência entre dança tradicional, produção cultural e comunicação digital apresenta-se, assim, como uma das novas ferramentas para a preservação e promoção do património cultural angolano.
Turma do Futuro mantém tradição de espectáculo
A programação contou ainda com o habitual espectáculo da companhia e escola Turma do Futuro, mantendo uma das componentes artísticas que têm caracterizado a Festa da Tchianda.
A presença da companhia reforçou a dimensão formativa e performativa do encontro, reunindo diferentes expressões da dança em torno da valorização da Tchianda.
Um projecto nascido para aproximar gerações
Criada em Novembro de 2024, a Festa da Tchianda teve a sua estreia com a participação de expoentes do género, entre os quais Gabriel Tchiema e Santos Católica.
O projecto nasceu com o propósito de aproximar a Tchianda das dinâmicas culturais urbanas de Luanda, particularmente das tradicionais festas de quintal, criando um espaço de convivência entre tradição, comunidade e novas gerações.
Desde então, a iniciativa tem vindo a afirmar-se como ponto de encontro de bailarinos, coreógrafos, artistas e comunidade, contribuindo para a valorização, divulgação e transmissão da Tchianda.
Património cultural em movimento
A introdução de um concurso de dança e a participação de jovens criadores ligados às plataformas digitais demonstram uma tentativa de encontrar novas formas de fazer circular uma expressão cultural tradicional sem perder a sua identidade.
Para além do espectáculo, a Festa da Tchianda coloca em debate questões fundamentais para a continuidade das manifestações culturais angolanas: quem transmite, quem aprende, quem documenta e como as novas gerações podem transformar a tradição em linguagem contemporânea.
A experiência da IV edição reforça, assim, a Tchianda como uma expressão cultural capaz de atravessar gerações, territórios e plataformas, mantendo viva a ligação entre memória, identidade, dança e comunidade.
REDE NACIONAL | Fonte principal: Jornal de Angola
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao
Classe/Tema: CULTURA | DANÇA | PATRIMÓNIO CULTURAL | IDENTIDADE & TRADIÇÃO
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