A 15.ª edição da Feira Internacional de Benguela (FIB) transformou o Estádio Nacional de Ombaka num espaço de encontro entre actividade económica, cultura e manifestações do património imaterial angolano.
Durante os cinco dias do certame, realizado de 9 a 13 de Setembro de 2026, grupos de dança tradicional apresentaram diferentes expressões culturais da província, despertando a atenção de visitantes, turistas e participantes da feira.
Entre as manifestações apresentadas estiveram a dança do caçador, chipuete, dança da cura, kongo, caviulas e outras expressões tradicionais, interpretadas por grupos provenientes de diferentes municípios de Benguela.
CULTURA TRADICIONAL COMO ATRACÇÃO DO CERTAME
A programação cultural contou com a participação de grupos como Tchingandji, Irene Cohen, do município do Cubal, e um grupo da Catumbela.
O Balé Bismas das Acácias assumiu igualmente um papel de destaque na programação, tendo participado desde o primeiro dia e encerrado as actividades culturais da feira.
Segundo Deolinda Trindade, directora do grupo, as apresentações tiveram como propósito contribuir para a promoção e valorização da cultura nacional, aproximando o público das diferentes expressões tradicionais.
A responsável destacou ainda a interacção entre os grupos culturais e os visitantes, incluindo turistas estrangeiros, num ambiente que permitiu o contacto directo com a dança, a música e outras manifestações artísticas.
DANÇA, MÚSICA E INTERACÇÃO COM O PÚBLICO
A programação cultural da FIB integrou diferentes estilos musicais e manifestações artísticas.
Durante os cinco dias do evento, vários músicos actuaram nos stands, contribuindo para a animação do recinto. Entre os artistas esteve o músico DJ Loló, juntamente com outros intérpretes.
Para os grupos participantes, a adesão do público ultrapassou as expectativas, com visitantes nacionais e estrangeiros a interagirem com as apresentações de dança tradicional e com os artistas presentes.
A dinâmica cultural contribuiu para transformar o certame num espaço de contacto entre visitantes e diferentes expressões da cultura angolana.
RESGATE DE DANÇAS EM RISCO DE DESAPARECIMENTO
Para além das apresentações públicas, o Balé Bismas das Acácias desenvolve um trabalho de pesquisa, preservação e recuperação de manifestações tradicionais que, segundo a direcção do grupo, deixaram de ser praticadas com a mesma frequência de outros tempos.
Entre as expressões que integram esse processo estão o tchingandji, chiquete, kongo, danças das caviulas e uguendje, além da dança do caçador e outras manifestações do repertório tradicional.
O trabalho procura recuperar conhecimentos e práticas culturais e assegurar a sua transmissão às gerações mais jovens.
TRANSMISSÃO INTERGERACIONAL DO PATRIMÓNIO
A formação de jovens constitui uma das componentes do trabalho desenvolvido pelo grupo.
Deolinda Trindade explicou que os integrantes mais antigos têm transmitido os conhecimentos e o legado cultural aos mais novos, numa dinâmica de continuidade entre gerações.
Com 42 anos de actividade, o Balé Bismas das Acácias conta actualmente com 36 integrantes e mantém uma aposta na formação de jovens como forma de garantir a continuidade do grupo e das manifestações culturais que preserva.
Esta transmissão intergeracional permite que conhecimentos ligados à dança, à música, ao teatro e a outras expressões culturais permaneçam activos e possam ser reinterpretados pelas novas gerações.
CULTURA PARA ALÉM DA DANÇA
A actividade do Balé Bismas das Acácias ultrapassa a apresentação de danças tradicionais.
O grupo mantém igualmente uma vertente de pesquisa da cultura tradicional e uma escola de Carnaval, denominada Bloco Amarelo, criada no seio da organização.
O projecto desenvolve ainda actividades relacionadas com o teatro e a música, ampliando o campo de intervenção artística e cultural da organização.
PATRIMÓNIO CULTURAL COMO MEMÓRIA VIVA
A participação dos grupos tradicionais na FIB evidencia o papel dos eventos públicos na aproximação entre património cultural e sociedade.
Mais do que momentos de entretenimento, as apresentações permitem colocar em circulação conhecimentos, ritmos, coreografias e memórias que fazem parte da diversidade cultural angolana.
O trabalho de recuperação desenvolvido pelo Balé Bismas das Acácias demonstra igualmente a importância da pesquisa e da transmissão de saberes para evitar que manifestações culturais deixem de ser praticadas e conhecidas pelas novas gerações.
Neste contexto, a dança tradicional permanece como uma linguagem de identidade, memória, continuidade e afirmação cultural, aproximando gerações e criando novas possibilidades de diálogo entre tradição, turismo e contemporaneidade.
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Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao
Classe / Tema: Cultura, Património Cultural, Dança Tradicional, Turismo e Memória
Fonte principal: RFI, com base em informação publicada pelo JA Online.




