UNITEL investiga possível ligação entre ataque cibernético e processo de entrada na BODIVA

ECONOMIA | TECNOLOGIA | CIBERSEGURANÇA
Operadora admite que coincidência temporal com admissão das acções à Bolsa integra uma das hipóteses em análise
A UNITEL admitiu que o ataque cibernético registado na madrugada de 28 de Julho poderá estar relacionado com o processo de admissão das acções da empresa à negociação na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA), esclarecendo, contudo, que esta possibilidade faz parte das investigações em curso e ainda não constitui uma conclusão definitiva.
Num comunicado divulgado pela operadora, a empresa refere que a proximidade entre o incidente informático e o início da negociação das suas acções levanta uma hipótese que está a ser analisada pelas equipas especializadas.
“A Unitel não pode deixar de notar a coincidência temporal entre o incidente e a véspera do início da negociação das Acções, pelo que não exclui, entre as hipóteses em avaliação, tratar-se de um ataque deliberado e dirigido, com o possível intuito de perturbar o processo de admissão das acções à negociação.”
Ataque afectou comunicações em todo o país
O incidente provocou constrangimentos significativos nos serviços móveis de voz, dados e acesso à Internet, afectando clientes particulares, empresas e diversas actividades económicas em todo o território nacional.
Apesar da interrupção registada na rede móvel, a UNITEL esclareceu que os serviços fixos de telecomunicações suportados por fibra óptica e feixes hertzianos permaneceram operacionais durante todo o período do incidente.
A situação teve impacto em vários sectores que dependem das comunicações electrónicas, obrigando muitos utilizadores a recorrer temporariamente a soluções alternativas.
Equipas activaram protocolos de resposta
Segundo a empresa, logo após a detecção do ataque foram activados os protocolos internos de resposta, contenção e mitigação de incidentes de cibersegurança.
A operadora informa que mobilizou equipas técnicas especializadas e todos os recursos disponíveis para assegurar a recuperação progressiva dos serviços, acrescentando que o incidente se encontra actualmente controlado.
A empresa reafirma igualmente possuir sistemas permanentes de monitorização, planos de continuidade de negócio e mecanismos de protecção cibernética, embora reconheça tratar-se de um dos maiores incidentes tecnológicos enfrentados pela organização.
Recuperação da rede avança em várias províncias
A normalização dos serviços iniciou-se de forma gradual a partir das 11h45 do dia 29 de Julho, permitindo a reposição parcial da rede móvel em diversas províncias.
Entre as localidades abrangidas pela recuperação encontram-se Luanda, Bengo, Benguela, Huambo, Huíla, Namibe, Malanje, entre outras regiões, onde os serviços de voz, Internet e transmissão de dados começaram progressivamente a ser restabelecidos.
A UNITEL assegura que continuará a trabalhar até à reposição integral da normalidade em todo o território nacional.
Cibersegurança ganha maior relevância no sector das telecomunicações
O incidente volta a colocar em evidência a importância da cibersegurança para a protecção das infra-estruturas críticas de telecomunicações, sobretudo num contexto de crescente transformação digital e de maior integração dos mercados financeiros.
A entrada das acções da UNITEL na BODIVA representa um marco relevante para o mercado de capitais angolano, razão pela qual a operadora mantém todas as linhas de investigação abertas até ao completo esclarecimento das circunstâncias que envolveram o ataque.
Enquanto decorrem as averiguações técnicas, a empresa reafirma o compromisso de manter os clientes informados sobre a evolução da recuperação dos serviços e sobre os resultados das investigações em curso.
Fonte Principal: REDE NACIONAL | Jornal de Angola
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao
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