Angola AIR apresenta dois Open Studios e aproxima artistas internacionais da cena cultural de Luanda
Akaiu Collective, do Brasil e Moçambique, e o artista brasileiro Caio Luiz partilham os resultados de quatro semanas de investigação e criação artística em Luanda, nos dias 5 e 6 de Novembro, no Museu Nacional de Antropologia.
O programa Angola AIR (Artist-in-Residency) promove, esta semana, dois encontros de Open Studio, destinados à apresentação pública dos processos de investigação, experimentação e criação desenvolvidos por artistas internacionais durante as suas residências artísticas em Luanda.
As sessões terão lugar no pequeno auditório do Museu Nacional de Antropologia, na Baixa de Luanda, com entrada livre, e reúnem o Akaiu Collective, formado por Victoria Santos (Brasil) e Luis Santos (Moçambique), e o artista visual brasileiro Caio Luiz.
Mais do que momentos de exposição de resultados, os encontros pretendem proporcionar ao público uma aproximação aos percursos criativos, às experiências de imersão e às reflexões construídas pelos artistas a partir do contacto com os contextos sociais, culturais e artísticos angolanos.
Angola AIR | Oito anos a construir pontes através da arte
Sediado em Luanda, o Angola AIR é um programa de residências artísticas destinado a criadores não angolanos, com oito anos de actividade. A iniciativa foi concebida como uma plataforma de diálogo, intercâmbio e reflexão entre Angola e os países de origem dos artistas convidados.
O programa proporciona condições para o desenvolvimento de processos de investigação e criação artística em território angolano, incentivando a produção de novos trabalhos que possam posteriormente integrar exposições, galerias e circuitos culturais nos países de origem dos residentes ou noutras plataformas internacionais.
A sua actuação envolve a colaboração com artistas locais, curadores, galerias, instituições culturais e coleccionadores. Durante as residências, os participantes têm acesso a ateliers, espaços culturais e profissionais do sector, além de momentos de acompanhamento individual e partilha de experiências.
Os ateliers do programa estão localizados em duas zonas da capital: Chamavo e Vila Alice.
Intercâmbio internacional | 27 artistas recebidos em oito anos
Ao longo do seu percurso, o Angola AIR recebeu 27 artistas provenientes de diferentes geografias, incluindo São Tomé e Príncipe, Alemanha, Canadá, Estados Unidos da América, Quénia, França, Guiné-Bissau, Nigéria, África do Sul, Burkina Faso, República Democrática do Congo, Argentina, Zimbabué, Moçambique e Brasil.
O Brasil destaca-se como o país de origem de mais de metade dos artistas residentes, com 14 participantes no total, evidenciando a relevância do intercâmbio artístico e cultural entre os dois países.
Esta diversidade de proveniências contribui para a circulação de experiências, linguagens e perspectivas, reforçando Luanda como espaço de encontro entre diferentes práticas artísticas e referências culturais.
Quinta-feira, 5 de Novembro | Akaiu Collective: identidade, corpo e resistência
18H00 · PEQUENO AUDITÓRIO DO MUSEU NACIONAL DE ANTROPOLOGIA
O primeiro Open Studio realiza-se na quinta-feira, 5 de Novembro, às 18h00, com o Akaiu Collective, constituído pelos artistas Victoria Santos, do Brasil, e Luis Santos, de Moçambique.
A apresentação será acompanhada por uma conversa aberta sobre a experiência da residência, a investigação desenvolvida em Angola e os processos criativos que deram origem ao trabalho do colectivo. A sessão será moderada pelo artista angolano multidisciplinar Hélio Buite.
O nome Aka îu, que significa «cajueiro» em português brasileiro, tem origem numa palavra tupi-guarani associada a uma espécie nativa da América do Sul. A escolha desta designação assume uma dimensão afectiva e política, estabelecendo uma relação simbólica entre as lutas dos povos indígenas e as comunidades da diáspora africana, historicamente marcadas por processos de deslocamento e opressão.
A partir desta referência, o colectivo desenvolve uma prática contracolonial que questiona normas de género, estruturas patriarcais, narrativas hegemónicas e sistemas imperiais de poder.
Enquanto artistas queer, Victoria Santos e Luis Santos partem das suas experiências e identidades dissidentes e não normativas para explorar questões relacionadas com intimidade, sexualidade, monogamia, masculinidades, racismo e colonialidade.
A sua produção cruza performance, fotografia, vídeo, escultura e colagem, transformando situações quotidianas, objectos e gestos em instrumentos de reflexão crítica e poética. O trabalho procura desafiar fronteiras entre o privado e o público, o lúdico e o político, o visível e o invisível.
Sexta-feira, 6 de Novembro | Caio Luiz: território, memória e periferia
“secondary” weight=”medium” 18H00 · PEQUENO AUDITÓRIO DO MUSEU NACIONAL DE ANTROPOLOGIA
O segundo encontro acontece na sexta-feira, 6 de Novembro, também às 18h00, com o artista visual brasileiro Caio Luiz, nascido em 1998, que vive e trabalha no bairro da Posse, em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro.
A conversa será moderada pelos artistas angolanos Oksanna Dias e Francisco Baiano, estudantes do quarto e último ano da Faculdade de Artes da Universidade de Luanda, no curso de Artes Visuais. Ambos concluíram recentemente um estágio de dois meses na galeria ELA – Espaço Luanda Arte.
A produção de Caio Luiz parte da realidade da Baixada Fluminense, apresentando perspectivas que procuram ultrapassar as representações frequentemente associadas à tragédia, à exclusão e à marginalidade.
Através do mapeamento de espaços, pessoas e paisagens do seu território, o artista procura revelar a complexidade da experiência periférica, destacando a vitalidade, a beleza e a capacidade de transformação das comunidades.
Na sua prática, materiais como terra, cimento, areia e zinco assumem uma dimensão simbólica e material. Estes elementos evocam os processos de construção, sobrevivência e transformação urbana, ao mesmo tempo que revelam as tensões entre a expansão das cidades e os espaços naturais.
A pintura ocupa um lugar central no seu trabalho, incorporando registos fotográficos, memórias pessoais e, frequentemente, terra recolhida no próprio território. Esta utilização estabelece uma ligação física e simbólica entre a obra e o lugar de origem do artista.
A sua investigação artística propõe, assim, uma reflexão sobre questões sociais, geográficas e ambientais, colocando as periferias no centro da narrativa contemporânea.
Quatro semanas em Luanda | Investigação, experimentação e partilha
As duas residências decorreram ao longo de quatro semanas, período durante o qual os artistas desenvolveram processos de pesquisa, descoberta, experimentação e diálogo com a cidade.
O contacto com diferentes contextos sociais e culturais, bem como com artistas e agentes da cena artística angolana, integrou o percurso de investigação e criação de cada participante.
Os Open Studios representam o momento de partilha pública destas experiências, permitindo conhecer os trabalhos desenvolvidos e compreender os encontros, as inquietações e as referências que influenciaram os respectivos processos criativos.
A iniciativa dirige-se a jornalistas, artistas, curadores, estudantes, coleccionadores e a todos os interessados na arte contemporânea, proporcionando uma oportunidade de contacto directo com os artistas e com os bastidores de uma experiência internacional de imersão artística em Luanda.
Serviço | Datas, local e informações
Evento: Open Studios Angola AIR – Artist-in-Residency
Primeira sessão: Quinta-feira, 5 de Novembro de 2026, às 18h00 — Akaiu Collective
Segunda sessão: Sexta-feira, 6 de Novembro de 2026, às 18h00 — Caio Luiz
Local: Pequeno Auditório do Museu Nacional de Antropologia
Endereço: Rua Friedrich Engels, n.º 51, Baixa de Luanda
Entrada: Livre
Nota conclusiva | Luanda como território de criação e intercâmbio
Ao longo de oito anos, o Angola AIR tem procurado afirmar a residência artística como instrumento de aproximação entre culturas, promovendo o contacto de criadores internacionais com as realidades locais e incentivando novas formas de interpretação da experiência angolana.
Os dois encontros desta semana evidenciam a diversidade de abordagens que podem nascer desse diálogo: de um lado, as questões de identidade, corpo e resistência exploradas pelo Akaiu Collective; do outro, a relação entre território, memória e periferia presente no trabalho de Caio Luiz.
A abertura destes processos ao público reforça a importância dos espaços de partilha, da circulação de conhecimento e da construção de pontes culturais entre Angola e o mundo através da arte.
ANGOLA AIR — Oito anos a criar pontes entre Angola e o mundo através da arte.
Fonte principal: Angola AIR (Artist-in-Residency) — comunicado de imprensa e agenda artística, datado de 4 de Novembro de 2026, assinado por Dominick A. Maia Tanner, Coordenador do programa.
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