Em Nova Iorque, ministra do Ambiente destaca vulnerabilidade da costa angolana e apresenta prioridades para uma transição energética justa
CLIMA, ENERGIA E DESENVOLVIMENTO
A ministra do Ambiente, Ana Paula Pereira, apresentou, em Nova Iorque, a visão de Angola sobre uma transição energética justa, defendendo uma abordagem capaz de conciliar a acção climática com as necessidades de desenvolvimento económico e social do país.
A posição foi apresentada durante reuniões de alto nível realizadas no âmbito da 81.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, com destaque para os impactos associados à elevação do nível do mar e para as prioridades energéticas de Angola.
Na perspectiva apresentada pela governante, a resposta às alterações climáticas deve estar articulada com a segurança energética, a redução das desigualdades e a melhoria das condições de vida das populações.
ELEVAÇÃO DO NÍVEL DO MAR E VULNERABILIDADE COSTEIRA
Durante a reunião de Alto Nível sobre a Elevação do Nível do Mar, Ana Paula Pereira alertou para os impactos que este fenómeno já representa para populações, cidades, ecossistemas e economias.
A ministra defendeu uma resposta integrada que permita proteger as comunidades costeiras, as infra-estruturas e os meios de subsistência das populações.
O problema assume particular relevância para países com extensas zonas costeiras de baixa altitude e para os pequenos Estados insulares em desenvolvimento, considerados entre os territórios mais expostos aos efeitos da elevação do nível do mar.
OS CERCA DE 1.650 QUILÓMETROS DE COSTA DE ANGOLA
Para Angola, a questão apresenta uma dimensão estratégica devido aos cerca de 1.650 quilómetros de litoral atlântico.
Ao longo desta faixa encontram-se comunidades, centros urbanos, portos, infra-estruturas energéticas e de transporte, actividades pesqueiras e diferentes ecossistemas costeiros.
Segundo a abordagem apresentada pela ministra, a combinação entre elevação do nível médio do mar, erosão costeira, inundações, tempestades e intrusão salina poderá aumentar a exposição das comunidades e infra-estruturas nacionais.
Estes factores representam igualmente riscos para a segurança alimentar e para diferentes actividades económicas ligadas às zonas costeiras.
ENGENHARIA, CIÊNCIA E SOLUÇÕES BASEADAS NA NATUREZA
Perante os riscos identificados, Angola defendeu uma estratégia que combine engenharia, ciência e soluções baseadas na natureza.
A proposta procura contribuir para uma maior segurança das zonas costeiras e para o reforço da capacidade de adaptação das comunidades aos impactos das alterações climáticas.
A ministra enquadrou ainda o litoral como um espaço que, além dos desafios ambientais, apresenta oportunidades relacionadas com a Economia Azul, conceito que associa os recursos e actividades dos espaços marítimos ao desenvolvimento sustentável.
TRANSIÇÃO ENERGÉTICA E DIVERSIFICAÇÃO ECONÓMICA
Noutra reunião de Alto Nível sobre Acção Climática e Transição Justa, convocada pelo Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, Ana Paula Pereira apresentou as prioridades energéticas de Angola, em representação do Presidente da República, João Lourenço.
Na ocasião, defendeu que a transição energética deve ser acompanhada por políticas orientadas para a segurança energética e o desenvolvimento social.
Para Angola, a transição foi apresentada também como uma oportunidade para diversificar a economia, criar emprego, desenvolver novas cadeias de valor e promover a industrialização.
MATRIZ ENERGÉTICA ANGOLANA
De acordo com os dados apresentados pela ministra, Angola alcançou, em 2024, uma capacidade instalada de geração de 6.284 megawatts.
A matriz indicada era composta por:
- 60% de energia hidroeléctrica;
- 34% de energia térmica;
- 5% de energia solar;
- 1% de geração híbrida.
Os dados apresentados permitem enquadrar a discussão sobre a transição energética a partir da actual composição da capacidade instalada de geração eléctrica no país.
ENTRE ACÇÃO CLIMÁTICA E DESENVOLVIMENTO
As intervenções de Angola nas reuniões de alto nível das Nações Unidas colocaram em articulação duas dimensões do debate climático: a necessidade de responder aos riscos ambientais e, simultaneamente, assegurar condições para o desenvolvimento económico e social.
A protecção da costa, a segurança energética, a diversificação económica e o aproveitamento sustentável dos recursos marítimos surgem, neste contexto, como componentes de uma agenda que procura relacionar resiliência climática e desenvolvimento.
NOTA CONCLUSIVA
A participação de Angola nas discussões de alto nível das Nações Unidas colocou em evidência desafios directamente relacionados com o território nacional, desde a vulnerabilidade da extensa costa atlântica aos processos de transição do sistema energético.
A posição apresentada pela ministra do Ambiente defende uma abordagem integrada, na qual a acção climática esteja associada à protecção das comunidades, à segurança energética, à diversificação económica e à criação de novas oportunidades de desenvolvimento.
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