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ANGOLA E NAMÍBIA AVANÇAM NA DEFINIÇÃO DO FINANCIAMENTO DA BARRAGEM BINACIONAL DE BAYNES

Avaliado em cerca de 1,5 mil milhões de dólares e projectado para produzir 860 megawatts, o empreendimento hidroeléctrico no rio Cunene deverá reforçar a segurança energética dos dois países e aprofundar a integração eléctrica na África Austral. Os governos de Angola e da Namíbia estão a avançar na definição do modelo de financiamento para a […]

Redação Digipress
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sábado, 17 de outubro de 2026 às 11:28
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ANGOLA E NAMÍBIA AVANÇAM NA DEFINIÇÃO DO FINANCIAMENTO DA BARRAGEM BINACIONAL DE BAYNES
Foto: DigiPress
ANGOLA E NAMÍBIA AVANÇAM NA DEFINIÇÃO DO FINANCIAMENTO DA BARRAGEM BINACIONAL DE BAYNES

Avaliado em cerca de 1,5 mil milhões de dólares e projectado para produzir 860 megawatts, o empreendimento hidroeléctrico no rio Cunene deverá reforçar a segurança energética dos dois países e aprofundar a integração eléctrica na África Austral.

Os governos de Angola e da Namíbia estão a avançar na definição do modelo de financiamento para a construção do Aproveitamento Hidroeléctrico Binacional de Baynes, um projecto estratégico previsto para o rio Cunene, na zona fronteiriça entre os dois países.

O processo foi analisado esta sexta-feira, em Luanda, durante um encontro entre o ministro da Energia e Águas de Angola, João Baptista Borges, e o ministro da Indústria, Minas e Energia da Namíbia, Modestus Amutse. A reunião centrou-se nos progressos alcançados, nas opções de financiamento e nas medidas necessárias para passar da fase de desenvolvimento à execução da obra.

INVESTIMENTO E CAPACIDADE DE PRODUÇÃO ENERGÉTICA

O empreendimento está orçado em aproximadamente 1,5 mil milhões de dólares e foi projectado para uma capacidade instalada de 860 megawatts (MW), destinada a reforçar o abastecimento de electricidade em Angola e na Namíbia.

Segundo João Baptista Borges, o montante previsto abrange a construção da barragem principal e os mecanismos de regulação do caudal a jusante, com o objectivo de mitigar os impactos ambientais associados aos períodos de maior descarga de água.

O governante esclareceu que o orçamento não inclui infra-estruturas complementares, nomeadamente linhas de transmissão e estradas de acesso, que deverão ser desenvolvidas individualmente por cada país.

A distinção entre os custos da barragem e os investimentos associados será relevante para a definição dos compromissos financeiros de cada Estado e para o planeamento das etapas necessárias à entrada em funcionamento do empreendimento.

MODELO DE FINANCIAMENTO E PARTICIPAÇÃO PÚBLICA

Por se tratar de uma infra-estrutura de elevado investimento de capital, os dois governos decidiram adoptar um modelo de implementação pública, segundo explicou Modestus Amutse.

A opção pretende facilitar a mobilização dos recursos necessários à construção e contribuir para que a energia produzida possa ser disponibilizada aos consumidores a tarifas competitivas e acessíveis.

O ministro namibiano defendeu a necessidade de acelerar a transição dos estudos para a fase de construção, sublinhando a importância do projecto para a sustentabilidade do sector energético do seu país, que continua a depender da importação de electricidade.

Entre os parceiros e mecanismos de apoio mencionados no encontro estão as empresas públicas de electricidade dos dois países, o Pool de Energia da África Austral (SAPP), o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), o Fundo Sueco, o Fundo Coreano e a Facilidade Africana de Apoio Jurídico.

A concretização do financiamento dependerá da articulação institucional, da mobilização efectiva dos recursos e da definição de responsabilidades, prazos e condições de execução.

INTERLIGAÇÃO ELÉCTRICA E INTEGRAÇÃO NA ÁFRICA AUSTRAL

A produção de energia em Baynes deverá ser acompanhada pelo desenvolvimento das ligações necessárias para transportar a electricidade até aos sistemas nacionais.

Neste contexto, João Baptista Borges destacou o projecto de interligação Angola–Namíbia, conhecido como ANNA, e o desenvolvimento da futura subestação da Cahama, considerados elementos importantes para a integração das redes eléctricas.

A ligação entre os sistemas nacionais poderá facilitar a circulação de energia entre os dois países e criar condições para uma participação mais efectiva nos mercados regionais.

A iniciativa enquadra-se nos esforços de cooperação energética na África Austral, onde a expansão das infra-estruturas de produção e transmissão é determinante para melhorar a segurança do abastecimento e reforçar a capacidade de resposta às necessidades de consumo.

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS DA BARRAGEM

De acordo com os dados técnicos preliminares apresentados, o Aproveitamento Hidroeléctrico Binacional de Baynes deverá integrar uma barragem de betão compactado a rolo, com cerca de 200 metros de altura e mais de um quilómetro de extensão.

A albufeira está projectada para atingir aproximadamente 40 quilómetros de comprimento, com uma área inundada de 58,15 quilómetros quadrados no nível de pleno armazenamento.

O empreendimento incluirá ainda um canal de adução, tomadas de água, condutas forçadas e uma central de produção de electricidade equipada com quatro unidades geradoras de 215 MW cada, totalizando os 860 MW previstos.

A energia produzida deverá ser injectada nas redes nacionais de Angola e da Namíbia através de linhas de interligação regional. A concretização desta componente exigirá a coordenação entre a construção da barragem e o desenvolvimento das infra-estruturas de transmissão.

COOPERAÇÃO BILATERAL E PRÓXIMAS ETAPAS

Durante o encontro, os dois governantes defenderam o reforço da cooperação e o rigor técnico das equipas responsáveis pelo projecto, com vista à transformação dos entendimentos bilaterais em decisões operacionais.

A definição de cronogramas, a clarificação das responsabilidades institucionais e a mobilização de financiamento constituem etapas fundamentais para viabilizar o início das obras.

A passagem à fase de construção representará um avanço significativo num empreendimento que envolve não apenas a produção de electricidade, mas também a coordenação de políticas energéticas, ambientais, financeiras e de integração regional.

NOTA CONCLUSIVA

O projecto hidroeléctrico de Baynes constitui uma iniciativa estratégica para a cooperação entre Angola e a Namíbia, com potencial para ampliar a capacidade de produção eléctrica e fortalecer a integração energética na África Austral.

Apesar dos progressos assinalados na definição do modelo de financiamento, a concretização do empreendimento dependerá da mobilização dos recursos, da preparação das infra-estruturas complementares e da definição de um calendário de execução. A coordenação entre os dois governos será determinante para transformar o projecto numa fonte efectiva de energia e num instrumento de cooperação económica regional.

REDE INTERNACIONAL | ENERGIA, INFRA-ESTRUTURAS E COOPERAÇÃO REGIONAL

Fonte principal: Gira Notícias | Rede Girassol, com base nas informações sobre o encontro entre os ministros da Energia e Águas de Angola, João Baptista Borges, e da Indústria, Minas e Energia da Namíbia, Modestus Amutse, relativo ao financiamento e à implementação do Aproveitamento Hidroeléctrico Binacional de Baynes.

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