Angola movimenta cerca de 99 mil milhões de dólares no petróleo e gás em nove anos

ECONOMIA & ENERGIA | Investimento | Sector petrolífero mantém peso estratégico na economia
Cerca de 99 mil milhões de dólares foram investidos no sector petrolífero angolano nos últimos nove anos, num período marcado pela intensificação da actividade de exploração e pela procura de novas reservas para sustentar a produção nacional a longo prazo.
Os dados foram apresentados pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, na quarta-feira, 9 de Setembro, em Luanda, durante a abertura da 7.ª Conferência e Exposição Angola Oil & Gas, realizada em representação do Presidente da República, João Lourenço.
O volume de investimento evidencia a dimensão estratégica que o petróleo e o gás continuam a representar para Angola, ao mesmo tempo que o país procura criar novas condições para aumentar o valor económico gerado internamente.
Exploração | 38 poços perfurados resultaram em 16 descobertas
No período em referência, foram perfurados 38 poços de exploração, dos quais resultaram 16 descobertas.
A actividade exploratória integra a estratégia nacional de expansão da fronteira petrolífera, procurando identificar novos recursos, renovar reservas e garantir condições para a sustentabilidade da produção ao longo dos próximos anos.
Segundo José Massano, Angola pretende manter este esforço de exploração, mas enquadrá-lo numa visão de longo prazo, associada a maior eficiência, responsabilidade e sustentabilidade.
Concessões | Novas oportunidades para a indústria
Nos últimos nove anos foram igualmente negociadas 72 novas concessões petrolíferas.
Deste universo, 44 concessões já foram assinadas, enquanto outras 28 permanecem em fase de aprovação.
A evolução do quadro de concessões demonstra a continuidade da estratégia de atracção de investimento para o sector e a intenção de manter activa a exploração de novas oportunidades na indústria de hidrocarbonetos.
Conteúdo local | Mais valor produzido dentro de Angola
Uma das prioridades apresentadas pelo ministro de Estado está relacionada com o fortalecimento do conteúdo local.
A estratégia passa por aumentar a parcela do valor gerado pelos recursos naturais que permanece na economia angolana, promovendo maior participação de empresas nacionais na cadeia de fornecimento da indústria petrolífera e de gás.
A aposta pretende estimular a actividade económica, gerar emprego, desenvolver competências nacionais e ampliar o impacto do sector no bem-estar das populações.
Para o PRESSdigi.ao, esta dimensão é particularmente relevante porque coloca a indústria extractiva perante um desafio que ultrapassa a produção de hidrocarbonetos: transformar recursos naturais em oportunidades económicas, empresariais e profissionais dentro do país.
Empresas angolanas | Uma cadeia de valor com maior participação nacional
José Massano defendeu a necessidade de existirem mais empresas angolanas capazes de fornecer bens e serviços à indústria, bem como maior participação de quadros, técnicos, gestores, empreendedores e empresários nacionais nas diferentes etapas da cadeia de valor.
O desenvolvimento de fornecedores nacionais poderá contribuir para ampliar os efeitos indirectos da actividade petrolífera e criar novas oportunidades para pequenas, médias e grandes empresas.
A consolidação do conteúdo local depende, contudo, da combinação entre investimento, qualificação profissional, acesso a oportunidades, capacidade tecnológica e competitividade empresarial.
Formação & juventude | Capital humano como investimento estratégico
A formação profissional, os estágios e as oportunidades de empreendedorismo associados ao sector de petróleo e gás foram apontados como instrumentos importantes para preparar os angolanos para uma participação mais activa na indústria.
A qualificação de jovens e profissionais nacionais poderá permitir que uma parcela crescente das actividades técnicas, de gestão e de prestação de serviços seja assegurada por competências desenvolvidas no país.
Neste contexto, investir no sector não significa apenas atrair capital estrangeiro ou aumentar a produção, mas também criar condições para o desenvolvimento de capital humano e empresarial angolano.
Petróleo & gás | Produzir com maior eficiência e responsabilidade
Apesar da crescente atenção às energias alternativas, Angola pretende continuar a produzir hidrocarbonetos, adoptando uma abordagem cada vez mais orientada para a eficiência e sustentabilidade.
O ministro de Estado apontou a utilização de tecnologias eficientes e a consolidação de uma matriz energética diversificada como componentes da visão estratégica para o futuro.
A perspectiva apresentada combina a produção de petróleo e gás natural com fontes como a energia hidroeléctrica, solar, eólica e biomassa.
A diversificação procura responder simultaneamente às necessidades energéticas do país e às transformações que atravessam o sector energético a nível internacional.
Transição energética | Diversificar sem abandonar os recursos actuais
A estratégia apresentada coloca Angola perante uma transição energética gradual, na qual os hidrocarbonetos continuam a desempenhar um papel relevante enquanto o país amplia a utilização de fontes renováveis.
Esta abordagem procura equilibrar a exploração dos recursos disponíveis com a necessidade de construir uma matriz energética mais diversificada.
A transição, neste sentido, não é apresentada apenas como uma questão ambiental, mas também como uma oportunidade para desenvolver novas competências, tecnologias, empresas e cadeias de valor associadas à energia.
Ambiente de negócios | Angola procura reforçar confiança dos investidores
Durante a intervenção, José Massano reiterou o compromisso do Executivo com a estabilidade contratual, segurança jurídica, previsibilidade e competitividade do ambiente de negócios.
O responsável considerou os investidores, operadores e parceiros elementos fundamentais para o desenvolvimento de um sector petrolífero capaz de combinar crescimento, competitividade, sustentabilidade e maior integração local.
O apelo foi dirigido tanto a investidores que já acompanham a indústria angolana como a potenciais novos parceiros nacionais e internacionais.
Cadeia de valor | Oportunidades para além da exploração
A estratégia apresentada procura também ampliar o olhar sobre a indústria petrolífera e de gás, incentivando investimentos ao longo de toda a cadeia de valor.
A intenção é criar condições para que o petróleo e o gás funcionem como plataformas para o desenvolvimento de empresas, serviços especializados, formação, tecnologia e inovação, reduzindo a concentração dos benefícios económicos na actividade extractiva.
Ao mesmo tempo, Angola pretende atrair investimento para outros sectores considerados de elevado potencial para a economia nacional, reforçando o processo de diversificação económica.
Nove anos de investimento | Um sector em transformação
Os cerca de 99 mil milhões de dólares investidos em nove anos, associados às novas concessões e à actividade exploratória, representam uma dimensão expressiva da aposta na continuidade da indústria de hidrocarbonetos em Angola.
O desafio colocado para os próximos anos será transformar esta capacidade de atracção de capital e conhecimento em maior produção de valor dentro do país.
Para o PRESSdigi.ao, o futuro do sector poderá ser medido não apenas pela quantidade de petróleo e gás produzida, mas também pela capacidade de Angola de qualificar pessoas, fortalecer empresas nacionais, desenvolver tecnologia, diversificar a economia e preparar uma matriz energética mais sustentável.
A agenda petrolífera angolana entra, assim, numa fase em que exploração, investimento, conteúdo local, transição energética e diversificação económica passam a estar cada vez mais interligados.
Fonte principal: REDE NACIONAL | CIPRA – Centro de Imprensa da Presidência da República de Angola
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao


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