JOÃO LOURENÇO DESTACA O PAPEL DA DIPLOMACIA NA PRESERVAÇÃO DA PAZ
O Presidente da República de Angola, João Manuel Gonçalves Lourenço, defendeu, nesta terça-feira, 22 de Setembro, durante a sua intervenção na 81.ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, que a diplomacia constitui um instrumento essencial para unir povos, reparar conflitos, construir entendimentos e preservar vidas.
Ao abordar os desafios contemporâneos da paz e da segurança internacionais, o Chefe de Estado angolano reafirmou o compromisso de Angola com o multilateralismo, o Direito Internacional e a resolução pacífica dos conflitos, sublinhando a necessidade de recuperar o papel central das Nações Unidas na resposta às crises que afectam diferentes regiões do mundo.
Sob o lema “Restaurar a Confiança, Gerir a Transformação: uma Organização das Nações Unidas que Produz Resultados para Todos”, a 81.ª sessão da Assembleia Geral reúne os Estados-Membros em torno dos principais desafios políticos, sociais, económicos, ambientais e tecnológicos da actualidade.
UM CENÁRIO INTERNACIONAL MARCADO PELO AGRAVAMENTO DOS CONFLITOS
Na sua intervenção, João Lourenço chamou a atenção para o agravamento progressivo da situação de paz e segurança no mundo, incluindo a permanência de ameaças terroristas em determinados países, particularmente no continente africano.
O Presidente considerou preocupante a evolução do actual contexto internacional, marcado por conflitos armados, tensões geopolíticas e dificuldades na construção de consensos entre os Estados. Neste quadro, defendeu a substituição da confrontação pelo diálogo, da competição predatória pela cooperação e da força das armas pela força do Direito.
A posição apresentada insere-se no apelo ao reforço das instituições multilaterais enquanto espaços de concertação diplomática e de procura de respostas colectivas para os desafios da paz e da estabilidade internacionais.
ANGOLA DEFENDE O REFORÇO DO PAPEL DAS NAÇÕES UNIDAS
Outro eixo central do discurso foi a necessidade de restaurar o papel das Nações Unidas na articulação dos grandes temas das relações internacionais contemporâneas.
João Lourenço reafirmou que a Organização deve dispor de ferramentas e meios adequados para cumprir a sua missão, promover soluções pacíficas e contribuir para a defesa dos princípios consagrados na Carta das Nações Unidas e no Direito Internacional.
Para Angola, o sistema multilateral continua a representar um espaço fundamental para a construção de entendimentos entre os Estados, sobretudo num momento de crescente complexidade dos conflitos e de transformação das relações de poder no cenário internacional.
SOLUÇÕES AFRICANAS PARA OS CONFLITOS EM ÁFRICA
A intervenção presidencial incluiu igualmente a defesa do reforço da capacidade africana de promoção da paz e da segurança, com destaque para o princípio de “soluções africanas para conflitos em África”.
A posição está associada à necessidade de assegurar uma participação mais efectiva dos países africanos nos processos de prevenção, gestão e resolução de conflitos no continente, bem como nos mecanismos internacionais de tomada de decisão sobre paz e segurança.
João Lourenço defendeu ainda que a voz dos países africanos deve ser considerada nos debates estratégicos sobre a ordem internacional, incluindo os processos de reforma das instituições multilaterais. A necessidade de maior participação africana nos mecanismos globais de decisão foi igualmente apresentada no quadro da participação de Angola na 81.ª sessão da Assembleia Geral.
REFORMA DO CONSELHO DE SEGURANÇA E JUSTIÇA NA GOVERNANÇA GLOBAL
A reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas foi apontada como uma das prioridades da agenda diplomática de Angola.
A defesa de uma estrutura internacional mais representativa e equilibrada relaciona-se com a reivindicação de maior participação do continente africano nos processos de decisão sobre questões que afectam a paz e a segurança mundiais.
O debate sobre a reforma do Conselho de Segurança integra uma discussão mais ampla sobre a actual arquitectura da governança global, a representatividade das instituições internacionais e a necessidade de adequação do sistema multilateral aos desafios do século XXI.
FINANCIAMENTO CLIMÁTICO, TRANSFORMAÇÃO DIGITAL E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Entre os temas abordados estiveram também a construção de uma arquitectura financeira internacional mais justa, o financiamento climático, a transformação digital e a governação inclusiva da Inteligência Artificial.
A inclusão destas matérias reflecte a ligação entre desenvolvimento sustentável, inovação tecnológica, justiça económica e capacidade dos Estados para responder aos desafios globais.
A governação da Inteligência Artificial foi igualmente identificada como uma questão de interesse multilateral, exigindo diálogo internacional, responsabilidade institucional e mecanismos capazes de assegurar que a transformação tecnológica contribua para o desenvolvimento e para o bem-estar colectivo.
CINQUENTA ANOS DE ANGOLA COMO MEMBRO DAS NAÇÕES UNIDAS
A participação de João Lourenço na 81.ª Sessão da Assembleia Geral ocorreu no ano em que Angola assinala 50 anos como membro das Nações Unidas.
Ao longo desse percurso, o país tem procurado afirmar a sua participação nos debates sobre paz, segurança, cooperação internacional e desenvolvimento, incluindo iniciativas relacionadas com a consolidação da paz em África e a promoção do diálogo entre as nações.
A intervenção do Chefe de Estado reafirmou a determinação de Angola em continuar a contribuir para a paz, a estabilidade e o desenvolvimento sustentável em África e no mundo, através dos instrumentos diplomáticos e multilaterais disponíveis.
DIPLOMACIA COMO CAMINHO PARA A COOPERAÇÃO ENTRE AS NAÇÕES
Ao sintetizar a sua posição sobre a importância do diálogo internacional, João Lourenço afirmou:
“Nenhuma arma é mais poderosa que a diplomacia, porquanto as outras são apenas utilizadas para destruir as vidas, infra-estruturas, os sonhos e projectos de vida, enquanto que a diplomacia é a única arma que existe para unir, reparar, construir e salvar vidas, povos, nações e a Humanidade.”
A declaração enquadra a diplomacia como instrumento de prevenção de conflitos, reconstrução de relações e promoção da cooperação entre os povos. A posição presidencial coloca a paz, o Direito Internacional e o multilateralismo no centro da contribuição que Angola pretende continuar a prestar aos debates e processos internacionais.
REDE NACIONAL | Governo de Angola
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao
Classe / Tema: Política Internacional, Diplomacia, Paz e Segurança, Multilateralismo, Cooperação Africana e Desenvolvimento Sustentável
Fonte principal: Governo de Angola — discurso do Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, na 81.ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, 22 de Setembro de 2026.
Referências complementares: CIPRA — Centro de Imprensa da Presidência da República; Missão Permanente de Angola junto das Nações Unidas; OPAÍS; RNA.







