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ANTÓNIO PAULINO: UMA VOZ DO SEMBA QUE CONTINUA A ECOAR NA MEMÓRIA MUSICAL ANGOLANA

Redação Digipress
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ANTÓNIO PAULINO: UMA VOZ DO SEMBA QUE CONTINUA A ECOAR NA MEMÓRIA MUSICAL ANGOLANA
Para o PRESSdigi.ao, celebrar os mestres da música nacional é também investir na continuidade das referências culturais, na transmissão de saberes entre gerações e na valorização das expressões que dão voz à história de Angola.

HOMENAGEM CELEBRA LEGADO DE UM DOS GRANDES NOMES DA MÚSICA ANGOLANA

A música angolana voltou a celebrar uma das suas vozes mais marcantes. António Paulino, autor do clássico “Contapê” e reconhecido defensor do semba e das sonoridades tradicionais, foi homenageado durante a última edição do Muzonguê da Tradição, numa iniciativa realizada no domingo, pelo Centro Cultural Recreativo Kilamba, em Luanda.

A homenagem, dedicada ao autor de “Joana”, reuniu músicos que destacaram a influência positiva do artista na carreira de várias gerações e o seu contributo para o desenvolvimento da música urbana angolana.

“CONTAPÊ” E A ALMA DO SEMBA ANGOLANO

Entre os testemunhos apresentados ao Jornal de Angola, os músicos Fiel Didi, Robertinho e Lolito da Paixão foram unânimes em reconhecer a importância de António Paulino para a história da música nacional.

Os artistas consideraram que “Contapê”, tema original do homenageado, permanece como uma das canções marcantes do semba angolano, pela sua força rítmica, expressão cultural e capacidade de atravessar gerações.

Para os músicos, a obra de António Paulino ultrapassa a dimensão do entretenimento, assumindo um lugar na construção da identidade musical e cultural do país.

FIEL DIDI DESTACA INFLUÊNCIA NA MÚSICA URBANA

O músico Fiel Didi considerou António Paulino um ícone importante da música urbana angolana, destacando os seus feitos e o contributo prestado ao país ao longo da carreira artística.

Segundo o artista, a sensibilidade musical e artística do homenageado influenciou positivamente vários músicos nacionais.

“Ele merece toda a nossa consideração, esta distinção foi bem conseguida, mas deve ser reconhecido a nível do país, de modo a celebrar os vários momentos da carreira artística deste ícone da música angolana.”

Fiel Didi defendeu, assim, a necessidade de um reconhecimento mais amplo do percurso de António Paulino, valorizando a sua contribuição para a história da música nacional.

ROBERTINHO: UM DEFENSOR ACÉRRIMO DO SEMBA DE RAIZ

Para Robertinho, o legado de António Paulino está directamente ligado à consolidação e defesa do semba de raiz e à salvaguarda das sonoridades tradicionais angolanas.

O músico considera o homenageado um verdadeiro defensor de géneros como o semba, kilapanga e rebita, ritmos que, na sua perspectiva, devem ser preservados enquanto património cultural e identitário do país.

Robertinho sublinhou ainda que as criações de António Paulino marcaram várias gerações de angolanos, através de uma fusão entre ritmos urbanos e vivências do interior.

“CONTAPÊ” COMO MEMÓRIA DE UMA ÉPOCA

Ao recordar a importância de “Contapê”, Robertinho destacou a força rítmica da canção e a sua presença na memória colectiva das celebrações tradicionais.

“Por exemplo, a canção ‘Contapê’ é um semba muito ritmado e define a alma do país.”

O músico associou igualmente a obra à época colonial, recordando que o semba ocupava um lugar de destaque nas festas tradicionais e celebrações musicais.

A canção é apresentada como uma expressão artística ligada às vivências de uma época e às experiências históricas que marcaram a sociedade angolana.

LOLITO DA PAIXÃO RESSALTA CONTRIBUTO PARA O MUSIC HALL

Por sua vez, Lolito da Paixão considerou que António Paulino contribuiu de forma significativa para a afirmação do semba e da música urbana angolana.

O músico classificou como imensurável o contributo do homenageado para o desenvolvimento do music hall nacional, reconhecendo a influência da sua obra na evolução da música angolana.

Segundo Lolito da Paixão, António Paulino tornou-se uma das vozes mais respeitadas da era de ouro da música nacional, particularmente entre as décadas de 1960 e 1980.

UMA OBRA QUE AJUDOU A MOLDAR A IDENTIDADE CULTURAL

A influência de António Paulino, de acordo com os testemunhos dos músicos, ultrapassa o período de maior projecção da sua carreira.

A sua obra é apontada como uma referência na construção da identidade cultural angolana, tanto no período anterior como posterior à Independência Nacional.

As composições e interpretações do artista são reconhecidas pela capacidade de preservar sonoridades tradicionais e, simultaneamente, dialogar com os ritmos urbanos que marcaram a evolução da música nacional.

MUZONGUÊ DA TRADIÇÃO VALORIZA A MEMÓRIA MUSICAL

A homenagem realizada pelo Centro Cultural Recreativo Kilamba reforça o papel do Muzonguê da Tradição como espaço de celebração da música angolana e dos seus protagonistas.

Iniciativas desta natureza contribuem para manter viva a memória dos artistas que ajudaram a construir a história musical do país, aproximando diferentes gerações de músicos e apreciadores.

A valorização de António Paulino representa, neste contexto, um reconhecimento da importância do semba e das sonoridades tradicionais como elementos fundamentais do património cultural angolano.

PRESERVAR AS SONORIDADES É PRESERVAR A IDENTIDADE

O percurso de António Paulino evidencia a relação entre criação musical, memória colectiva e identidade cultural.

A defesa do semba, do kilapanga e da rebita, apontada pelos músicos durante a homenagem, reforça a necessidade de preservar os géneros que constituem parte importante da herança artística angolana.

Para o PRESSdigi.ao, celebrar os mestres da música nacional é também investir na continuidade das referências culturais, na transmissão de saberes entre gerações e na valorização das expressões que dão voz à história de Angola.

A ancestralidade é continuidade com futuridade. E a música de António Paulino permanece como uma dessas pontes entre a memória, o presente e as novas gerações de criadores.

REDE NACIONAL | Jornal de Angola
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao

Classe / Tema: ARTE E CULTURA — MÚSICA E PATRIMÓNIO CULTURAL

Fonte principal: Jornal de Angola.

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