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NAMIBE ACOLHE TEATRO, FORMAÇÃO ARTÍSTICA E UM CHAMAMENTO À PRESERVAÇÃO DAS RAÍZES CULTURAIS

Redação Digipress
Redação Digipress
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NAMIBE ACOLHE TEATRO, FORMAÇÃO ARTÍSTICA E UM CHAMAMENTO À PRESERVAÇÃO DAS RAÍZES CULTURAIS
Para o PRESSdigi.ao, o fortalecimento das artes cénicas passa pela criação de oportunidades concretas para os artistas, pela valorização das línguas, memórias e tradições, e pelo estabelecimento de pontes entre a criação contemporânea e o património cultural das comunidades.

CIRCUITO INTERNACIONAL DE TEATRO REÚNE ARTISTAS E SABERES

A província do Namibe assume-se como espaço de encontro, formação e intercâmbio artístico com a realização da 11.ª edição do Circuito Internacional de Teatro (CIT), iniciativa que decorre até ao dia 18 do corrente mês, reunindo grupos teatrais de diferentes províncias de Angola.

Sob o lema “Um Regresso ao Namibe”, a edição deste ano combina espectáculos, capacitação artística e debates sobre os instrumentos que orientam e apoiam a actividade cultural no país.

A programação procura aproximar criadores, intérpretes e público, reforçando o papel das artes cénicas na valorização da cultura e na construção de novas narrativas a partir das realidades angolanas.

FORMAÇÃO GRATUITA PARA ARTISTAS

Entre os principais destaques do circuito está a componente formativa dirigida a artistas locais e de outras províncias.

As acções de capacitação, ministradas por professores angolanos com formação e experiência nas respectivas áreas, abordam matérias consideradas fundamentais para o desenvolvimento de projectos culturais e para a profissionalização das artes cénicas.

Entre os conteúdos previstos estão:

  • Elaboração de projectos culturais;
  • Produção teatral;
  • Direcção de cena;
  • Interpretação e representação.

Segundo Adérito Rodrigues, director do CIT, as formações pretendem proporcionar aos participantes conhecimentos que possam ser aplicados na criação e produção de novos projectos culturais.

A iniciativa representa uma oportunidade para o fortalecimento das competências artísticas nacionais, promovendo a partilha de conhecimentos entre profissionais e novos criadores.

DEZ GRUPOS TEATRAIS EM REPRESENTAÇÃO

A 11.ª edição conta com a participação de grupos provenientes das províncias do Cuando, Bié, Huíla e Benguela, além de quatro grupos da província anfitriã.

No total, estão previstos dez grupos teatrais, com uma programação que contempla dois espectáculos por dia.

As actividades arrancaram no sábado, com a cerimónia de abertura, seguindo-se, entre os dias 13 e 17, a apresentação dos espectáculos e a realização das acções de formação, estas últimas durante o período da tarde.

A presença de criadores de diferentes regiões reforça a dimensão nacional do circuito e cria possibilidades de diálogo entre distintas expressões e experiências do teatro angolano.

DIREITOS DE AUTOR E MECENATO EM DEBATE

A programação inclui ainda mesas redondas dedicadas a temas relacionados com os direitos de autor e a Lei do Mecenato.

Os debates pretendem ampliar o conhecimento dos agentes culturais sobre os instrumentos que regulam e apoiam a actividade artística no país.

A abordagem destes temas contribui para uma maior compreensão dos direitos dos criadores, das responsabilidades dos agentes culturais e das possibilidades de apoio à produção artística.

O reforço da informação sobre o enquadramento legal e os mecanismos de incentivo constitui uma dimensão importante para o desenvolvimento sustentável do sector cultural.

“UM REGRESSO AO NAMIBE” VALORIZA A MEMÓRIA CULTURAL

Mais do que uma agenda de espectáculos, a presente edição do CIT propõe uma reflexão sobre a preservação das tradições, hábitos, costumes e valores culturais locais.

A iniciativa decorre num contexto marcado pelas transformações sociais associadas à globalização e à expansão do universo digital, factores que influenciam as formas de criação, transmissão e consumo das manifestações culturais.

Adérito Rodrigues defende que a modernização da sociedade deve caminhar em paralelo com a preservação das raízes culturais, apelando à recuperação de práticas e valores que integram a identidade das comunidades.

“É preciso despertar a sociedade de que podemos nos modernizar, mas sempre com a preocupação de preservarmos aquilo que é nosso.”

A mensagem coloca a identidade cultural no centro da reflexão, sublinhando a necessidade de conciliar inovação e continuidade das referências ancestrais.

NAMIBE COMO ESPAÇO DE INTERCÂMBIO ARTÍSTICO

Com a realização do circuito na província, o Namibe passa a afirmar-se também como espaço de encontro e intercâmbio cultural, criando novas oportunidades para artistas locais e para o público, particularmente os jovens.

A circulação de grupos e conhecimentos contribui para aproximar diferentes comunidades artísticas e ampliar as possibilidades de colaboração no domínio das artes cénicas.

A presença de artistas de várias províncias permite igualmente dar visibilidade à diversidade cultural de Angola, através de linguagens teatrais que reflectem experiências, memórias e realidades distintas.

CULTURA PARA TODOS: UMA PLATAFORMA DE CIRCULAÇÃO

A 11.ª edição do Circuito Internacional de Teatro realiza-se no âmbito do projecto “Cultura Para Todos”, iniciativa da Companhia de Teatro Pitabel, fundada em 2015, em parceria com a Comissão Nacional de Angola para a UNESCO.

O CIT constitui uma das principais plataformas de teatro em Angola, com a missão de promover o intercâmbio artístico entre criadores nacionais e estrangeiros, dando maior visibilidade às diferentes expressões das artes cénicas.

A plataforma procura reforçar a circulação de espectáculos e conhecimentos, criando oportunidades para artistas angolanos estabelecerem contactos com criadores de outras realidades culturais.

TRAZER O MUNDO PARA ANGOLA E LEVAR ANGOLA PARA O MUNDO

Através da formação, da programação teatral e do intercâmbio artístico, o circuito reafirma a importância da cultura como instrumento de aproximação entre povos e de valorização das identidades.

A iniciativa mantém, assim, a missão de “trazer o mundo para Angola e levar Angola para o mundo”, promovendo a circulação de experiências, saberes e manifestações culturais.

Para o PRESSdigi.ao, o fortalecimento das artes cénicas passa pela criação de oportunidades concretas para os artistas, pela valorização das línguas, memórias e tradições, e pelo estabelecimento de pontes entre a criação contemporânea e o património cultural das comunidades.

O Namibe, ao acolher esta edição do CIT, reforça o seu lugar no mapa cultural angolano, projectando o teatro como espaço de formação, expressão, encontro e continuidade da identidade nacional.

REDE NACIONAL | Jornal de Angola
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao

Classe / Tema: ARTE E CULTURA

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