Governo angolano apresenta os preparativos da 4.ª edição do Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz e Não-Violência, que terá como tema central a governação da água enquanto instrumento de prevenção, mediação e resolução de conflitos.
Angola reforça articulação diplomática para a Bienal de Luanda
O secretário de Estado para a Cooperação Internacional e Comunidades Angolanas, embaixador Domingos Custódio Vieira Lopes, presidiu, em Luanda, a uma reunião com representantes do corpo diplomático acreditado em Angola, no âmbito dos preparativos da 4.ª edição da Bienal de Luanda – Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz e Não-Violência, prevista para Outubro de 2026.
O encontro teve lugar no Anfiteatro Afonso Van-Dúnem Mbinda, nas instalações do Ministério das Relações Exteriores (MIREX), e visou apresentar às missões diplomáticas informações sobre o evento, o programa previsto e as modalidades de participação das respectivas delegações.
A iniciativa integra os esforços de coordenação institucional e diplomática destinados a assegurar a participação dos parceiros internacionais e o desenvolvimento das actividades programadas para o fórum.
Portal oficial facilita o acesso à informação
Durante a reunião, o secretário de Estado para a Comunicação Social, Nuno dos Anjos Caldas Albino, apresentou o portal oficial da Bienal de Luanda, disponível em www.bienaldeluanda.gov.ao.
A plataforma reúne informações sobre o evento e os seus principais eixos temáticos, estando disponível em quatro idiomas: português, inglês, francês e espanhol.
A disponibilização de conteúdos multilingues pretende facilitar o acesso à informação por parte dos participantes nacionais e internacionais, contribuindo para uma comunicação mais abrangente e para a divulgação dos objectivos da Bienal junto de diferentes públicos.
No presidium da reunião estiveram igualmente presentes o embaixador Diakumpuna Sita José, coordenador do Comité Nacional de Gestão da Bienal de Luanda, e os responsáveis governamentais envolvidos na preparação do encontro.
Governação da água como instrumento de prevenção de conflitos
O embaixador Diakumpuna Sita José apresentou os objectivos e as principais linhas de orientação da quarta edição, subordinada ao lema “Reforço da Governação da Água em África como Instrumento de Prevenção, Mediação e Resolução de Conflitos”.
A escolha do tema coloca a gestão sustentável dos recursos hídricos no centro do debate sobre a paz, a segurança e a cooperação regional em África.
A água constitui um recurso essencial para o consumo humano, a agricultura, a produção económica e o equilíbrio dos ecossistemas. A sua disponibilidade, distribuição e gestão podem, por isso, influenciar as relações entre comunidades e países, sobretudo em regiões que partilham rios, bacias hidrográficas e outras fontes de abastecimento.
Neste contexto, a Bienal pretende promover abordagens de governação partilhada dos recursos hídricos, valorizando o diálogo entre Estados, a cooperação transfronteiriça e os mecanismos pacíficos de prevenção e resolução de divergências.
Agenda africana e compromissos internacionais
A temática da edição está alinhada com prioridades continentais relacionadas com a disponibilidade sustentável de água e o acesso ao saneamento seguro, em articulação com a Agenda 2063 da União Africana e a Agenda 2030 das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável.
A iniciativa procura aproximar os debates sobre a gestão da água dos objectivos de desenvolvimento sustentável, reconhecendo a ligação entre recursos naturais, alterações climáticas, segurança humana e estabilidade regional.
Entre as questões previstas para reflexão figuram a diplomacia da água, a gestão de recursos hídricos transfronteiriços, os efeitos das alterações climáticas sobre os conflitos e a participação das mulheres e dos jovens nos processos de construção da paz.
A abordagem pretende estimular a cooperação entre instituições públicas, organizações internacionais, especialistas e outros intervenientes, promovendo soluções que conciliem o acesso aos recursos naturais com a prevenção de tensões e a consolidação da paz.
Preparativos logísticos e participação internacional
Durante a reunião com o corpo diplomático, foram prestados esclarecimentos sobre o nível de representação das delegações estrangeiras, incluindo a participação de ministros convidados, bem como sobre os procedimentos de recepção dos participantes.
Os responsáveis abordaram ainda as condições técnicas e operacionais previstas para a realização do fórum, as medidas de apoio logístico e os serviços de saúde destinados a apoiar o acolhimento das delegações.
O encontro terminou com uma sessão de perguntas e respostas, durante a qual os representantes diplomáticos apresentaram contributos e solicitaram esclarecimentos sobre a organização e as modalidades de participação no evento.
Este processo de articulação procura assegurar condições adequadas para a realização das actividades e favorecer o envolvimento dos parceiros internacionais na discussão dos desafios relacionados com a paz e a governação dos recursos hídricos.
Cooperação internacional em prol da paz e da não-violência
A Bienal de Luanda é uma iniciativa do Governo de Angola, desenvolvida em parceria com a União Africana e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).
O fórum procura mobilizar diferentes sectores da sociedade em torno do diálogo, da cooperação e da promoção de uma cultura de paz e não-violência em África.
Ao colocar a governação da água no centro da sua quarta edição, a iniciativa amplia o debate sobre os factores ambientais e sociais que podem influenciar a estabilidade dos países, defendendo a cooperação como instrumento para enfrentar desafios partilhados.
Nota conclusiva
A preparação da 4.ª edição da Bienal de Luanda evidencia a intenção de reforçar a participação diplomática e a cooperação internacional na promoção da paz em África.
A governação sustentável da água constitui um tema estratégico, dada a sua ligação à segurança humana, ao desenvolvimento socioeconómico, às alterações climáticas e às relações entre países que partilham recursos hídricos.
O alcance da iniciativa dependerá da capacidade de transformar o diálogo em compromissos concretos, parcerias institucionais e soluções sustentáveis que contribuam para prevenir conflitos, promover o acesso à água e ao saneamento e fortalecer uma cultura de paz no continente.
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Fonte principal: Ministério das Relações Exteriores de Angola (MIREX).
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