José de Lima Massano defende sistemas financeiros mais eficientes para acelerar a transformação económica de África
Ministro de Estado para a Coordenação Económica destaca a necessidade de mobilizar poupanças, ampliar o financiamento ao sector produtivo e fortalecer a integração económica do continente, durante a abertura do Africa Financial Summit 2026, em Luanda.
A transformação económica de África exige mais do que políticas económicas assertivas. Depende igualmente da capacidade dos sistemas financeiros para mobilizar recursos, financiar actividades produtivas e criar condições favoráveis ao crescimento das empresas e à diversificação das economias nacionais.
A posição foi defendida pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, na terça-feira, 3 de Novembro, durante a sessão de abertura do Africa Financial Summit (AFIS) 2026, realizada em Luanda.
Sistemas financeiros ao serviço da economia real
Na sua intervenção, o governante apontou a atracção de investimento, a transformação da poupança em investimento produtivo e o financiamento de empresas competitivas como factores fundamentais para impulsionar o desenvolvimento económico africano.
Segundo José de Lima Massano, a transformação das economias do continente deve ser acompanhada pelo estímulo ao empreendedorismo, pela expansão das infra-estruturas e pela criação de oportunidades para os cidadãos.
O ministro destacou que, apesar do crescimento da rentabilidade das instituições financeiras africanas, permanece uma diferença significativa entre os resultados do sector bancário e o financiamento disponibilizado à economia real.
Rentabilidade bancária e acesso limitado ao crédito
De acordo com os dados apresentados pelo governante, as receitas bancárias do continente ultrapassaram os 100 mil milhões de dólares em 2024, com níveis de rendibilidade comparáveis aos registados nos principais mercados emergentes.
Contudo, o acesso ao crédito pelo sector privado continua limitado em várias economias africanas, particularmente em áreas consideradas estratégicas para a diversificação económica.
A agricultura, a indústria transformadora e os operadores de pequenas e médias dimensões foram identificados como sectores que continuam insuficientemente financiados, apesar do seu potencial para gerar emprego, ampliar a produção e fortalecer a capacidade económica dos países.
Economia informal e inclusão financeira
Outro desafio destacado por José de Lima Massano está relacionado com a dimensão da economia informal. Segundo a estimativa apresentada no encontro, cerca de 85% do emprego em África encontra-se neste segmento da actividade económica.
Esta realidade, observou, condiciona a arrecadação fiscal e restringe o acesso de muitos cidadãos e operadores económicos aos serviços bancários e ao crédito.
Neste contexto, o reforço da inclusão financeira e a criação de mecanismos adequados às diferentes realidades económicas do continente assumem importância estratégica para ampliar a participação dos agentes económicos nos sistemas formais de financiamento.
Digitalização e inteligência artificial como instrumentos de transformação
A modernização dos serviços financeiros foi igualmente apontada como uma oportunidade para melhorar a eficiência do sector.
O governante defendeu que a digitalização, incluindo a utilização de soluções baseadas em inteligência artificial, poderá contribuir para reduzir custos operacionais e desenvolver novos instrumentos de avaliação de risco.
Estas ferramentas poderão favorecer a criação de serviços financeiros mais acessíveis e adaptados às necessidades de empresas e empreendedores, desde que acompanhadas por instituições capazes de responder aos desafios de uma economia em transformação.
Angola e o potencial de integração nas cadeias regionais
No contexto nacional, José de Lima Massano destacou os investimentos realizados por Angola nas infra-estruturas de energia, águas, transportes, vias rodoviárias e telecomunicações.
Na perspectiva apresentada, estes investimentos criam condições para que o país assuma um papel progressivamente mais relevante nas cadeias regionais de produção e distribuição.
O ministro afirmou ainda que Angola dispõe de uma economia aberta e dinâmica, com oportunidades de investimento numa diversidade crescente de sectores.
Neste processo, atribuiu ao sistema financeiro uma responsabilidade decisiva: acompanhar a transformação económica, identificar oportunidades, assumir riscos de forma criteriosa e mobilizar recursos para financiar os sectores que sustentam o crescimento.
Financiamento da industrialização e integração continental
Ao projectar os desafios das próximas décadas, o governante considerou que este período será determinante para definir o posicionamento de África na economia mundial.
Entre as prioridades apontadas estão o financiamento da industrialização, a aceleração da integração económica, o desenvolvimento de infra-estruturas e a criação de mais oportunidades para as populações.
Defendeu, por isso, o aprofundamento da cooperação entre instituições, o reforço da confiança nos mercados, a mobilização das poupanças africanas e o direccionamento do capital para as prioridades estratégicas do continente.
Nota conclusiva
A intervenção de José de Lima Massano no Africa Financial Summit 2026 coloca em evidência um dos principais desafios do desenvolvimento africano: transformar a capacidade financeira do continente em investimento produtivo, inclusão económica e oportunidades concretas para as populações.
Mais do que ampliar a rentabilidade das instituições bancárias, o desafio passa por aproximar o financiamento das necessidades da economia real, apoiar a agricultura e a indústria, fortalecer as pequenas e médias empresas e criar condições para uma integração económica mais consistente.
A construção de uma África mais competitiva e próspera dependerá, assim, da capacidade de articular políticas públicas, instituições financeiras, sector privado e cooperação regional em torno de objectivos comuns de desenvolvimento.
Fonte principal: CIPRA — Centro de Imprensa da Presidência da República.
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