No discurso de abertura da 5.ª Sessão Legislativa da V Legislatura da Assembleia Nacional, o Presidente da República destacou resultados na economia, saúde, educação, habitação, agricultura, energia, águas, turismo e cultura, reconhecendo, igualmente, desafios que continuam a afectar as famílias angolanas.
O Presidente da República de Angola, João Manuel Gonçalves Lourenço, apresentou, nesta quinta-feira, 15 de Outubro, o balanço dos principais indicadores económicos e sociais do País, durante o Discurso sobre o Estado da Nação, proferido na Reunião Plenária Solene de Abertura da 5.ª Sessão Legislativa da V Legislatura da Assembleia Nacional.
Na sua intervenção, o Chefe de Estado destacou os resultados apresentados pelo Executivo em sectores considerados estratégicos para o desenvolvimento nacional, reafirmando o compromisso com a diversificação da economia, a melhoria dos serviços públicos e a promoção do bem-estar dos cidadãos.
O discurso abordou também os desafios persistentes e as prioridades para os próximos anos, com particular atenção à juventude, à protecção da criança, à formação profissional, ao emprego e à necessidade de reforçar a boa governação e a coesão nacional.
Economia: crescimento, inflação e dívida pública
No domínio económico, os dados apresentados apontam para um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 3% em 2025 e de 5,3% no primeiro trimestre de 2026. Neste último período, o sector não-petrolífero registou um crescimento de 6,2%, indicador que o Executivo associa aos esforços de diversificação das fontes de produção e rendimento.
A inflação, segundo os números divulgados, passou de 27,5% em 2024 para 10,8% em Junho de 2026. A dívida pública, por sua vez, reduziu de 115,9% do PIB, em 2020, para 51,2% em 2026.
O investimento estrangeiro no sector não-petrolífero registou um aumento de 54%, num contexto em que a estabilidade macroeconómica e a criação de condições para o investimento continuam a constituir desafios centrais para a economia nacional.
Estes indicadores foram apresentados como sinais de evolução económica. A sua tradução em melhores condições de vida dependerá, contudo, da capacidade de sustentar o crescimento, ampliar a actividade produtiva e criar oportunidades de emprego e rendimento para a população.
Saúde: expansão da rede sanitária e reforço dos profissionais
No sector da saúde, o Presidente destacou o aumento do número de unidades sanitárias, de 2.612 em 2017 para 3.348 no primeiro trimestre de 2026, correspondendo à construção de 736 novas unidades.
Nos últimos quatro anos, foram integrados 28.429 profissionais de saúde. Entre os indicadores apresentados, constam a redução da mortalidade materna, de 239 para 170 por 100 mil nados-vivos, e da mortalidade de crianças menores de cinco anos, de 68 para 52 por mil nados-vivos.
A cobertura vacinal atingiu 78%, enquanto a mortalidade por malária diminuiu de 28 para 20 por 100 mil habitantes entre 2023 e 2025.
Os números reflectem os progressos reportados pelo Executivo, mas a consolidação destes resultados exige a continuidade dos investimentos, a disponibilidade de medicamentos e equipamentos, a distribuição equilibrada dos profissionais e a melhoria da qualidade dos cuidados, sobretudo nas comunidades com maior dificuldade de acesso aos serviços de saúde.
Educação: crescimento da população escolar e formação de quadros
Na educação, os dados relativos ao ano lectivo 2026/2027 indicam 9.141.729 alunos matriculados, 252.419 professores e 141.678 salas de aula.
Foram disponibilizados 13.322.505 manuais escolares, enquanto o Programa Nacional de Alimentação Escolar beneficiou 3.426.282 crianças no terceiro trimestre de 2026.
No ensino técnico-profissional, o número de alunos alcançou 210.945 no ano lectivo 2025/2026, representando um crescimento de 18,5% em comparação com 2021/2022.
O ensino superior conta, segundo os dados apresentados, com 106 instituições e cerca de 352 mil estudantes. A expansão da oferta educativa e da formação técnica constitui uma componente importante para o desenvolvimento de competências, a preparação de quadros nacionais e a resposta às necessidades do mercado de trabalho.
A par do aumento do acesso, permanecem relevantes os desafios relacionados com a qualidade do ensino, as condições das infra-estruturas, a formação dos professores e a adequação dos currículos às exigências do desenvolvimento económico e social.
Habitação e desenvolvimento urbano
No domínio da habitação, Angola dispõe de 18 centralidades, com um total de 40.419 fogos habitacionais, que, de acordo com os números apresentados, beneficiaram directamente mais de 2,4 milhões de cidadãos.
Foram igualmente disponibilizados 370 mil lotes para autoconstrução dirigida e estabilizados 431 hectares de áreas afectadas por ravinas.
Entre os projectos em curso, o Chefe de Estado destacou a construção de cerca de 6.500 habitações e a reabilitação e construção de 1.100 quilómetros de estradas.
A expansão habitacional e a requalificação urbana permanecem fundamentais para melhorar as condições de vida, reduzir os riscos associados à ocupação desordenada do território e ampliar o acesso a infra-estruturas essenciais. A concretização destes objectivos exige, igualmente, planeamento urbano, acesso a serviços básicos e soluções habitacionais compatíveis com as condições económicas das famílias.
Agricultura, pescas, indústria e comércio
A produção nacional foi destacada como um dos pilares da diversificação económica. Segundo os indicadores apresentados, cerca de 6,4 milhões de pessoas trabalham nos sectores da agricultura, pecuária, florestas e pescas.
A produção de pescado aumentou de 558 mil toneladas, em 2022, para 725 mil toneladas, em 2025. No mesmo contexto de expansão produtiva, a utilização da capacidade industrial instalada passou de 31% para 54%.
Entre 2022 e 2025, as exportações não-petrolíferas cresceram 66%, enquanto as importações de bens alimentares diminuíram cerca de 595 milhões de dólares norte-americanos.
O Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações (PRODESI) tinha desembolsado, até 2024, mais de 1,298 biliões de kwanzas, apoiando cerca de 6.300 projectos.
Os dados evidenciam a importância atribuída ao fortalecimento da produção nacional, à redução da dependência das importações e à ampliação da capacidade industrial. Entre os desafios a enfrentar estão a produtividade, o acesso ao financiamento, as infra-estruturas de conservação e transporte, a distribuição dos produtos e a criação de condições para que os produtores nacionais alcancem mercados mais amplos.
Energia e águas: expansão dos serviços essenciais
No sector energético, a capacidade instalada de produção eléctrica aumentou de 4.659 megawatts, em 2017, para 6.322 megawatts. A taxa de acesso à electricidade ultrapassou 50% da população.
No abastecimento de água, a cobertura nacional superou 62%. A produção diária de água potável nas sedes provinciais e municipais passou de cerca de 828 mil metros cúbicos, em 2017, para 1,326 milhões de metros cúbicos.
A expansão das redes de distribuição, os projectos hidroeléctricos e solares e as infra-estruturas destinadas a combater os efeitos da seca no Sul do País integram os esforços apresentados para ampliar o acesso aos serviços essenciais.
A melhoria destes indicadores depende também da capacidade de assegurar a distribuição efectiva da energia e da água, a manutenção das infra-estruturas e a continuidade dos serviços nas zonas urbanas, periurbanas e rurais.
Turismo, cultura e património nacional
O turismo foi apresentado como uma das frentes de diversificação económica. Em 2025, Angola recebeu mais de 223 mil turistas internacionais, um crescimento de 28% face a 2022, gerando receitas de 667 milhões de dólares norte-americanos e mais de nove mil empregos.
O País dispõe de 1.577 estabelecimentos hoteleiros e similares, com mais de 31 mil quartos, segundo os dados divulgados.
No domínio cultural, foram destacados a construção do Arquivo Nacional de Angola, a recuperação de infra-estruturas culturais e a inscrição do Sona na Lista do Património Cultural Imaterial da UNESCO.
Estes avanços colocam em evidência o potencial da cultura e do turismo para a valorização da identidade nacional, a preservação da memória colectiva e a criação de oportunidades económicas. O desenvolvimento destes sectores requer investimento continuado, formação especializada, promoção do património e melhores condições de circulação e acesso aos espaços culturais e turísticos.
Ambiente e adaptação às alterações climáticas
No sector ambiental, foram emitidas 2.952 licenças ambientais entre 2022 e 2026, a par do reforço de iniciativas de conservação da biodiversidade e de adaptação às alterações climáticas.
A protecção dos ecossistemas e a gestão sustentável dos recursos naturais assumem particular importância num contexto marcado pela necessidade de conciliar o desenvolvimento económico com a preservação ambiental, a prevenção de riscos e a protecção das comunidades mais vulneráveis aos efeitos da seca e de outros fenómenos climáticos.
Juventude, emprego e protecção da criança
Apesar dos resultados apresentados, o Presidente da República reconheceu a persistência de dificuldades e insuficiências em alguns serviços públicos, bem como os desafios que continuam a afectar numerosas famílias angolanas.
Entre as iniciativas anunciadas, destacou-se a realização de uma Conferência Nacional da Juventude Angolana, destinada a promover a reflexão sobre a participação dos jovens no desenvolvimento nacional.
A protecção e a educação da criança, a formação académica e profissional da juventude e o aumento da oferta de emprego para os angolanos foram apontados como prioridades fundamentais.
Estas questões ocupam um lugar central no debate sobre o desenvolvimento nacional, tendo em conta a necessidade de ampliar as oportunidades para os jovens, fortalecer a transição da escola para o mercado de trabalho e criar condições para uma participação activa dos cidadãos na vida económica, social e cívica do País.
Boa governação e responsabilidade colectiva
Na parte final da sua intervenção, João Lourenço reiterou o compromisso do Executivo com a boa governação, a legalidade, a coesão nacional e o desenvolvimento equilibrado.
O Chefe de Estado apelou ao trabalho, à produção e à responsabilidade colectiva na construção de uma Angola mais justa, próspera e solidária.
A mensagem presidencial coloca em evidência a relação entre os resultados apresentados, as necessidades concretas da população e a responsabilidade das instituições na execução das políticas públicas. A avaliação do progresso nacional passa não apenas pelos indicadores económicos e sectoriais, mas também pela capacidade de transformar os resultados em melhorias sustentáveis no acesso aos serviços, no rendimento das famílias e nas oportunidades de participação e desenvolvimento.
Nota conclusiva
O Discurso sobre o Estado da Nação apresentou um balanço abrangente dos indicadores económicos e sociais e das prioridades do Executivo em áreas essenciais para o desenvolvimento de Angola. Os números divulgados apontam para progressos em diferentes sectores, mas coexistem com desafios relacionados com a qualidade dos serviços públicos, o emprego, o acesso às infra-estruturas e as condições de vida das famílias.
A consolidação dos resultados dependerá da continuidade das políticas públicas, da transparência na execução, da avaliação dos impactos e da capacidade de assegurar que o crescimento económico e os investimentos sectoriais se traduzam em benefícios concretos para os cidadãos.
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Fonte principal: Governo de Angola — comunicação institucional sobre o Discurso do Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, sobre o Estado da Nação, proferido a 15 de Outubro de 2026, na Assembleia Nacional.
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