Oitava edição decorre de 28 de Outubro a 2 de Novembro, com mais de 100 filmes de mais de 20 países, a Nigéria como país convidado e uma programação dedicada ao intercâmbio e à indústria audiovisual
REGRESSO DO FESTIVAL E AMBIÇÃO AFRICANA
O Festival Internacional de Cinema de Luanda (FIC Luanda) regressa de 28 de Outubro a 2 de Novembro de 2026, após 11 anos de interrupção, com a ambição de reforçar a presença de Angola no circuito internacional de festivais e contribuir para a afirmação do cinema africano.
A oitava edição, apresentada pela organização, prevê a exibição de mais de 100 filmes provenientes de mais de 20 países, com uma expectativa de cerca de 160 profissionais do sector e seis mil espectadores.
O programa pretende aproximar a produção cinematográfica angolana de outras cinematografias, criando oportunidades para a circulação de obras, a formação especializada e o intercâmbio entre realizadores, produtores, técnicos e outros profissionais.
NIGÉRIA EM DESTAQUE E JANELA PARA O CINEMA BRASILEIRO
A Nigéria é o país convidado desta edição, que inclui igualmente uma programação própria dedicada ao cinema brasileiro.
A participação nigeriana contempla um panorama de dez filmes, com curadoria do colectivo Surreal16. Três das obras integram a competição oficial e uma será apresentada em estreia mundial.
A presença destas cinematografias amplia o espaço de encontro entre diferentes experiências culturais e narrativas audiovisuais, reforçando a dimensão internacional do festival e as possibilidades de cooperação entre profissionais africanos e de outros mercados.
COMPETIÇÃO OFICIAL E DIVERSIDADE CINEMATOGRÁFICA
O FIC Luanda 2026 apresenta seis competições oficiais, cinco mostras paralelas, convidados internacionais, acções de formação e actividades orientadas para a indústria cinematográfica.
As competições nacional e internacional abrangem três categorias: longa-metragem de ficção, documentário e curta-metragem. Um júri será responsável pela avaliação das obras e atribuição dos prémios.
A Competição Internacional reúne produções de realizadores africanos, europeus e sul-americanos, realizadas entre 2025 e 2026.
Entre os nomes anunciados encontram-se Pocas Pascoal, Pedro Pinho, Miguel Eek, Jeferson De e Kewa Oni.
Segundo a programadora Lara Sousa, a selecção procura aproximar diferentes cinematografias e colocar Angola em diálogo com o circuito internacional de festivais.
CINEMA ANGOLANO E OPORTUNIDADES PARA NOVOS PROJECTOS
O director do FIC Luanda 2026, Jorge Cohen, destacou a atenção dedicada às produções nacionais.
De acordo com a organização, os filmes angolanos seleccionados para a competição resultaram de um concurso aberto que recebeu 37 candidaturas. Podiam concorrer obras nacionais concluídas a partir de 2023.
O processo de selecção constitui uma das componentes da programação destinada a dar visibilidade à criação cinematográfica angolana, permitindo apresentar novas obras perante profissionais, públicos e representantes de outras cinematografias.
A participação nacional assume, neste contexto, relevância para a divulgação de realizadores e projectos e para a criação de oportunidades de circulação das produções angolanas.
LUALAB: FORMAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DE PROJECTOS
A componente formativa inclui o LUALab, uma oficina dedicada à escrita e ao desenvolvimento de projectos de ficção angolanos.
A iniciativa prevê uma sessão virtual nos dias 5 e 6 de Outubro e uma etapa presencial em Luanda, de 29 a 31 de Outubro.
A oficina integra a vertente de capacitação do festival, com enfoque no desenvolvimento de projectos e no fortalecimento das competências necessárias à criação cinematográfica.
A articulação entre exibição, formação e contacto com profissionais internacionais permite que o festival funcione também como espaço de desenvolvimento e partilha de conhecimentos, para além da apresentação pública de filmes.
CINCO SALAS E CINEMA AMBULANTE
As sessões estão previstas para cinco espaços culturais e de exibição em Luanda:
- Cine Teatro Nacional;
- Cinemax Fortaleza;
- Instituto Guimarães Rosa;
- Centro Cultural Camões;
- Centro de Ciência de Luanda.
A programação inclui ainda o Cine Zunga, iniciativa de cinema ambulante com sessões previstas no Largo do Kinaxixi.
A distribuição das sessões por diferentes espaços procura aproximar a programação de públicos diversos e ampliar as possibilidades de acesso à experiência cinematográfica.
ORGANIZAÇÃO, FINANCIAMENTO E INDÚSTRIA AUDIOVISUAL
O FIC Luanda é uma iniciativa da Agência Nacional das Indústrias Culturais e Criativas (ANICC), tutelada pelo Ministério da Cultura, tendo a produtora Geração 80 como entidade executora.
O orçamento anunciado para esta edição é de 160 milhões de kwanzas.
O director da ANICC, Asdrúbal Rebelo, enquadra o regresso do festival numa estratégia mais ampla de desenvolvimento das indústrias culturais e criativas, com objectivos que incluem o aumento das exportações de conteúdos, das coproduções e do financiamento externo para o cinema angolano.
A organização aponta igualmente a recuperação das infra-estruturas como uma questão relevante para o relançamento do sector e para a criação de hábitos mais regulares de frequência das salas de cinema.
INFRA-ESTRUTURAS E SUSTENTABILIDADE DO CINEMA ANGOLANO
O regresso do FIC Luanda coloca em evidência diferentes dimensões do desenvolvimento audiovisual: a produção de conteúdos, a formação de profissionais, a circulação internacional de filmes, a captação de financiamento e a disponibilidade de espaços adequados para exibição.
A continuidade de iniciativas desta natureza depende também da articulação entre instituições públicas, produtores, realizadores, distribuidores, exibidores e parceiros nacionais e internacionais.
Neste quadro, o festival constitui uma plataforma de encontro para o sector, enquanto os resultados a longo prazo estarão associados à capacidade de transformar a programação e as relações profissionais em oportunidades sustentáveis para a indústria cinematográfica angolana.
NOTA CONCLUSIVA
O regresso do Festival Internacional de Cinema de Luanda, após 11 anos de interrupção, representa a retoma de uma plataforma dedicada à exibição, formação e aproximação entre diferentes cinematografias.
A oitava edição combina competição, mostras internacionais, cinema angolano, formação e actividades para profissionais, num programa que procura reforçar a presença do país no circuito audiovisual.
Para além da realização do evento, permanecem centrais os desafios de continuidade, financiamento, infra-estruturas e circulação das obras, factores que influenciam a capacidade de consolidar uma indústria cinematográfica angolana sustentável e com maior alcance internacional.
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