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PCESSA avança com aposta na segurança hídrica e transformação do Sul de Angola

Redação Digipress
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PCESSA avança com aposta na segurança hídrica e transformação do Sul de Angola
No horizonte, o programa coloca uma questão essencial para o futuro das comunidades do Sul: transformar a disponibilidade de água numa plataforma permanente de desenvolvimento humano, económico e ambiental.

CLASSE | DESENVOLVIMENTO • ÁGUA • SUSTENTABILIDADE • AGRICULTURA • RESILIÊNCIA CLIMÁTICA

O Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul de Angola (PCESSA) será executado na sua plenitude, assegurou o Presidente da República, João Lourenço, durante a visita às novas infra-estruturas hidráulicas construídas nos municípios do Cuvelai, província do Cunene.

Avaliado em cerca de 4,2 mil milhões de dólares, o programa constitui uma das principais respostas estruturadas do Estado angolano aos efeitos da seca nas províncias do Sul do país, com particular incidência sobre o acesso à água para as populações e para a actividade pecuária.

Água como ponto de partida para o desenvolvimento

A inauguração das barragens do Ndúe e Calucuve e dos respectivos canais adutores, realizada no sábado, 5 de Setembro, representa uma etapa importante na estratégia de reforço da segurança hídrica no Sul de Angola.

Após a inauguração, João Lourenço salientou que a disponibilidade de água constitui uma condição fundamental para a melhoria progressiva das condições de vida das populações.

“Hoje, têm o bem que é mais essencial, que é a água, e todos os outros bens vêm de seguida.”

O Presidente reconheceu, contudo, que a transformação das localidades abrangidas pelo programa será gradual e deverá ser acompanhada por investimentos complementares em energia eléctrica, educação, saúde e outras áreas essenciais.

Cunene entre as prioridades do programa

O Cunene ocupa uma posição central na implementação do PCESSA devido ao impacto prolongado da seca sobre as comunidades, a pecuária e a actividade agropecuária.

As novas estruturas procuram aumentar a disponibilidade de água para consumo humano e para o gado, criando melhores condições para a permanência das populações nas suas áreas de origem e para a dinamização das actividades económicas locais.

A estratégia representa também uma resposta aos desafios provocados pela irregularidade das chuvas e pela pressão sobre os recursos hídricos.

Mais água pode significar menos conflitos entre criadores

Um dos efeitos esperados pelo reforço das fontes de água está relacionado com a redução dos conflitos entre criadores de gado.

A escassez de pontos de abeberamento tem contribuído para disputas entre comunidades e criadores que dependem dos mesmos recursos para garantir a sobrevivência dos seus animais.

Segundo João Lourenço, a ampliação do acesso à água, tanto para as pessoas como para o gado, poderá contribuir directamente para reduzir essas tensões.

“Se nós aumentamos o acesso, quer das pessoas, quer do gado, às fontes de água, é lógico pensarmos que o conflito também vai se reduzir.”

Infra-estruturas podem impulsionar a economia local

Para além da resposta imediata à seca, o PCESSA pretende criar condições para uma transformação económica progressiva das zonas abrangidas.

O Chefe de Estado destacou a importância da participação do sector empresarial, defendendo investimentos nas áreas envolventes às barragens e aos canais como forma de dinamizar a economia local.

A maior disponibilidade de água poderá beneficiar actividades agropecuárias e criar novas oportunidades para produtores, comerciantes e investidores, contribuindo para uma maior diversificação das economias locais.

Acesso e mobilidade acompanham o investimento hídrico

O desenvolvimento das novas infra-estruturas deverá ser acompanhado por melhorias nas condições de acesso.

Questionado sobre as vias de circulação, João Lourenço garantiu que os acessos serão melhorados, estando igualmente prevista a possibilidade de abertura de novos trajectos.

A conectividade assume importância estratégica para permitir que as comunidades beneficiárias tenham maior acesso aos mercados, serviços públicos e oportunidades económicas geradas pela nova disponibilidade de água.

Ndúe e Calucuve reforçam a rede hídrica

Durante a inauguração, foram visitadas as principais estruturas técnicas das duas barragens, incluindo postos de observação e controlo, coroamentos, torres de tomada de água e estruturas de condução e descarga.

Na Barragem do Ndúe, localizada junto ao Rio Caundo, foi accionada a comporta, seguindo-se uma visita à estrutura de transição entre a conduta adutora, o canal e a primeira chimpaca, num percurso de aproximadamente cinco quilómetros.

Em Calucuve, no Rio Cuvelai, foram igualmente visitadas as estruturas de controlo e operação, incluindo o coroamento da barragem, a torre de tomada de água, o edifício de saída da conduta adutora e a descarga de fundo.

Huíla e Namibe também integram a estratégia

O programa não se limita ao Cunene. O Presidente da República reafirmou que os projectos previstos para as províncias da Huíla e do Namibe serão igualmente executados.

A implementação faseada reflecte a dimensão do investimento e a complexidade das intervenções necessárias para responder aos efeitos da seca em diferentes territórios.

“Não podemos fazer tudo ao mesmo tempo.”

A declaração sublinha a opção por uma execução progressiva, com prioridade para as áreas onde a escassez de água apresenta maior impacto social e económico.

Uma decisão nascida da realidade das comunidades

João Lourenço recordou que a decisão de criar o PCESSA remonta a 2019, após uma deslocação à localidade de Ombala Yo Mungu, onde teve contacto directo com as difíceis condições de vida enfrentadas pelas populações, sobretudo devido à falta de água.

Desde então, o combate aos efeitos da seca passou a integrar uma estratégia de intervenção estruturada, assente na construção de infra-estruturas capazes de garantir maior segurança hídrica às comunidades.

Segurança hídrica como base de resiliência

Com a execução do PCESSA, o desafio colocado ao Sul de Angola deixa de estar apenas relacionado com a resposta emergencial à seca e passa a envolver uma visão de resiliência, desenvolvimento sustentável e ordenamento territorial.

A água poderá funcionar como ponto de partida para melhorar a produção agropecuária, reduzir vulnerabilidades sociais, apoiar a fixação das populações e criar condições para novos investimentos.

No horizonte, o programa coloca uma questão essencial para o futuro das comunidades do Sul: transformar a disponibilidade de água numa plataforma permanente de desenvolvimento humano, económico e ambiental.


REDE NACIONAL | Fonte principal: CIPRA
ALINHAMENTO EDITORIAL: PRESSdigi.ao
CLASSE / TEMA: Desenvolvimento | Segurança Hídrica | Sustentabilidade | Combate à Seca | Agricultura | Resiliência Climática
LOCAL: Cunene, Angola

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