Início/DIÁSPORA E MUNDO/ÁFRICA REFORÇA PRESENÇA NO BRICS E COLOCA INDUSTRIALIZAÇÃO, COMÉRCIO E INFRA-ESTRUTURAS NO CENTRO DA AGENDA
DIÁSPORA E MUNDO5 min de leitura

ÁFRICA REFORÇA PRESENÇA NO BRICS E COLOCA INDUSTRIALIZAÇÃO, COMÉRCIO E INFRA-ESTRUTURAS NO CENTRO DA AGENDA

A participação de países africanos na 18.ª Cúpula do BRICS, realizada em Nova Déli sob liderança do primeiro-ministro indiano Narendra Modi, reforçou a presença do continente nas discussões sobre o futuro da cooperação entre os países do Sul Global. De acordo com a análise publicada pela Forbes África Lusófona, a reunião ficou marcada pela aprovação […]

Redação Digipress
Redação Digipress
sexta-feira, 18 de setembro de 2026 às 10:29
Partilhar:
ÁFRICA REFORÇA PRESENÇA NO BRICS E COLOCA INDUSTRIALIZAÇÃO, COMÉRCIO E INFRA-ESTRUTURAS NO CENTRO DA AGENDA
Foto: DigiPress
ÁFRICA REFORÇA PRESENÇA NO BRICS E COLOCA INDUSTRIALIZAÇÃO, COMÉRCIO E INFRA-ESTRUTURAS NO CENTRO DA AGENDA

A participação de países africanos na 18.ª Cúpula do BRICS, realizada em Nova Déli sob liderança do primeiro-ministro indiano Narendra Modi, reforçou a presença do continente nas discussões sobre o futuro da cooperação entre os países do Sul Global.

De acordo com a análise publicada pela Forbes África Lusófona, a reunião ficou marcada pela aprovação da Declaração de Nova Déli e pela procura de consensos entre os diferentes membros e parceiros do bloco, incluindo Irão, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

A presença de África foi destacada como um dos elementos centrais da cúpula, sobretudo pela participação da África do Sul, do Egipto e da Etiópia como membros plenos.

ÁFRICA PASSA DE PARTICIPANTE CONVIDADA A MEMBRO ACTIVO

Com a integração da África do Sul, do Egipto e da Etiópia como membros plenos, o continente africano passou a ocupar uma posição mais directa nos processos de deliberação do BRICS.

A África do Sul, enquanto membro fundador e país que acolheu a presidência do G20 no ano anterior, levou para a reunião a experiência acumulada em fóruns multilaterais e económicos de grande relevância.

O Egipto e a Etiópia, por sua vez, representaram importantes sub-regiões do continente africano e contribuíram para ampliar a diversidade geográfica e política do grupo.

A análise considera que esta composição fortalece a representatividade do BRICS enquanto instituição ligada às prioridades e aspirações do Sul Global.

NIGÉRIA E UGANDA PARTICIPAM COMO PAÍSES PARCEIROS

Além dos membros plenos, Uganda e Nigéria participaram na cúpula na condição de países parceiros designados do BRICS.

A presença dos dois países reforçou a dimensão africana da reunião e demonstrou o interesse do bloco em estabelecer relações mais amplas com economias e organizações regionais do continente.

O presidente do Burundi, Évariste Ndayishimiye, também foi convidado para participar na qualidade de presidente da União Africana.

A iniciativa reflectiu a intenção da Índia de aprofundar o contacto com lideranças de organizações regionais e fortalecer a identidade do BRICS como plataforma de cooperação entre países do Sul Global.

QUATRO CONCLUSÕES SOBRE A PARTICIPAÇÃO AFRICANA

A análise apresentada pela Forbes África identifica quatro linhas principais resultantes da participação africana na cúpula de Nova Déli.

1. MAIOR REPRESENTATIVIDADE DO SUL GLOBAL

A contribuição africana mais significativa esteve relacionada com o reforço da representatividade do BRICS.

A participação de países de diferentes regiões do continente contribuiu para ampliar a diversidade política, económica e geográfica do bloco.

Durante a reunião, Narendra Modi destacou a entrada da Etiópia como um factor de fortalecimento da voz colectiva do Sul Global.

2. AGENDA ECONÓMICA CENTRADA NA INDUSTRIALIZAÇÃO

A África do Sul apresentou uma agenda económica orientada para o aumento do comércio e do investimento entre os membros do BRICS.

O presidente Cyril Ramaphosa defendeu a necessidade de aprofundar as relações económicas intra-BRICS, com atenção especial à industrialização africana, à agregação de valor e ao desenvolvimento de infra-estruturas.

A posição sul-africana procurou relacionar as oportunidades de cooperação do BRICS com os objectivos da Área de Livre Comércio Continental Africana.

3. VALORIZAÇÃO DAS CADEIAS DE PRODUÇÃO E DO INVESTIMENTO

Outro ponto destacado foi a importância de desenvolver cadeias de fornecimento mais integradas e capazes de gerar maior valor dentro dos países africanos.

A agenda apresentada pela África do Sul incluiu referências à agricultura, às infra-estruturas, à inovação e à digitalização.

A perspectiva defendida aponta para uma cooperação económica que ultrapasse a simples circulação de matérias-primas e incentive a transformação local, a produção industrial e a criação de oportunidades de investimento.

4. PARTICIPAÇÃO DAS MULHERES, DIGITALIZAÇÃO E INOVAÇÃO

A intervenção sul-africana também deu atenção ao desenvolvimento liderado por mulheres, à modernização tecnológica e ao fortalecimento da inovação.

Estes temas foram apresentados como componentes importantes para o crescimento económico sustentável e para a construção de sociedades mais integradas nas novas dinâmicas digitais.

A digitalização e a inovação surgem, assim, como áreas de cooperação com potencial para aproximar os países africanos dos restantes membros do BRICS.

COOPERAÇÃO SUL-SUL COM NOVAS PRIORIDADES

A 18.ª Cúpula do BRICS em Nova Déli evidenciou uma fase de maior participação africana nas discussões sobre comércio, investimento, industrialização e desenvolvimento.

A presença de membros plenos, países parceiros e representantes de organizações regionais reforçou o carácter multilateral do bloco e ampliou o espaço de diálogo entre diferentes regiões do Sul Global.

Para África, a participação no BRICS coloca em evidência a necessidade de transformar a cooperação internacional em oportunidades concretas para a produção nacional, a integração económica, a inovação tecnológica e o desenvolvimento de infra-estruturas.

A agenda apresentada pela África do Sul indica que a industrialização, a agregação de valor, a agricultura, a digitalização e a participação das mulheres poderão continuar entre as prioridades do continente nas futuras discussões do BRICS.

REDE NACIONAL | Forbes África Lusófona
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao
Classe / Tema: Economia Internacional, Cooperação Sul-Sul, BRICS, Integração Africana e Desenvolvimento

Fonte principal: Forbes África Lusófona — análise de Gurjit Singh, publicada em 15 de Setembro de 2026.

Este artigo foi esclarecedor para si?
Redação Digipress

Redação Digipress

Redação DigiPress

PRESSdigi.ao Informação, Cultura, Imagem e Memória O PRESSdigi.ao é um canal de informação e conteúdos editoriais dedicado à cobertura de acontecimentos nacionais e internacionais, com foco em cultura, artes, economia criativa, identidade, sociedade, cooperação e memória. Com uma linha editorial jornalística, cultural e responsável, o canal informa, documenta e valoriza pessoas, iniciativas, instituições e projectos, através de texto, fotografia e brevemente audiovisual, streaming, radiodifusão. DIRECÇÃO EDITORIAL KIKALAKALU KIA DÍBYA _ DALTRON COSTA Redactor-Chefe | Fotojornalista Cultural | Promotor Cultural | Artista Visual | Director da DIGItechnology. A sua prática cruza jornalismo cultural, fotografia documental, comunicação e promoção das indústrias culturais e criativas, com especial atenção à identidade angolana, ancestralidade, território, património e memória. A direcção editorial procura assegurar rigor informativo, responsabilidade social, sensibilidade cultural e qualidade visual. Formação e ligações profissionais: CEFOJOR | ANICC | APROCIMA | CCPA | DIGItechnology | Intercâmbio cultural Angola–Brasil e diáspora africana. PRODUÇÃO E REPORTAGEM O PRESSdigi.ao conta com o suporte técnico e criativo da DIGItechnology e parceiros, nas áreas de: Reportagem | Fotografia | Audiovisual | Entrevistas | Documentários | Streaming | Comunicação digital | Design | Conteúdos institucionais e culturais. ÁREAS EDITORIAIS Cultura e Artes | Jornalismo e Reportagem | Economia Criativa | Sociedade | Património, Identidade e Memória | Cooperação | Angola–Brasil e Diáspora | Empreendedorismo e Inovação | Fotografia Documental | Narrativa Audiovisual. MISSÃO Informar com responsabilidade. Valorizar a cultura e a criatividade. Dar visibilidade às pessoas e comunidades. Documentar o presente e preservar a memória. Aproximar Angola, África, Brasil e a diáspora. IDENTIDADE PRESSdigi.ao — Informação que documenta. Cultura que permanece. “Ancestralidade é continuidade com futuridade.”

Discussão da Comunidade

0 Comentários
A sua mensagem será publicada em conformidade com as regras editoriais.

Seja o primeiro a comentar este artigo.

Mais Conteúdos

Continue a Ler no DigiPress

PATRIMÓNIO ANGOLANO GANHA NOVO ESPAÇO DE PRESERVAÇÃO E DIFUSÃO NO MUSEU DE ARTE AFRICANA DE BELGRADOARTE

PATRIMÓNIO ANGOLANO GANHA NOVO ESPAÇO DE PRESERVAÇÃO E DIFUSÃO NO MUSEU DE ARTE AFRICANA DE BELGRADO

A cultura angolana ganhou novo espaço de representação na Sérvia com a entrega de artefactos, peças de artesanato e obras de arte angolanas ao Museu de Arte Africana de Belgrado. A iniciativa foi formalizada pelo embaixador de Angola na Sérvia, Eduardo Octávio, que entregou o conjunto de peças à directora da instituição, Marija Aleksic, num […]

há 38 minutos4 min de leitura
“10 LIÇÕES DE VIDA” TRANSFORMA MEMÓRIA DE MÁRIO MIGUEL DOMINGUES EM LEGADO PARA NOVAS GERAÇÕESARTE

“10 LIÇÕES DE VIDA” TRANSFORMA MEMÓRIA DE MÁRIO MIGUEL DOMINGUES EM LEGADO PARA NOVAS GERAÇÕES

A família Domingues colocou no mercado literário a obra “10 Lições de Vida”, do escritor Mário Miguel Domingues, numa iniciativa que transforma memórias, ensinamentos e reflexões pessoais num legado destinado a novas gerações. O livro foi apresentado no dia 16 de Setembro, nas instalações da Escola Nacional de Administração e Políticas Públicas (ENAPP), num acto […]

há 42 minutos3 min de leitura
FIC LUANDA 2026 ABRE COMPETIÇÃO INTERNACIONAL COM VOZES DO CINEMA AFRICANO E MUNDIALARTE

FIC LUANDA 2026 ABRE COMPETIÇÃO INTERNACIONAL COM VOZES DO CINEMA AFRICANO E MUNDIAL

O Festival Internacional de Cinema de Luanda (FIC Luanda 2026) revelou os primeiros títulos da sua Competição Internacional de Ficção, reunindo produções provenientes de diferentes geografias, com destaque para África, Europa e América do Sul. A edição de 2026 está programada para decorrer de 28 de Outubro a 2 de Novembro, em Luanda, apresentando-se como […]

há cerca de 1 hora4 min de leitura