A Namíbia registou uma nova melhoria no seu desempenho em matéria de igualdade de género e alcançou o quarto lugar a nível global, com uma pontuação de 84,5%, segundo o Relatório Global sobre a Desigualdade de Género 2026, divulgado pelo Fórum Económico Mundial (FEM).
O resultado coloca o país na liderança entre as economias da África Subsaariana avaliadas pelo relatório e reflecte avanços acumulados em diferentes dimensões da participação das mulheres na sociedade, na economia, na educação e na vida política.
Apesar da evolução registada, o relatório salienta que a paridade global continua distante. A avaliação de 145 economias indica que, embora o mundo esteja mais próximo da igualdade de género do que em qualquer outro momento desde o início da série, a paridade plena ainda poderá levar cerca de 120 anos a ser alcançada.
NAMÍBIA SOBE QUATRO POSIÇÕES NO ÍNDICE GLOBAL
Com 84,5%, a Namíbia avançou quatro posições na classificação internacional e tornou-se o país com melhor desempenho da África Subsaariana no relatório de 2026.
A evolução coloca o país entre as economias que apresentam maior proximidade dos níveis de paridade avaliados pelo FEM.
O resultado também evidencia a importância de políticas e condições estruturais que favoreçam o acesso das mulheres à educação, ao mercado de trabalho, aos espaços de decisão e às oportunidades económicas.
ÁFRICA SUBSAARIANA REGISTA UMA DAS MAIORES EVOLUÇÕES
A África Subsaariana obteve uma pontuação regional de 68,8%, representando um crescimento de 1,6 ponto percentual em relação ao ano anterior.
Segundo os dados apresentados no relatório, a região registou a maior variação entre as regiões analisadas, mantendo uma trajectória de progressão em determinadas dimensões da igualdade de género.
Um dos avanços de longo prazo mais expressivos está relacionado com a participação das mulheres entre legisladores, altos funcionários e gestores, indicador que registou um crescimento de 28,7 pontos percentuais desde 2006.
EDUCAÇÃO COMO UM DOS PILARES DA EVOLUÇÃO NAMIBIANA
A educação surge como uma das áreas em que a Namíbia apresenta resultados particularmente consistentes.
De acordo com Silja Ballera, economista e chefe de missão de Inclusão Económica do Centro para a Nova Economia e Sociedade do Fórum Económico Mundial, o país mantém paridade total nas matrículas do ensino secundário e superior em praticamente todas as edições do relatório desde 2006.
A continuidade desse desempenho contribui para explicar a posição da Namíbia no índice e demonstra a relação entre acesso equilibrado à educação e progressos mais amplos na igualdade de género.
QUATRO DIMENSÕES ORIENTAM A AVALIAÇÃO
O Relatório Global sobre a Desigualdade de Género 2026 analisa as economias participantes a partir de quatro grandes dimensões:
- Participação e oportunidades económicas;
- Nível de escolaridade;
- Saúde e sobrevivência;
- Empoderamento político.
A metodologia permite acompanhar não apenas a presença das mulheres na educação e no mercado de trabalho, mas também a sua representação nos espaços de tomada de decisão e outros indicadores sociais.
PROGRESSO GLOBAL CONTINUA, MAS COM FRAGILIDADES
O relatório do Fórum Económico Mundial indica que quase todas as economias acompanhadas desde 2006 registaram algum nível de aproximação à paridade de género.
Entretanto, a evolução não ocorre de forma uniforme. O documento alerta para a possibilidade de retrocessos em determinadas áreas e considera que o progresso global continua vulnerável.
A estimativa de cerca de 120 anos para atingir a paridade plena demonstra a dimensão dos desafios ainda existentes, apesar dos avanços observados nas últimas duas décadas.
NAMÍBIA COMO REFERÊNCIA REGIONAL
A posição alcançada pela Namíbia coloca o país como uma das principais referências africanas no acompanhamento internacional da igualdade de género.
O desempenho acumulado desde 2006, particularmente no domínio da educação e na participação em posições de liderança, contribui para explicar a subida no índice de 2026.
A evolução namibiana também insere-se num movimento mais amplo da África Subsaariana, região que tem registado progressos importantes, embora continue a enfrentar desafios estruturais relacionados com oportunidades económicas, representação política e acesso equitativo a diferentes sectores da sociedade.
REDE NACIONAL | Forbes África Lusófona
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao
Classe / Tema: Sociedade, Igualdade de Género, Educação, Economia e Desenvolvimento Humano
Fonte principal: Forbes África Lusófona — artigo de Chanel Retief, equipa da Forbes África, publicado em 17 de Setembro de 2026.




