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CULTURA12 min de leitura

SANKOFA ANGOLA 2026 transforma reencontro da diáspora em plataforma de diplomacia cultural

A crescente articulação entre comunidades africanas e afrodescendentes coloca o Sankofa Angola como uma plataforma de promoção da identidade cultural e de aproximação entre África e a sua diáspora.

Redação Digipress
Redação Digipress
domingo, 30 de agosto de 2026 às 15:00•Atualizado há cerca de 2 meses
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SANKOFA ANGOLA 2026 transforma reencontro da diáspora em plataforma de diplomacia cultural
Foto: DigiPress
SANKOFA ANGOLA 2026 transforma reencontro da diáspora em plataforma de diplomacia cultural

CLASSE | REPORTAGEM ESPECIAL | CULTURA, IDENTIDADE & DIÁSPORA | REDE NACIONAL | Reportagem e Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao

Quando África se reencontra em Angola

O SANKOFA ANGOLA 2026 continua a escrever uma história que ultrapassa fronteiras geopolíticas, linguísticas e culturais, transformando o território angolano num espaço de reencontro entre africanos do continente e comunidades da diáspora.

Depois da realização da Conferência Internacional SANKOFA Angola 2026, a coordenação do movimento estruturou uma agenda orientada para o intercâmbio e a diplomacia cultural, procurando fortalecer os vínculos estabelecidos entre representantes de diferentes comunidades e delegações que chegaram a Angola vindas de várias partes do mundo.

Mais do que reunir pessoas de diferentes geografias, a iniciativa procura criar pontes entre histórias, identidades, experiências e perspectivas que têm em comum uma matriz africana.

Uma delegação que atravessou continentes

Entre as presenças que marcaram a agenda estiveram representantes da União da Diáspora Africana do Reino Unido (UDA), liderada por Kwabo Mabula, com a participação de Cris Nzinga, activista comunitária e pan-africanista angolana, radicada no Reino Unido e Sister Hamida Mbaga, da Tanzânia.

Também participaram Adelaide Tatchemo, dos Camarões, e uma expressiva delegação proveniente do Brasil, liderada pelo Professor Dagoberto Fonseca com a presença de Claudiane Marcondes Rocha Leovergilio, Maura Dias Fonseca de Paulo, Deoclecio Borges, Marley de Fátima Morais Borges e Rosicler Lemos da Silva.

A diversidade das delegações conferiu ao encontro uma dimensão particularmente simbólica: pessoas separadas por milhares de quilómetros reuniram-se em Angola para reencontrar referências culturais, histórias e memórias ligadas ao continente africano.

Luanda como território de memória

A agenda do Sankofa Angola 2026 permitiu estreitar os laços entre os integrantes das delegações, num percurso marcado pela hospitalidade e pela experiência cultural angolana.

Em Luanda, os visitantes tiveram contacto com espaços de forte significado histórico e simbólico, entre os quais o Museu Nacional da Escravatura, a Baía de Luanda e a Ilha de Luanda.

Cada paragem acrescentou uma camada à experiência de quem atravessou o Atlântico não apenas como visitante, mas como alguém interessado em compreender e reencontrar fragmentos de uma história que também pertence à diáspora.

Da memória à confraternização

Entre os momentos de maior significado esteve a passagem pela Casa-Museu da Mamã África, onde a agenda ganhou uma dimensão mais intimista de confraternização.

O encontro contou com a presença de Sua Majestade Rei Joshua Maponga III e Rainha Mambokadzi Aluko, do Zimbabwe, bem como de Fernanda Carolina, representante do Sagrado Feminino em Angola, e participantes do Ondjango das Mulheres Africanas.

Membros da Coordenação Geral do Sankofa Angola, entre eles Daltron Costa, Nelson Bartolomeu e Tereza João, também estiveram presentes no momento de partilha.

À mesa, a cultura deixou de ser apenas discurso para transformar-se em experiência.

O mufete, o calulu de peixe fresco, outros quitutes da gastronomia angolana e a tradicional quissangua da Mamã África compuseram um cenário de sabores, aromas e memórias.

Ao longo da tarde, entre cânticos, dança e conversas, o encontro prolongou-se até ao pôr-do-sol, criando um ambiente de cumplicidade e irmandade.

Brindes, sorrisos e abraços deram corpo a uma experiência que, para muitos dos presentes, ultrapassou o calendário de uma programação cultural.

“Todos somos filhos da mesma Mãe África”

O anfitrião Lopito Feijó sintetizou uma das ideias centrais que atravessaram o encontro ao dirigir-se aos participantes vindos de diferentes pontos do mundo como “africanos”.

A afirmação ultrapassa a geografia.

Os que nasceram no continente e aqueles que nasceram ou cresceram fora dele podem carregar experiências distintas, mas partilham referências históricas, culturais e ancestrais que continuam a alimentar a ideia de uma África transnacional.

É precisamente nesse território simbólico que o Sankofa procura actuar.

Sankofa e a diplomacia cultural da diáspora

A crescente articulação entre comunidades africanas e afrodescendentes coloca o Sankofa Angola como uma plataforma de promoção da identidade cultural e de aproximação entre África e a sua diáspora.

O movimento vem estabelecendo ligações com outras redes e iniciativas de representatividade internacional, entre elas a Grande Travessia, que propõe uma reflexão sobre as antigas rotas atlânticas e a possibilidade de construir novos percursos de ligação entre África e os territórios da diáspora.

A ideia de uma rota em sentido inverso adquire, neste contexto, uma forte carga simbólica: se durante séculos o Atlântico foi atravessado sob violência, exploração e desumanização, que novos caminhos poderão hoje ser construídos a partir da memória, da cultura, da cooperação e da dignidade?

Da “Rota dos Escravos” às rotas de reencontro

A história da chamada Rota dos Escravos permanece como uma das feridas mais profundas da humanidade.

O tráfico transatlântico de africanos escravizados provocou deslocamentos forçados, rupturas familiares, destruição de comunidades e consequências sociais, económicas e culturais que atravessaram gerações.

É neste ponto que iniciativas contemporâneas de intercâmbio cultural podem assumir uma dimensão maior do que a simples realização de eventos.

Quando descendentes da diáspora regressam ao continente para conhecer lugares de memória, quando artistas, investigadores, líderes comunitários e representantes institucionais se sentam à mesma mesa, cria-se a possibilidade de transformar a memória histórica em instrumento de diálogo.

Não para apagar a dor.

Não para reabrir feridas.

Mas para impedir que a história seja esquecida e se repita.

Reposição, restauração e reparação: as perguntas permanecem

A própria ideia de uma nova rota de ligação entre África e a diáspora levanta questões que continuam a exigir reflexão.

Reposição de quê?
Restauração de quê?
Reparação para quem?
Como fazê-lo?
Quando?
E até quando?

São perguntas que não encontram respostas simples.

Mas questionar também é uma forma de preservar a memória.

O desafio está em transformar essas perguntas em conhecimento, investigação, diálogo institucional, educação, cooperação cultural e políticas capazes de reconhecer a dimensão humana das marcas deixadas pela história.

Uma memória que deve permanecer viva

É também neste espaço que o PRESSdigi entende a sua responsabilidade editorial.

Dar voz a quem precisa de se manifestar sobre temas relacionados com identidade, memória, ancestralidade, cultura e reparação não significa alimentar revoltas ou aprofundar divisões.

Significa criar espaço para falas construtivas, dignas e responsáveis, capazes de provocar reflexão e de serem replicadas por todos os seres humanos.

A memória não deve ser utilizada para perpetuar o conflito.

Deve servir para impedir que os erros sejam repetidos.

O passado não pode ser alterado, mas a forma como as novas gerações o compreendem pode ser transformada.

Sankofa: olhar para trás para caminhar adiante

A própria essência do conceito Sankofa encontra aqui uma expressão concreta: voltar às raízes para recuperar conhecimento, reconstruir vínculos e avançar com maior consciência.

Em Angola, esse movimento encontra um território particularmente simbólico.

É um país que carrega nas suas paisagens, línguas, culturas, comunidades e lugares de memória parte significativa da história africana e atlântica.

Por isso, cada encontro da diáspora em território angolano pode representar mais do que uma celebração.

Pode ser um acto de reconhecimento.

Pode ser um reencontro.

Pode ser o início de uma nova conversa.

E, sobretudo, pode ser uma oportunidade para que África e a sua diáspora voltem a construir caminhos juntas — desta vez pela cultura, pela memória, pela dignidade e pela cooperação.


NOTA DE AUTORIA

Por Kikalakalu Kia Díbya_ DALTRON COSTA

Fotojornalista Cultural | Observador e promotor de intercâmbio cultural

Fonte: REDE NACIONAL | Reportagem PRESSdigi
Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao

SANKOFA ANGOLA 2026 TRANSFORMS THE DIASPORA REUNION INTO A PLATFORM FOR CULTURAL DIPLOMACY

SPECIAL REPORT | CULTURE, IDENTITY & DIASPORA

NATIONAL NETWORK | Report
Editorial Alignment: PRESSdigi.ao

When Africa Reconnects in Angola

SANKOFA ANGOLA 2026 continues to write a story that transcends geopolitical, linguistic and cultural borders, transforming Angolan territory into a space of reunion between Africans from the continent and communities across the African Diaspora.

Following the SANKOFA Angola 2026 International Conference, the movement’s coordination established an agenda focused on cultural exchange and cultural diplomacy, seeking to strengthen the bonds created among representatives of different communities and delegations that travelled to Angola from various parts of the world.

More than simply bringing together people from different geographical backgrounds, the initiative seeks to build bridges between histories, identities, experiences and perspectives connected by a shared African heritage.

A Delegation That Crossed Continents

Among the participants who contributed to the programme were representatives of the Union of the African Diaspora in the United Kingdom (UDA), led by Kwabo Mabula, with the participation of Cris Nzinga, an Angolan community activist and Pan-Africanist based in the United Kingdom, and Sister Hamida Mbaga, from Tanzania.

Also participating was Adelaide Tatchemo, from Cameroon, alongside a significant delegation from Brazil led by Professor Dagoberto Fonseca, with Claudiane Marcondes Rocha Leovergilio, Maura Dias Fonseca de Paulo, Deoclecio Borges, Marley de Fátima Morais Borges, and Rosicler Lemos da Silva.

The diversity of the delegations gave the gathering a particularly symbolic dimension: people separated by thousands of kilometres came together in Angola to reconnect with cultural references, histories and memories linked to the African continent.

Luanda as a Territory of Memory

The Sankofa Angola 2026 programme provided an opportunity to strengthen relationships among members of the different delegations through a journey marked by Angolan hospitality and cultural experience.

In Luanda, visitors encountered places of profound historical and symbolic significance, including the National Museum of Slavery, Luanda Bay and Luanda Island.

Each stop added another layer to the experience of those who crossed the Atlantic, not simply as visitors, but as people seeking to understand and reconnect with fragments of a history that also belongs to the Diaspora.

From Memory to Fellowship

One of the most meaningful moments was the visit to the Mamã África House Museum, where the programme took on a more intimate dimension of fellowship and cultural exchange.

The gathering was attended by His Majesty King Joshua Maponga III and Queen Mambokadzi Aluko, from Zimbabwe, as well as Fernanda Carolina, representative of the Sacred Feminine movement in Angola, and participants in the Ondjango of African Women.

Members of the General Coordination of Sankofa Angola, including Daltron Costa, Nelson Bartolomeu and Tereza João, were also present during the gathering.

Around the table, culture ceased to be merely a subject of discussion and became a lived experience.

Mufete, fresh fish calulu, other traditional Angolan dishes and the traditional Mamã África kissangua brought together flavours, aromas and memories.

Throughout the afternoon, songs, dance and conversation continued until sunset, creating an atmosphere of complicity, fellowship and shared belonging.

Toasts, smiles and embraces gave tangible form to an experience that, for many participants, went beyond the calendar of a cultural programme.

“We Are All Children of the Same Mother Africa”

Host Lopito Feijó captured one of the central ideas of the gathering when he addressed participants from different parts of the world as “Africans.”

The statement goes beyond geography.

Those born on the continent and those born or raised outside Africa may have different experiences, but they share historical, cultural and ancestral references that continue to nurture the idea of a transnational Africa.

It is precisely within this symbolic territory that Sankofa seeks to operate.

Sankofa and Cultural Diplomacy Across the Diaspora

The growing interaction between African and African-descendant communities positions Sankofa Angola as a platform for promoting cultural identity and strengthening connections between Africa and its Diaspora.

The movement has been establishing links with other internationally representative networks and initiatives, including Grande Travessia, which proposes reflection on the historical Atlantic routes and the possibility of creating new pathways connecting Africa and the territories of the Diaspora.

The idea of a route in the opposite direction carries a powerful symbolic meaning: if for centuries the Atlantic was crossed through violence, exploitation and dehumanisation, what new pathways can be built today through memory, culture, cooperation and dignity?

From the “Slave Route” to Routes of Reunion

The history of what became known as the Slave Route remains one of humanity’s deepest wounds.

The transatlantic trafficking of enslaved Africans caused forced displacement, family separation, the destruction of communities and social, economic and cultural consequences that have crossed generations.

It is at this point that contemporary cultural exchange initiatives can assume a significance greater than the organisation of events alone.

When members of the Diaspora return to the continent to encounter places of memory, and when artists, researchers, community leaders and institutional representatives sit at the same table, the possibility emerges of transforming historical memory into an instrument for dialogue.

Not to erase the pain.

Not to reopen wounds.

But to ensure that history is not forgotten and that its tragedies are not repeated.

Restitution, Restoration and Reparation: The Questions Remain

The very idea of a new route connecting Africa and its Diaspora raises questions that continue to demand reflection.

Restitution of what?
Restoration of what?
Reparation for whom?
How should it be done?
When?
And for how long?

These are questions without simple answers.

Yet questioning is also a way of preserving memory.

The challenge is to transform these questions into knowledge, research, dialogue, institutional cooperation, cultural education and policies capable of recognising the human dimension of the historical scars left behind.

A Memory That Must Remain Alive

It is also within this space that PRESSdigi understands its editorial responsibility.

Giving a voice to those who need to speak about identity, memory, ancestry, culture and reparation does not mean fuelling unrest or deepening divisions.

It means creating space for constructive, dignified and responsible voices, capable of encouraging reflection and generating conversations that can be shared across societies.

Memory should not be used to perpetuate conflict.

It should serve to prevent history from repeating itself.

The past cannot be changed, but the way future generations understand it can be transformed.

Sankofa: Looking Back to Move Forward

The very essence of the concept of Sankofa finds a concrete expression here: returning to one’s roots in order to recover knowledge, rebuild connections and move forward with greater awareness.

In Angola, this movement finds a particularly symbolic territory.

It is a country whose landscapes, languages, cultures, communities and places of memory carry significant elements of African and Atlantic history.

For this reason, every gathering of the Diaspora on Angolan soil can represent more than a celebration.

It can be an act of recognition.

It can be a reunion.

It can be the beginning of a new conversation.

Above all, it can be an opportunity for Africa and its Diaspora to build pathways together once again — this time through culture, memory, dignity and cooperation.


AUTHOR’S NOTE

By Kikalakalu Kia Díbya _ DALTRON COSTA

Culture Photojournalist | Observer and Promoter of Cultural Exchange

Source: NATIONAL NETWORK | PRESSdigi Report

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