OFERTA PÚBLICA DA REFINARIA NIGERIANA MARCA NOVA ETAPA PARA O CAPITAL AFRICANO
O empresário nigeriano Aliko Dangote, considerado o homem mais rico de África, prepara uma nova fase de expansão empresarial com a abertura do capital da sua refinaria de petróleo a investidores individuais.
A operação, apresentada como uma das maiores ofertas públicas iniciais de acções previstas no continente, pretende ampliar a participação do público num dos maiores projectos industriais de África e reforçar o acesso da empresa ao mercado de capitais.
A colocação privada de acções, avaliada em cerca de 2,5 mil milhões de dólares, terá contribuído para elevar o património líquido de Dangote em aproximadamente 20 mil milhões de dólares, colocando a sua fortuna acima dos 50 mil milhões de dólares.
REFINARIA DISPONIBILIZA ACÇÕES A INVESTIDORES INDIVIDUAIS
A Dangote Petroleum Refinery and Petrochemical iniciou a oferta pública de até 4,1 mil milhões de acções, correspondentes a cerca de 3,3% da empresa.
Cada acção foi apresentada ao preço de 525 nairas nigerianas, aproximadamente 40 centavos de dólar, com um pedido mínimo de dez acções. O valor de entrada relativamente reduzido procura facilitar a participação de pequenos investidores nigerianos.
O período de subscrição deverá terminar a 13 de Outubro, estando prevista a entrada das acções na Bolsa de Valores da Nigéria, a NGX, em Novembro.
A operação foi formalmente apresentada numa cerimónia realizada em Lagos, centro económico da Nigéria, com a participação de Aliko Dangote e de representantes do sector financeiro.
PARTICIPAÇÃO POPULAR NA CRIAÇÃO DE RIQUEZA
Para Aliko Dangote, a abertura do capital da refinaria não representa apenas uma estratégia de mobilização de recursos financeiros.
O empresário defende que a operação deve permitir que mais cidadãos africanos participem na criação de riqueza gerada por empresas construídas no continente.
A iniciativa pretende aproximar o público dos activos industriais nacionais e criar oportunidades de participação num empreendimento que, até agora, esteve sob controlo privado.
Dangote comparou a intenção à trajectória de grandes empresas internacionais que abriram o seu capital e permitiram que diferentes investidores beneficiassem do crescimento dos negócios.
FORTE PROCURA NA COLOCAÇÃO PRIVADA
Antes da oferta pública, a refinaria realizou uma colocação privada que terá registado uma procura superior ao montante inicialmente previsto.
Segundo Dangote, foram recebidos pedidos de investimento superiores a 2,5 mil milhões de dólares, perante uma alocação planeada de mil milhões de dólares, acrescida de 1,5 mil milhões destinados à oferta pública.
A forte procura levou a empresa a devolver parte dos pedidos recebidos, mantendo apenas o montante definido para a expansão dos negócios.
O empresário afirmou que a decisão de avançar posteriormente para o mercado público pretende garantir que os investidores individuais também possam beneficiar do desempenho da refinaria.
EXPANSÃO DA CAPACIDADE DE PRODUÇÃO
A refinaria de Dangote é apresentada como a maior do continente africano e integra um projecto industrial de grande escala no sector energético.
A operação de abertura de capital está associada à intenção de ampliar a capacidade de produção da unidade, de 700 mil para 1,4 milhões de barris de petróleo por dia.
A expansão deverá reforçar a capacidade de processamento e a posição da empresa no mercado regional de combustíveis e produtos petroquímicos.
A escala e a rentabilidade da refinaria são apontadas pelo empresário como factores que poderão transformar a unidade numa das maiores empresas africanas em termos de dimensão económica e valor de mercado.
GRUPO DANGOTE MANTÉM PROJECTOS DE 46 MIL MILHÕES DE DÓLARES
Para além da refinaria, o grupo empresarial de Aliko Dangote mantém um portefólio de projectos avaliado em aproximadamente 46 mil milhões de dólares até 2030.
A estratégia inclui investimentos em sectores industriais e infra-estruturas considerados relevantes para a transformação económica da Nigéria e para o fortalecimento da capacidade produtiva africana.
O empresário também admitiu a possibilidade de uma futura abertura de capital no exterior, provavelmente nos Estados Unidos da América, dentro dos próximos três a quatro anos.
Essa eventual operação permitiria à empresa aceder a fontes adicionais de financiamento e aproximar-se de investidores internacionais.
NIGÉRIA COMO PLATAFORMA DE CAPITAL AFRICANO
A possibilidade de uma empresa construída em África, cotada inicialmente na Nigéria e posteriormente ligada aos mercados globais é apresentada como um passo relevante para o desenvolvimento dos mercados de capitais africanos.
Olajumoke Oduwole, fundadora e directora-executiva da fintech nigeriana Alajo, considera que a operação poderá contribuir para mudar a forma como os africanos encaram a criação e a distribuição de riqueza.
A abertura do capital de uma empresa industrial de grande dimensão pode igualmente estimular a participação dos investidores locais, aumentar a transparência empresarial e reforçar a ligação entre poupança, investimento e desenvolvimento produtivo.
DESAFIOS PARA A PARTICIPAÇÃO DOS INVESTIDORES
Apesar das expectativas em torno da operação, a entrada de investidores individuais no mercado de capitais exige informação clara sobre os riscos, o desempenho financeiro da empresa e as condições de negociação das acções.
A participação pública não elimina os riscos associados à evolução dos preços do petróleo, à gestão empresarial, à procura de combustíveis, às condições macroeconómicas e ao comportamento da bolsa.
A operação coloca, por isso, em evidência a necessidade de reforçar a educação financeira e o acesso dos cidadãos a informação adequada antes da tomada de decisões de investimento.
UM NOVO CAPÍTULO PARA A INDÚSTRIA AFRICANA
A abertura de capital da refinaria Dangote representa uma nova etapa na relação entre indústria, investimento privado e participação pública em África.
Ao disponibilizar acções a investidores individuais, o grupo procura ampliar a base de proprietários da empresa e consolidar a sua capacidade de mobilizar recursos para novos projectos.
A iniciativa poderá também contribuir para o debate sobre a criação de riqueza no continente, o fortalecimento das bolsas africanas e a necessidade de transformar grandes activos industriais em oportunidades de participação económica para mais cidadãos.
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Fonte principal: FORBES ÁFRICA LUSÓFONA





